Projetos sobre proteção animal avançam na Câmara de Curitiba

por Alex Gruba | Revisão: Gabriel Kummer* — publicado 01/04/2026 20h05, última modificação 02/04/2026 09h51
Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Municipal de Curitiba analisou 45 projetos de lei na 7ª reunião ordinária de 2026.
Projetos sobre proteção animal avançam na Câmara de Curitiba

Reuniões da CCJ ocorrem semanalmente, às terças-feiras. (Foto: Kim Tolentino/CMC)

Na 7ª reunião ordinária de 2026, na última terça (31), a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara Municipal de Curitiba aprovou o trâmite de 21 dos 45 itens da pauta, além de arquivar outras 7 proposições. As demais 17 propostas de lei seguem em análise no próprio colegiado. Entre as iniciativas com sinal verde para trâmite em outras comissões, estão propostas para ampliar a proteção animal.

Foi acatado trâmite do projeto sobre a responsabilização administrativa de pais e responsáveis legais por atos que caracterizem maus-tratos, crueldade, abuso ou violência contra animais praticados por menores de 18 anos "sob sua guarda ou vigilância". A proposta (005.00028.2026, com substitutivo geral 031.00003.2026), de autoria da vereadora Andressa Bianchessi (União), altera a atual legislação de proteção animal da cidade (lei municipal 16.038/2022) para incluir a punição de quem detém a guarda do menor. Entre as sanções previstas no texto, estão a aplicação de multas e demais penalidades administrativas já estabelecidas pelo município.

Em voto em separado, a vereadora Camilla Gonda (PSB) manifestou-se contrária à proposta. Segundo a parlamentar, a redação atribui responsabilidade aos pais de forma presumida, sem a definição clara de critérios objetivos que caracterizem a omissão ou a culpa. Para ela, esse modelo pode transferir penalidades a quem não praticou diretamente a conduta, além de aproximar indevidamente a norma de institutos próprios do direito civil, cuja competência é da União.

Por outro lado, o parecer apresentado pelo vereador Tiago Zeglin (MDB) - e acatado pelo colegiado - foi favorável à tramitação da matéria. O relator argumenta que a responsabilização prevista não tem natureza civil, mas administrativa, fundada no dever de vigilância dos responsáveis e que a medida reforça o caráter pedagógico e preventivo da legislação de proteção animal. Para ele, o projeto aprimora o ordenamento existente e amplia a segurança jurídica.

Antes de ser debatida e votada em plenário, a matéria ainda deve passar nas comissões de: Direitos Humanos, Defesa da Cidadania, Segurança Pública e Minorias; Serviço Público; Comissão de Urbanismo, Obras Públicas e TI; e Meio Ambiente, Desenvolvimento Sustentável e Assuntos Metropolitanos.

Proteção animal nas escolas de Curitiba

Outro projeto de proteção animal aprovado pela CCJ pretende instituir diretrizes para ações de educação em proteção e bem-estar animal, prevenção de maus-tratos e promoção do conceito de Saúde Única na rede de ensino de Curitiba (005.00025.2026), de autoria de Marcos Vieira (PDT). O relator, vereador Lórens Nogueira (PP), ressaltou a relevância do tema ao integrar educação, meio ambiente e saúde. A matéria segue para análise das comissões de Educação, Turismo, Cultura, Esporte e Lazer e de Meio Ambiente, Desenvolvimento Sustentável e Assuntos Metropolitanos.

Nova regra de custeio da CuritibaPrev

Segue para análise das comissões de Economia, Finanças e Fiscalização e de Serviço Público a proposta que amplia as fontes de financiamento para cobrir as despesas administrativas da CuritibaPrev, a  Fundação de Previdência Complementar do Município de Curitiba. O texto (005.00087.2026), de iniciativa do prefeito Eduardo Pimentel, altera dispositivos da lei municipal 15.072/2017, "visando alinhar a legislação municipal às normas federais mais recentes, evitando sobreposição normativa e garantindo maior segurança jurídica e aderência técnica à gestão da entidade", justifica o chefe do Executivo. O parecer favorável ao  trâmite da matéria foi assinado pelo vereador Fernando Klinger (PL) foi  O relator pontuou que a alteração não implica impacto financeiro ao Tesouro Municipal e contribui para o aprimoramento da legislação previdenciária local. 

IPTU reduzido para PcDs

A proposta para conceder a redução do Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbano (IPTU) à pessoa com deficiência, de autoria dos vereadores Marcos Vieira e Pier Petruzziello (PP), amplia o alcance do benefício fiscal já existente no município (002.00021.2025, com 031.00031.2026). A iniciativa busca estender a redução do IPTU a todas as pessoas com deficiência, independentemente do recebimento do Benefício de Prestação Continuada (BPC), com o objetivo de promover maior equidade tributária e efetivar princípios como a isonomia e a capacidade contributiva.

No parecer, o vereador Da Costa (Pode) ressaltou que a proposta, além de atender aos princípios da justiça fiscal e da dignidade da pessoa com deficiência, apresentou estimativa de impacto orçamentário conforme a Lei de Responsabilidade Fiscal. Com isso, o projeto segue para análise das comissões de Acessibilidade e Direitos da Pessoa com Deficiência e de Economia, Finanças e Fiscalização.

Polo de Atendimento à Pessoa Autista

Ainda na seara da pessoa com deficiência, a CCJ deu sinal positivo para a tramitação do projeto de lei para prever diretrizes de sinalização viária e educativa no entorno do Polo de Atendimento à Pessoa Autista (005.00037.2026), de autoria de Pier Petruzziello. Novamente como relator, Da Costa diz que a iniciativa possui caráter orientador e não configura interferência na organização administrativa do Executivo. Com isso, o projeto segue para análise das comissões de Acessibilidade e Direitos da Pessoa com Deficiência, de Serviço Público e de Urbanismo, Obras Públicas e TI.

Veja as demais propostas com trâmite autorizado e que avançam para a análise de outras comissões permanentes da Casa, divididas por temas:

Saúde pública e políticas sociais

- Institui o programa municipal de informação, conscientização e incentivo ao acesso a tecnologias avançadas para o controle do diabetes em Curitiba (005.00795.2025), de Bruno Rossi (Agir);

- Institui a Política de Combate ao Absenteísmo nas Consultas e Procedimentos do Sistema Único de Saúde (SUS) no âmbito do Município de Curitiba (005.00658.2025, com 031.00033.2026), de Rafaela Lupion (PSD);

- Estabelece a Política Municipal de Segurança dos Profissionais em Unidades de Saúde no âmbito do Município de Curitiba e dá outras providências (005.00625.2025, com 031.00026.2026), de Da Costa.

Educação

- Dispõe sobre a inclusão de ensino da empatia como atividade extracurricular do ensino básico (005.00033.2026), de Meri Martins (Republicanos)

Conscientização e datas no calendário oficial

- Institui a Semana de Conscientização da Neuralgia do Trigêmeo em Curitiba, com inclusão no Calendário Oficial de Eventos (005.00024.2026), de Pier Petruzziello;

- Inclui no Calendário Oficial de Eventos de Curitiba o Sarau Periférico (005.00005.2026), de Giorgia Prates (PT), Angelo Vanhoni (PT) e Professora Angela (PSOL)

Homenagens e denominações

- Concede o Título de Cidadão Honorário de Curitiba ao Doutor Paulo Roberto Vasconcelos (115.00005.2026), de Sidnei Toaldo (PRD);

- Denomina de Teresinha Balaban de Lima um dos logradouros públicos da Capital ainda não nominado (009.00003.2026), de Nori Seto (PP);

- Denomina de Jornalista Gil Rocha o Centro de Esporte e Lazer localizado na Praça da Liberdade, no Bairro Alto (008.00022.2025), de Jasson Goulart (Republicanos) e Bruno Rossi;

- Concede o Prêmio Papa João Paulo II a pessoas ou entidades que se destacaram nas atividades de apoio às causas defendidas pela Igreja Católica Apostólica Romana em 2026 (016.00001.2026), de autoria da Comissão de Educação, Turismo, Cultura, Esporte e Lazer.

Utilidade pública e reconhecimento institucional

- Declara de Utilidade Pública a Associação CHC de Administração e Assistência Hospitalar – Associação Catarinense de Gestão Hospitalar, Conhecimento e Assistência Social (014.00003.2026), de Andressa Bianchessi;

- Declara de Utilidade Pública o Instituto Social em Prol do Transtorno do Espectro Autista – TEAproxima (014.00091.2025), de Pier Petruzziello;

- Declara de Utilidade Pública o AME Social (014.00088.2025), de Sargento Tânia Guerreiro (Pode);

- Declara de Utilidade Pública o Instituto Didier Rayon (014.00067.2025), de Sidnei Toaldo;

- Declara de Utilidade Pública a Associação Cultural, Esportiva e Beneficente Glória Parque Verde (014.00075.2025), de Nori Seto;

- Declara de Utilidade Pública a Associação Base Underground (014.00059.2025), de Sargento Tânia Guerreiro.

Projetos arquivados

A Comissão de Constituição e Justiça também arquivou cinco proposições da pauta por ausência de condições jurídicas para a tramitação. Entre elas, está o projeto que propunha a conversão de multas de trânsito leves em doação de sangue e medula óssea (005.00797.2025), de autoria de Renan Ceschin (Pode). Para o relator, Lórens Nogueira, a iniciativa afronta a Constituição de maneira "formal e material", por adentrar em tema de competência da União, o que resulta em vício de iniciativa, e "pela afronta à vedação de comercialização de sangue".

Quatro propostas do vereador Eder Borges (PL) também foram barradas pelo colegiado. Com relatoria de Rafaela Lupion, foi arquivado o projeto que previa a obrigatoriedade de exame toxicológico para professores da rede pública (005.00019.2026). A vereadora sustentou haver "vícios insanáveis de inconstitucionalidade e ilegalidade", além da ausência de demonstração de impacto financeiro.

Também foi arquivada a proposta sobre a conduta de servidores públicos em órgãos e estabelecimentos subsidiados pelo Executivo (005.00014.2026). O texto previa, por exemplo, a proibição de funcionários participarem de manifestações em apoio a determinadas causas, como a chamada "agenda woke". O relator, Rodrigo Marcial, votou pelo arquivamento por vício de iniciativa, apontando que a regulação da conduta de servidores é competência exclusiva do Poder Executivo.

Na mesma linha, o colegiado decidiu pelo arquivamento do projeto que estabelecia critérios para a distribuição e doação de alimentos no município (005.00534.2025, com 031.00020.2026), bem como da proposta de criação de uma campanha permanente de conscientização sobre o uso de drogas em eventos culturais (005.00552.2025, com 031.00022.2026). As duas relatorias desfavoráveis foram de Tiago Zeglin (MDB), que apontou, entre outras questões técnicas, vício de iniciativa e afronta ao princípio da separação dos poderes. 

Com parecer contrário ao trâmite assinado por Rodrigo Marcial, a CCJ arquivou outra proposta de Borges, referente ao transporte gratuito para a pessoa idosa portadora de doença crônica (005.00016.2026). Uma das razões apontadas por Marcial foi que "a criação de disciplina paralela para matéria já regulada, aliada à ausência de detalhamento normativo suficiente, compromete a clareza e a aplicabilidade da norma".

Para reverter o arquivamento de uma proposição, os autores devem, no prazo de até cinco dias úteis, obter o apoio mínimo de 1/3 dos vereadores (o equivalente a 13 assinaturas) para que o parecer seja levado à deliberação do plenário. Nessa hipótese, se o parecer da Comissão de Constituição e Justiça for aprovado em votação única, a matéria é arquivada em definitivo. Caso contrário, o projeto retorna às comissões para nova análise de mérito.

Subcomissão e despedida

Ainda na reunião, o presidente da CCJ, Fernando Klinger, anunciou uma prorrogação de mais 30 dias para os trabalhos da Subcomissão de Estudos para Eficiência Legislativa (Sepel). Na mesma reunião, o vereador Rodrigo Marcial (Novo) se despediu dos colegas do colegiado, uma vez que o dia seguinte marcou o retorno da vereadora Amália Tortato (Novo) na cadeira parlamentar.

*Notícia revisada pelo estudante de Letras Gabriel Kummer
Supervisão do estágio: Ricardo Marques
Edição: Marcio Silva