Estatuto da Liberdade Religiosa já pode ser votado em Curitiba

por Marcio Silva publicado 03/04/2026 16h35, última modificação 03/04/2026 16h54
Propostas para combater práticas abusivas de flanelinhas também receberam sinal verde da Comissão de Direitos Humanos da Câmara de Curitiba.
Estatuto da Liberdade Religiosa já pode ser votado em Curitiba

Combate a práticas abusivas de flanelinhas também recebeu sinal verde do colegiado. (Foto: Rodrigo Fonseca/CMC)

A Comissão de Direitos Humanos, Defesa da Cidadania, Segurança Pública e Minorias da Câmara Municipal de Curitiba (CMC) liberou para o plenário o projeto de lei que tem por objetivo instituir um marco normativo para garantir a liberdade religiosa em Curitiba e enfrentar situações de intolerância. A proposta consolida, no âmbito do Município, direitos fundamentais já assegurados pela Constituição Federal, estabelecendo parâmetros claros para a atuação do poder público e para a convivência entre diferentes crenças.

O texto, de Guilherme Kilter (Novo), reúne princípios, garantias e deveres relacionados à manifestação de crença, ao exercício de cultos religiosos e à proteção contra práticas discriminatórias motivadas por fé ou ausência dela (005.00804.2025, com a emenda supressiva 033.00005.2026 e a emenda modificativa 034.00008.2026).

A viabilidade da medida foi atestada por Sargento Tânia Guerreiro (Pode). Para ela, a matéria está em conformidade com os conceitos de competência legislativa, laicidade do Estado, proteção aos locais de culto e liturgias e direito à assistência religiosa. A reunião do colegiado de Direitos Humanos foi realizada na terça-feira (31), quando foram analisadas um total de nove propostas legislativas.

Sinal verde para o combate a práticas abusivas de flanelinhas

Sob o argumento de ordenar o espaço urbano, avançou na comissão outra proposta de Guilherme Kilter, que visa coibir cobranças abusivas de guardadores de veículos. A iniciativa estabelece vedações claras a práticas coercitivas popularmente associadas a flanelinhas e fixa sanções administrativas progressivas - que podem chegar a multa de até R$ 1.000 - para quem exigir pagamento ou reservar vagas de forma irregular nas vias da cidade (005.00756.2025).

Em seu parecer positivo, Delegada Tathiana Guzella (União) observa que a medida contribui para a organização do espaço urbano, reforçando o caráter público dos logradouros e assegurando que sua utilização ocorra de forma livre, igualitária e sem constrangimentos. “Ao estabelecer regras claras de conduta, a norma também protege os próprios trabalhadores que exercem a atividade de forma legítima”, conclui a parlamentar. O texto segue agora para a Comissão de Urbanismo, Obras Públicas e TI.

Complementando a ofensiva contra a exploração de vagas, o colegiado também acatou a realização de blitze específicas denominadas antiflanelinhas. O objetivo é orientar a formulação de ações destinadas a coibir práticas constrangedoras, abusivas ou extorsivas relacionadas à cobrança irregular de estacionamento em vias públicas. O texto (005.00757.2025), de Renan Ceschin (Pode), recebeu parecer favorável ao trâmite de Sargento Tânia Guerreiro e agora segue para a Comissão de Serviço Público.

Multa para uso de drogas em locais públicos de Curitiba avança

O pacote de matérias enviadas ao colegiado de Saúde inclui o projeto que estabelece multa de R$ 1.000 às pessoas flagradas com drogas ilícitas em logradouros públicos (005.00011.2025, com o substitutivo geral (031.00173.2025).

A redação mais atual converte o texto em alterações à
lei municipal 15.287/2018, a Lei Antidrogas de Curitiba, e passa a exigir a confirmação técnica da substância, prevê o caso de reincidência, prazo de defesa e possibilidade de extinção da penalidade mediante adesão a tratamento. A justificativa do autor, vereador Eder Borges (PL), é que o uso de drogas em espaços públicos ameaça a saúde coletiva e exige ação educativa e preventiva.

Em seu parecer, o vereador Jasson Goulart (Republicanos) opinou que a proposta apresenta relevância no âmbito dos direitos humanos e da cidadania, ao buscar conciliar a proteção do espaço público com mecanismos que permitem encaminhamento à rede de cuidado. O parlamentar ressalvou que a aplicação da norma deve observar “uma abordagem equilibrada, integrada e sensível às diferentes realidades sociais”.

Ainda no campo da proteção social, a Comissão de Saúde avaliará o projeto de João Bettega (União) que trata da criação do Cadastro Único para Pessoas em Situação de Rua. A ideia é permitir ao poder público um planejamento mais eficiente na implementação e no monitoramento de políticas públicas voltadas ao acolhimento, à assistência e à reintegração social e familiar dessa população em extrema vulnerabilidade. Para viabilizar os atendimentos individualizados, a iniciativa  (005.00191.2025, com substitutivo geral 031.00289.2025) prevê o levantamento de dados como histórico familiar, escolaridade, necessidades médicas e demandas por tratamento de dependência química

Rodrigo Marcial (Novo) deu sinal verde para a proposta de Bettega. Para o parlamentar do Novo, a medida prioriza o acesso a serviços, a regularização documental e o acompanhamento individualizado, “visando a reintegração social e promovendo a autonomia e inclusão dessa parcela vulnerável da população”.

Novas regras sobre cremação e incineração em cemitérios

Com parecer favorável assinado pelo vereador Bruno Secco (Republicanos), prossegue a matéria assinada pelo prefeito Eduardo Pimentel que altera a legislação sobre cremação e incineração nos cemitérios municipais. O objetivo é autorizar, após prazo mínimo e tentativa de notificação, a cremação, incineração ou remoção para ossuário coletivo de restos mortais não retirados por familiares, em hipóteses específicas.

O texto também disciplina como será feita a convocação dos responsáveis antes da destinação final e estabelece regras para registro e permanência das cinzas em área própria do cemitério (005.00803.2025). O relator acredita que “a proposição promove adequada conciliação entre a dignidade dos falecidos e de seus familiares e a necessidade de gestão eficiente dos serviços funerários no Município de Curitiba, com observância aos direitos humanos e às garantias fundamentais”.

Fecha a lista das propostas que seguem para a Comissão de Saúde o projeto de Meri Martins (Republicanos) para criar um protocolo denominado “Verão Ativo - Saúde e Bem-Estar para a Pessoa Idosa”, com fins de reduzir quedas e organizar ações de prevenção a esse público. A ideia é oferecer atividades físicas e ações de saúde e bem-estar para idosos nas academias ao ar livre da cidade, durante o período de verão (005.00714.2025). O parecer favorável foi de Delegada Tathiana Guzella (União). Na opinião da vereadora, a iniciativa representa importante instrumento de inclusão social e valorização da pessoa idosa, ao proporcionar acesso a políticas públicas que favorecem sua qualidade de vida e participação ativa na sociedade

Encerrando a pauta, duas propostas foram encaminhadas à Comissão de Serviço Público. A primeira, de autoria de Bruno Secco (Republicanos), cria o selo Empresa Amiga da Pessoa Idosa (005.00793.2025). O objetivo é reconhecer empresas que promovam atendimento humanizado, acessível e adequado às necessidades da população idosa. O parecer positivo foi de Delegada Tathiana Guzella.

No mesmo ato, o colegiado validou a criação de uma campanha de conscientização sobre segurança para motoristas de aplicativo (005.00611.2025, com substitutivo geral 031.00296.2025). A iniciativa, da vereadora Delegada Tathiana Guzella, recebeu aval da relatora, Sargento Tânia Guerreiro, e foca em estratégias de prevenção e proteção para a categoria em Curitiba.

>> Veja quem são os integrantes e acompanhe o trabalho da Comissão de Direitos Humanos, Defesa da Cidadania, Segurança Pública e Minorias.