Projeto na Câmara trata da rede de atendimento às mulheres

por José Lázaro Jr. | Revisão: Gabriel Kummer* — publicado 19/03/2026 16h03, última modificação 19/03/2026 16h03
A iniciativa de Vanda de Assis (PT) prevê formação continuada para servidores e trabalhadores ligados aos serviços de atendimento a mulheres vítimas de violência.
Projeto na Câmara trata da rede de atendimento às mulheres

Projeto quer padronizar capacitações oferecidas a servidores da Rede de Atenção às Mulheres em Situação de Violência. (Foto: Daniel Castellano/PMC)

Vereadora Vanda de AssisA vereadora Vanda de Assis (PT) protocolou na Câmara Municipal de Curitiba (CMC) um projeto para definir, em lei, os conteúdos mínimos da formação continuada dos trabalhadores do atendimento a mulheres vítimas de violência doméstica e familiar na cidade. Vinculada à rede instituída pelo decreto municipal 1.713/2025, a proposta busca qualificar a atuação dos profissionais envolvidos nesse atendimento e, segundo a autora, responde a uma “necessidade premente na promoção da igualdade de gênero” e ao “atendimento adequado à diversidade das mulheres na cidade de Curitiba” (005.00082.2026).

Na prática, o texto alcança os profissionais que atuam nos serviços de atendimento às mulheres dentro da Rede de Atenção às Mulheres em Situação de Violência, coordenada pela Secretaria Municipal da Mulher e Igualdade Étnico-Racial (SMIR). O decreto que criou essa rede prevê a participação de órgãos governamentais e não governamentais, mediante convite, com representantes do Judiciário, do Ministério Público, da Defensoria Pública, da Segurança Pública, das áreas municipais, como assistência social, saúde, educação, defesa social, trânsito, trabalho e habitação, além de entidades da sociedade civil diretamente envolvidas nesse atendimento.

Projeto detalha como funcionará a formação da rede

O projeto estabelece que a formação continuada deverá abordar, no mínimo, as formas de violência doméstica previstas na Lei Maria da Penha, a promoção da igualdade racial, os direitos da população LGBTQIA+, o enfrentamento à violência doméstica contra mulheres idosas, o enfrentamento à violência contra mulheres com deficiência e o fomento à autonomia financeira. Ao mesmo tempo, torna obrigatória a realização do curso por “servidores e trabalhadores em serviços de atendimento às mulheres”, sem restringir o alcance apenas a servidores efetivos da Prefeitura.

Esse desenho normativo dialoga diretamente com o decreto 1.713/2025, que já prevê como objetivo da rede “realizar capacitações a fim de habilitar profissionais para a identificação e sensibilização da violência contra as mulheres” e também “capacitar os integrantes da rede para os encaminhamentos adequados”. Ela afirma que a implementação da formação continuada é “uma medida essencial para garantir que todas as cidadãs tenham acesso a serviços de qualidade, livres de discriminação ou preconceito”. 

Para sustentar a proposta, a justificativa reúne dados sobre diferentes grupos afetados pela violência. Segundo o documento, 65,6% das mulheres que relataram sofrer violência em 2022 eram negras. O texto também menciona 129,5 mil casos de violações físicas contra pessoas idosas registrados pelo Disque 100 entre janeiro e maio de 2022, informa que a violência doméstica representou 70,4% das notificações de violência física contra mulheres com deficiência e cita 11.120 pessoas LGBTQIA+ vítimas de agressão por orientação sexual ou identidade de gênero em 2022.

A justificativa estima despesa anual de R$ 64 mil para a implementação e execução do programa de formação continuada. A proposta está sob análise das comissões temáticas, por onde tramita antes de ir à votação em plenário. Clique na imagem abaixo para entender como funciona a tramitação de um projeto de lei na CMC.

*Notícia revisada pelo estudante de Letras Gabriel Kummer
Supervisão do estágio: Ricardo Marques