Dia do Assistente Social: Câmara de Curitiba homenageia profissionais
A Câmara Municipal de Curitiba (CMC) realizou, na noite de 15 de maio, uma Sessão Solene em homenagem ao Dia do Assistente Social. A solenidade foi proposta pela vereadora Vanda de Assis (PT) e reconheceu profissionais que atuam na assistência social, na saúde, na educação, na habitação, no sistema de Justiça, no terceiro setor, nas universidades e nos movimentos sociais (061.00048.2026).
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A mesa da solenidade foi presidida por Vanda de Assis; por Camilla Gonda (PSB); pela assistente social Odete Fernandes; por Adriana Matias, vice-presidenta do Conselho Regional de Serviço Social do Paraná (Cress-PR); e por Cássia Cordeiro, que apoiou a organização da segunda edição desta homenagem na CMC. A data foi criada para valorizar uma categoria essencial à consolidação de políticas públicas, especialmente o Sistema Único de Assistência Social (SUAS), e à viabilização de direitos previstos na Constituição Federal de 1988.
Vanda de Assis destaca reconhecimento à categoria
Assistente social de formação, Vanda de Assis afirmou que a homenagem reconhece o trabalho cotidiano de profissionais que atuam em situações de desigualdade, precariedade e dificuldade de acesso a direitos. A vereadora também lembrou que, em 2026, o Serviço Social completa 90 anos no Brasil.
“Celebrar o Dia da Assistente Social e do Assistente Social, para nós, é muito mais do que fazer uma celebração festiva. É dia de reconhecimento, porque toda a nossa existência, desde a nossa formação, que, este ano, inclusive, completa 90 anos no Brasil, está carregada de muita história, de muitas conquistas, frutos de muita luta”, afirmou.
Segundo Vanda, a presença da categoria em diferentes políticas públicas é parte da construção de cidadania na cidade. “Em todos os equipamentos, em todos os espaços em que as assistentes sociais estão atuando, ali tem um pouco do que é essa categoria toda, um pouco da força que essa categoria e que, portanto, cada assistente social carrega, de semear esperança, de semear um pouco de luta em cada atendimento e fortalecer a grande luta que tem sido feita nessa cidade por mais dignidade, por mais cidadania em cada política pública”, disse.
A parlamentar também relatou que algumas pessoas convidadas inicialmente hesitaram em receber a homenagem, por entenderem que outras trajetórias também mereciam reconhecimento. “Por favor, olhe para o que você faz cotidianamente e saiba que o que você faz cotidianamente já merece ser reconhecido”, afirmou Vanda, ao comentar a resposta dada a essas profissionais.
Serviço Social completa 90 anos no Brasil
A trajetória histórica da profissão foi lembrada em vídeo exibido durante a solenidade e nas falas das representantes da categoria. O material destacou a participação do Serviço Social na defesa da democracia, na construção da Constituição de 1988 e na afirmação da ideia de que política pública é direito, não caridade.
Na fala em nome do Cress-PR, Adriana Matias relacionou os 90 anos da profissão ao compromisso ético-político do Serviço Social com os direitos sociais. “O Serviço Social é uma profissão necessária. Trabalhamos por melhoria das condições de vida da população e pela superação das desigualdades sociais. Isso expressa uma profissão cada vez mais requisitada, seja no setor público ou no setor privado, no atendimento à população ou na formulação e execução de políticas públicas que possibilitam o acesso a direitos”, afirmou.
Adriana também defendeu o papel técnico da categoria na análise das demandas sociais. “Assistentes sociais possuem uma formação crítica, capacitada para analisar e intervir nos graves problemas sociais, com uma formação que tem como direção um rigoroso trato teórico, científico e analítico das demandas da sociedade”, completou.
Camilla Gonda defende valorização profissional
Camilla Gonda afirmou que falar do Serviço Social é falar de uma profissão historicamente vinculada à classe trabalhadora, aos direitos humanos, à democracia e à redução das desigualdades. Para a vereadora, a homenagem reconhece profissionais que atuam diretamente com pessoas em situação de vulnerabilidade.
“Falar do Serviço Social é falar de uma profissão comprometida historicamente com a classe trabalhadora, com os direitos humanos, com a democracia e com a construção de uma sociedade menos desigual. E isso não é neutro. O Serviço Social não é neutro, nunca foi, nunca será”, disse Camilla.
A vereadora citou exemplos da atuação cotidiana da categoria. “São trabalhadores e trabalhadoras que escutam a dor humana quando o Estado muitas vezes chega muito mais tarde do que a gente gostaria, que acolhem famílias, que escutam mulheres vítimas de violência, crianças em situação de vulnerabilidade, idosos abandonados e juventudes sem qualquer perspectiva”, declarou.
Camilla também defendeu a valorização do Serviço Social no serviço público municipal. “Nenhuma democracia se sustenta com fome, nenhuma liberdade é real quando milhões vivem sem acesso a direitos que são básicos e nenhum desenvolvimento é legítimo se a gente deixar o povo para trás e não olhar para a nossa gente”, afirmou. Ela ainda mencionou a luta pela fiscalização da Fundação de Ação Social (FAS) e pela criação de uma secretaria municipal de assistência social em Curitiba.
“Não há futuro sem nós”, afirma Odete Fernandes
A assistente social Odete Fernandes falou em nome das homenageadas e dos homenageados. Ela afirmou que o Dia da e do Assistente Social deve ser compreendido como uma data de pertencimento coletivo para a categoria.
“Hoje não é só uma comemoração, mas também um dia que nós podemos chamar de nosso, porque são raras as pessoas nessa sociedade que têm um dia que você possa dizer: esse dia é nosso”, declarou.
Odete relacionou o trabalho da categoria à defesa de direitos já conquistados e aos desafios criados pelas novas tecnologias. “Nós estamos todos os dias trabalhando e lutando contra todos e todas que ousam retirar direitos da sociedade brasileira, direitos esses conquistados”, disse.
Ao comentar os impactos da tecnologia e da inteligência artificial, a homenageada afirmou que os avanços tecnológicos podem trazer eficiência, mas também exclusão. “Por outro lado, excluem vertiginosamente milhares de pessoas que não têm acesso a essas novas tecnologias, incluindo aí a IA”, afirmou. Para ela, o trabalho da categoria permanece indispensável. “Não há futuro sem nós. E não há futuro mesmo sem nós, porque nós caminhamos todos os dias tentando singularizar a nossa profissão, mas esse singular é sempre no plural”, completou.
Homenagens reuniram diferentes áreas de atuação
A entrega dos certificados foi conduzida por Cássia Cordeiro, que chamou as pessoas homenageadas e apresentou uma síntese de suas trajetórias. A lista reuniu profissionais com atuação no SUAS, na saúde pública, na saúde mental, na educação, na habitação, no Ministério Público, na Defensoria Pública, no Judiciário, na previdência, na assistência estudantil, nos direitos das mulheres, na população em situação de rua, nos direitos humanos, na regularização fundiária, na luta antirracista, na defesa da população LGBT+, na docência, na pesquisa e em entidades da sociedade civil.
Ao final da solenidade, Vanda de Assis agradeceu a presença das pessoas homenageadas, familiares, convidados e entidades representadas no plenário. “Recebam essa homenagem como um gesto de muito carinho e reconhecimento que cada assistente social precisa e que a nossa cidade deve a cada assistente social da nossa cidade”, afirmou.
Quem recebeu a homenagem
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Adriana Aparecida da Silva – Atua há mais de 10 anos em saúde ocupacional, área sindical e projetos sociais, com experiência em mediação de conflitos, afastamentos pelo INSS, saúde mental e dependência química.
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Adriana Maria Matias – Conselheira do Cress-PR, representa a entidade em espaços de direitos da mulher, população em situação de rua, migração, economia solidária e promotoras legais populares.
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Ana Silvia Chagas Peres Pinho – Formada em 1985 pela UEL, tem 40 anos de trajetória no Serviço Social e atua na Secretaria de Estado da Saúde do Paraná.
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Andreia de Alfaz Paulo – Educadora popular, tem experiência em projetos sociais, educação e administração de centro educacional infantil; atua no Lar Infantil Sol Amigo.
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Andressa Bremm – Assistente social do Ministério Público do Paraná desde 2010, com atuação na proteção e garantia de direitos e no Cress-PR.
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Anna Letícia Bacellar – Graduada pela PUC-PR, tem pós-graduação em Sistema Único de Assistência Social, com formação voltada à teoria e prática do SUAS.
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Antonia Liliane – Servidora pública em Curitiba desde 2012, com experiência em CRAS, CREAS, atendimento à população em situação de rua e representação sindical e em conselhos.
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Augusto Lima – Atua há mais de 15 anos na Obra Social Santo Aníbal, no Serviço de Convivência com crianças e adolescentes, e integrou gestão do Cress-PR.
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Cassio Tondolo – Chefe da Unidade de Saúde Mental do Hospital de Clínicas da UFPR, coordena áreas de Serviço Social, Psicologia e Psiquiatria e atua no Cress-PR.
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Charles Fernando Martins – Analista de Ação Social no Sesc Paraná, com experiência em habitação popular, economia solidária, populações vulneráveis e monitoramento de indicadores sociais.
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Cleci Elisa Albiero – Professora da Uninter, doutora em Serviço Social pela PUC-SP, coordena estágio supervisionado e grupo de pesquisa sobre trabalho, formação e sociabilidade.
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Daniele Ferreira – Trabalhadora do SUAS e servidora pública, atua em diálogo com o Fórum dos Trabalhadores do SUAS, com foco em justiça social, direitos e cidadania.
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Daraci Rosa dos Santos – Servidora municipal desde 2004, tem experiência em assistência social, educação e direitos humanos; atua na Secretaria Municipal da Mulher e Igualdade Étnico-Racial.
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Elaine Batista – Servidora pública e mestra em Políticas Públicas pela UFPR, atua na assistência social e na Seju, com trajetória em direitos humanos e defesa do SUAS.
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Eliane Silverio Betiato – Atua desde 2013 na defesa da população em situação de rua, é cofundadora do Moradia Primeiro de Curitiba e pesquisadora sobre políticas públicas.
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Elizete Pereira de Almeida – Assistente social da Associação Caminho da Vida Lar Dona Vera, com formação em políticas públicas, direitos sociais e acolhimento familiar e institucional.
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Emanuelle Pereira – Agente profissional na Secretaria de Justiça e Cidadania do Paraná, com atuação no sistema socioeducativo e trajetória no Cress-PR e em políticas de saúde e assistência.
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Emanuele Cristina da Costa – Servidora da Secretaria de Estado da Saúde, atua na 2ª Regional e tem formação em gestão social, políticas públicas e gestão hospitalar.
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Francisca de Assis – Assistente social da Paranaprevidência, mestra em Direitos Humanos e Políticas Públicas, conselheira tesoureira do Cress-PR e integrante de comitê anticapacitista.
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Gil Cesar José Zanetti – Servidor da Prefeitura de Curitiba desde 2006, coordenou CRAS na Regional Cajuru e atua no fortalecimento da política de assistência social.
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Ivana Aparecida Weissbach Moreira – Servidora pública desde 1992, atua em direitos de crianças, adolescentes e juventudes e coordena observatório nacional de assistência estudantil.
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Jackson Michel Teixeira da Silva – Coordenador do CAPS Cajuru, especialista em Saúde do Idoso, integrou a diretoria do CRESS-PR e atua na Câmara Temática de Saúde.
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Janaine Nunes dos Santos – Servidora da Defensoria Pública do Paraná, atua há 13 anos na instituição, com foco em violência doméstica e direitos das mulheres.
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Jaqueline Maele Ferreira Rabelo – Atua em saúde corporativa, com experiência em assistência social, saúde organizacional, população em situação de rua e serviço de convivência.
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Josiane Medeiros – Atua na área sociojurídica no Conselho da Comunidade de Curitiba, integra conselhos de direitos humanos e tem militância na luta antirracista.
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Jucimeri Isolda Silveira – Professora da PUCPR, doutora em Serviço Social, consultora de ministérios e organismos internacionais em proteção social, pobreza multidimensional e políticas públicas.
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Juliana Mara da Silva – Atua no acolhimento de mulheres vítimas de violência e na defesa de direitos de migrantes e refugiados no Paraná.
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Kelly Mengarda Vasco – Pesquisadora do Observatório das Metrópoles, tem 30 anos de atuação em políticas sociais, habitação, urbanização de favelas e regularização fundiária.
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Luciana Borba Souza – Servidora municipal e trabalhadora do SUAS, com experiência profissional em hospital, terceiro setor, Banco Central e Justiça Federal.
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Letícia Sampaio Pequeno – Assistente social do Tribunal de Justiça do Paraná, doutora em Serviço Social e Política Social e pesquisadora em afrobrasilidades, gênero e família.
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Luzia Alves da Cruz Cabral Nunes – Conselheira tutelar na Regional Portão, educadora popular pelo Cefuria e militante do Movimento de Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos.
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Marcela de Arruda Gomes – Assistente social do Hospital Universitário Cajuru, com experiência em saúde, terceiro setor, gestão de projetos sociais, urgência e emergência, oncologia e reabilitação.
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Maria Strapason – Diretora executiva de Atendimento Social do Grupo Dignidade, coordenadora nacional de lésbicas da Aliança LGBT+ e ativista de direitos humanos.
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Maria das Dores Tucunduva – Conhecida como Dori Tucunduva, tem trajetória no Cefuria, no SindSaúde-PR, em conselhos de saúde, luta sindical e projetos sociais.
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Maria Valdevania de Assis – Ex-conselheira tutelar no Cajuru, atuou na Fundação de Ação Social e, em 2025, assumiu novo concurso no Governo do Paraná.
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Odete Fernandes – Assistente social, mestre em Ciências Sociais Aplicadas, docente em cursos de graduação e especialização e integrante da Comissão de Ética do Cress-PR.
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Paula de Carvalho Souza – Servidora da FAS desde 2014, atua em CREAS e tem experiência anterior na política habitacional da Cohab Curitiba.
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Priscila Santos Brasil – Servidora da Sesa, atua na maior farmácia pública do Paraná, integra a direção estadual do SindSaúde e milita na luta antimanicomial.
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Rafael Garcia Carmona – Atua na Copel Geração e Transmissão, coordenando projetos de hortas comunitárias ligados à segurança alimentar, geração de renda e agricultura urbana.
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Regiana Almeida Prestes de Souza – Ativista no debate sobre cannabis medicinal no Serviço Social, integra grupo de trabalho sobre o tema e cursa Agroecologia no IFPR.
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Regina Célia de Oliveira Belo – Servidora pública desde 2009, atua na Secretaria de Habitação, é mestranda em Políticas Públicas e conselheira do Concidades pelo Cress-PR.
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Renaria Moura da Silva – Tem experiência em habitação de interesse social, direitos humanos, população em situação de rua, assessoria parlamentar e sindical e certificação de entidades.
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Renata Wistuba – Atua na defesa de direitos humanos, proteção de crianças, adolescentes, pessoas idosas e população carcerária, além de projetos com homens autores de violência doméstica.
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Reni Ery dos Santos de Lima Jorge – Tem 29 anos de atuação na saúde, coordena o Fórum Paranaense de Assistentes Sociais na Saúde e atua em comissões do Cress-PR.
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Rita de Cássia Pontes – Atua há mais de 20 anos nas áreas socioassistencial e de saúde, com foco em vulnerabilidade, educação especial e rede de proteção.
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Rosilda Kirshhner Rosa – Servidora da Fundação de Ação Social desde 2006, iniciou como educadora social e atua como assistente social no CRAS Cajuru.
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Sara de Lara Cavalcanti – Atua na saúde em equipe eMulti, tem trajetória em organização estudantil, participação social e coordena o coletivo Práxis em Movimento.
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Taísa da Motta Oliveira – Servidora da Defensoria Pública do Paraná, doutora em Ciência Política, atua em cidadania, direitos humanos, consumidor e infância e juventude infracional.
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Tamíres Caroline de Oliveira – Assistente social da Defensoria Pública do Paraná, mestra em Tecnologia e Sociedade, ex-conselheira do Cress-PR e ex-professora de Serviço Social.
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Valdirene Rocha – Assistente social em São José dos Pinhais, mestra em Ciências Sociais Aplicadas, produtora cultural, roteirista e fundadora da produtora Cine Catarse.
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Wanderli Machado – Servidora municipal aposentada, dedicou 33 anos ao SUS, presidiu o Cress-PR, atua em conselhos de saúde e direitos humanos e integra o Sismuc.
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Wanderson de Andrade Fagundes – Assistente social da UFPR, doutorando em Política Social, atuou em saúde, violência sexual, atenção psicossocial e processo transexualizador no SUS.
*Notícia revisada pelo estudante de Letras Gabriel Kummer
Supervisão do estágio: Ricardo Marques
Reprodução do texto autorizada mediante citação da Câmara Municipal de Curitiba