Câmara de Curitiba aprova Utilidade Pública ao Instituto Paulo Leminski
Apoio ao Instituto Paulo Leminski teve votação unânime na Câmara de Curitiba. (Fotos: Rodrigo Fonseca/CMC)
A Câmara Municipal de Curitiba (CMC0 aprovou, em primeiro turno, nesta segunda-feira (18), o projeto de lei que declara de Utilidade Pública o Instituto Paulo Leminski. A proposta recebeu 25 votos favoráveis, de forma unânime, após debate em plenário marcado por homenagens ao poeta curitibano e ao trabalho de preservação de sua memória.
O projeto é de autoria de Angelo Vanhoni (PT), em coautoria com Alexandre Leprevost, Dalton Borba, Herivelto Oliveira, Maria Leticia, Professora Josete, Beto Moraes (PSD), Professora Angela (PSOL), Nori Seto (PP), Serginho do Posto (PSD) e Giorgia Prates - Mandata Preta (PT). A proposição declara de Utilidade Pública a entidade fundada em 5 de setembro de 2023 por Alice Ruiz Schneronk, Aurea Alice Leminski, Estrela Ruiz Leminski e Lorena Leminski Vieira (014.00077.2024).
Emitida pela CMC, a Utilidade Pública serve como um atestado de bons antecedentes, facilitando a realização de convênios com o poder público. A concessão do título é regulamentada pela lei complementar municipal 117/2020, que coloca como condições a prestação de serviços de interesse da população, a sede na cidade, a documentação em dia e a apresentação de relatório de atividades.
Angelo Vanhoni disse que a aprovação representa um reconhecimento da cidade ao legado do poeta e ao papel do instituto na difusão da arte e da literatura. “Nós vamos declarar de Utilidade Pública o instituto que tem a missão de preservar a memória, de difundir [a arte], de ajudar a despertar as crianças e os adultos para a arte e para a poesia”, afirmou. Para o vereador, a poesia “dá razão, dá sentido, muitas vezes, a essa frágil e efêmera existência que é de todos nós”.
Instituto promove exposições, publicações e ações culturais
O Instituto Paulo Leminski foi criado para preservar, valorizar e difundir o legado cultural e artístico do poeta, compositor, tradutor e ensaísta curitibano. Entre seus objetivos estão a organização e a disponibilização de acervo literário, a realização de palestras, seminários, workshops, exposições, espetáculos, publicações, intercâmbios culturais e parcerias com instituições públicas e privadas no Brasil e no exterior.
Segundo o portfólio apresentado à Câmara, a entidade participou da coordenação e curadoria da exposição Múltiplo Leminski em Braga e Matosinhos, em Portugal, além de atividades em Curitiba, São Paulo, Ponta Grossa e Foz do Iguaçu. Também esteve envolvida no Festival Paulo Leminski 80 Anos, realizado na Pedreira Paulo Leminski, na coedição do boletim comemorativo “TAK” e na reedição do primeiro livro de poemas do autor, Não fosse isso e era menos / Não fosse tanto e era quase.
Nori Seto, um dos coautores, destacou a relação de sua família com Leminski, Alice Ruiz e o ambiente cultural de Curitiba. Ele lembrou que seu pai, o cartunista Seto, trabalhou com o poeta no Correio de Notícias e na Grafipar, além de ter produzido ilustrações associadas à imagem de Leminski. “O instituto realiza um grande trabalho, muito importante, de preservação, divulgação e difusão do legado, da memória, da obra do Paulo Leminski, e também de incentivo a outras pessoas que fazem cultura, que fazem arte em nossa cidade”, afirmou.
Família Leminski defende continuidade do legado
Durante a sessão, foram exibidos depoimentos em vídeo de Estrela Leminski, Aurea Leminski e Lorena Leminski. Estrela afirmou que a declaração de Utilidade Pública representa uma etapa importante para a preservação da memória do poeta e para a construção de novos projetos. Segundo ela, o reconhecimento abre novas possibilidades para que Curitiba continue crescendo junto com o nome de Paulo Leminski.
Aurea Leminski, presidente do instituto, disse que a família cuida do legado do poeta há mais de 25 anos e que a aprovação reconhece tanto a relevância da obra quanto o trabalho cotidiano da entidade. “Paulo Leminski é uma referência para Curitiba, não só para a cidade, mas para o Brasil e para o mundo”, afirmou. Ela acrescentou que o trabalho é feito “com muito amor, com muita dedicação” por pessoas que mantêm viva a obra do escritor.
Lorena Leminski, neta do poeta e integrante da diretoria do instituto, representou a nova geração da família. Em sua fala, ela destacou o compromisso de levar o legado do avô às novas gerações, reforçando a continuidade do trabalho de preservação cultural.
Vereadores associam Leminski à identidade de Curitiba
Na discussão, Giorgia Prates afirmou que a declaração de Utilidade Pública não deve ser vista como um ato meramente administrativo, mas como reconhecimento político e cultural de uma memória relevante para Curitiba. “Nós não estamos fazendo um ato burocrático. Nós estamos trazendo esse reconhecimento político-cultural a uma memória que importa muito para essa cidade”, disse.
A vereadora relacionou a obra de Leminski à vida urbana, às contradições e à multiplicidade de Curitiba. “Uma memória que não se preserva sozinha, uma memória que precisa de cuidado, precisa de acervo, precisa de pesquisa, precisa de circulação, precisa de instituição comprometida, precisa de gente que entenda que a cultura também é responsabilidade pública”, completou Giorgia Prates.
Também se manifestaram em apoio Laís Leão (PDT), Delegada Tathiana Guzella (PL), Marcos Vieira (PDT), Zezinho Sabará (PSD), Jasson Goulart (Republicanos), Indiara Barbosa (Novo) e Camilla Gonda (PSB). Em comum, os vereadores defenderam que o instituto fortalece a memória cultural da cidade, preserva a obra de Leminski, aproxima novas gerações da poesia e contribui para manter vivo um dos nomes mais importantes da literatura brasileira ligados a Curitiba.
Após a votação, o ex-vereador Herivelto Oliveira agradeceu a aprovação do projeto e fez uma saudação especial a Alice Ruiz, escritora e viúva de Paulo Leminski. Ele contou que conversou com ela antes da sessão sobre seu retorno a Curitiba, após um período vivendo em São Paulo: “Vamos lembrar que Alice Ruiz está de volta à Curitiba”. Professor Euler (MDB) justificou o voto favorável e classificou o momento como histórico para a valorização do legado do poeta.
A proposta ainda precisa passar por votação em segundo turno. Se aprovada novamente, seguirá para sanção do Executivo.
*Notícia revisada pelo estudante de Letras Gabriel Kummer
Supervisão do estágio: Ricardo Marques
Reprodução do texto autorizada mediante citação da Câmara Municipal de Curitiba