Hemepar: 850 pessoas precisam de doadores de medula compatíveis no Brasil

por José Lázaro Jr. — publicado 17/02/2021 16h18, última modificação 17/02/2021 16h18
A bióloga Jaqueline Morcelli Castro, do setor de hematologia do Hemepar participou, nesta quarta-feira (17), da Tribuna Livre, na Câmara Municipal de Curitiba.
Hemepar: 850 pessoas precisam de doadores de medula compatíveis no Brasil

Bióloga Jaqueline Castro, do Hemepar, participa da Tribuna Livre na CMC. (Foto: Rodrigo Fonseca/CMC)

“O Brasil tem o terceiro maior cadastro de doadores de medula do mundo, com 5,3 milhões de inscritos, mas precisamos de um cadastro muito maior. Hoje temos 850 pessoas na fila esperando um doador compatível”, alertou a bióloga Jaqueline Morcelli Castro, do setor de hematologia do Hemepar (Centro de Hematologia e Hemoterapia do Paraná, que é uma unidade da Secretaria de Estado da Saúde). Ela participou, nesta quarta-feira (17), da Tribuna Livre, na Câmara Municipal de Curitiba.

Neste mês, é realizada a campanha Fevereiro Laranja, de combate à leucemia. Por isso o Hemepar foi convidado pela Comissão Executiva – formada por Tico Kuzma (Pros), presidente, Flávia Francischini (PSL) e Professora Josete (PT), primeira e segunda secretárias – para apresentar aos vereadores um panorama da doação de medula óssea no país. Jaqueline Castro pediu apoio na luta contra a desinformação sobre o tema, pois o medo infundado seria uma das principais causas da baixa adesão da população.

“Tem muitas pessoas com medo de se cadastrarem por confundirem medula óssea com medula espinhal. A espinhal é um tecido nervoso e a óssea está dentro de todos os ossos, é o tutano”, afirmou a bióloga do Hemepar. Segundo seu relato, é importante que os voluntários conversem sobre isso com seus familiares, pois são frequentes os casos de doadores compatíveis que na hora de salvar uma vida acabam desistindo, pois seus cônjuges ou pais se opõem à doação, por desconhecimento dos procedimentos.

Castro explicou que a doação pode ser realizada extraindo a medula do osso ilíaco (também conhecido como osso da bacia), num procedimento que dura 90 minutos e coleta menos de 10% da medula ali depositada. Mas que também pode ser obtida do sangue periférico, numa abordagem muito semelhante a uma doação simples de sangue, ou ainda coletado do cordão umbilical de recém -nascidos. “A pessoa faz um cadastro no hemocentro e com uma pequena amostra de sangue é feita a tipagem”, resumiu a profissional do Hemepar.

Só com o aumento do número de voluntários cadastrados haverá mais chance de uma pessoa que precisa do transplante obter um doador de medula compatível. “Tem que fazer mais campanhas informativas, para lidar com o desconhecimento e com o medo. E os voluntários já cadastrados precisam manter seus dados atualizados, para que possam ser localizados”, disse Jaqueline Castro. Nos últimos cinco anos, na Grande Curitiba, aproximadamente 200 compatibilidades não resultaram em doação, na sua maioria ou por desistência do doador (72), ou pela impossibilidade de localizá-los (83).

“Se você tem um irmão, a chance dele ser compatível é de 25%. Na família, é menos de 5%”, disse a bióloga, para explicar a importância do cadastro, pois fora da família é no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome) que a compatibilidade será procurada. “A chance de ter um doador compatível [entre os cadastrados no Redome] no Brasil é de 1 em 100.000. Se não conseguir, e passar [a busca] para os outros países, a chance sobe para 1 em 1.000.000. É uma loteria conseguir doador compatível”.

“O câncer é a principal causa de morte no Brasil e 2% a 3% deles acontecem em crianças. São mais de 10 mil diagnósticos de câncer por ano no país entre crianças e jovens de 1 a 19 de anos, sendo que as leucemias são 30% disto”, disse Jaqueline Castro. Para ela, é preciso mais participação dos homens, pois hoje as mulheres se cadastram bem mais como doadoras (aproximadamente 60%), mas são eles quem mais recebem as doações (acima de 85% dos transplantados).

O vereador Jornalista Márcio Barros (PSD) relatou que perdeu uma criança em razão de uma doença rara, numa circunstância em que nem ele, nem a mãe foram compatíveis, mas a irmã mais velha era. Contudo, infelizmente não houve tempo de efetivar o transplante e a criança faleceu antes. “Falta encontrar uma comunicação simples, didática e acessível para todas as pessoas. Elas têm que ter a noção de como é simples salvar uma vida começando só com um cadastro”, afirmou.

Professora Josete (PT) sugeriu que o poder público utilize a verba da publicidade institucional não para divulgar obras, “que são obrigação”, mas para campanhas [de saúde pública] como essa que você coloca aqui. Ainda há muita desinformação e é preciso esclarecer que não há risco para o doador”, disse. Amália Tortato (Novo) pediu que os vereadores de Curitiba aproveitem a ocasião para utilizar suas redes sociais para informar a respeito do assunto.

Como faz para doar?
Procure um hemocentro da sua região para fazer o cadastro de doador voluntário de medula óssea. Em Curitiba, pode ser no Hemepar, que fica na travessa João Prosdócimo, 145, no Alto da XV, logo atrás do Hospital Oswaldo Cruz. O telefone da unidade é (41) 3262-7676.

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