SUS de Curitiba: envelhecimento da população direciona ações

por Fernanda Foggiato | Revisão: Gabriel Kummer* — publicado 26/05/2026 14h50, última modificação 26/05/2026 15h32
Secretária da Saúde, Tatiane Filipak prestou contas à Câmara de Curitiba na qualidade de gestora local do SUS.
SUS de Curitiba: envelhecimento da população direciona ações

Tatiana Filipak celebrou avanços na telessaúde e vacinação, por exemplo, mas alertou ao impacto do trauma. (Foto: Rodrigo Fonseca/CMC)

A Câmara Municipal de Curitiba (CMC) recebeu, na sessão plenária desta terça-feira (26), a Audiência Pública quadrimestral de prestação de contas do Sistema Único de Saúde (SUS) local, referente aos quatro primeiros meses de 2026. Logo no começo da apresentação, a secretária municipal da Saúde, Tatiane Filipak, observou que a pirâmide etária da capital paranaense está “cada vez mais indo para o lado da longevidade”.

“Nós estamos com um percentual de 19,4% de população com 60 anos ou mais”, declarou a representante do Poder Executivo sobre o envelhecimento da população. A pirâmide etária atualizada de Curitiba também aponta que 1,07 milhão de pessoas, entre 20 e 59 anos, compõem a grande força de trabalho de Curitiba, enquanto a população de 10 a 19 anos corresponde ao índice de 12%.

Como atualmente 1 a cada 5 curitibanos tem 60 anos ou mais, Filipak avaliou que “existe um grande papel nosso, enquanto gestão pública, de pensar numa população e numa pirâmide que logo ali na frente deve estar invertendo”. “Nós queremos ser uma população saudável e feliz. Nós precisamos pensar no saudável, [...] nós queremos hoje que os idosos sejam autônomos, fazendo suas atividades do dia a dia”, ponderou.

A titular da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) enfatizou as iniciativas para prevenir complicações associadas a doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, bem como a ampliação do uso do Índice de Vulnerabilidade Clínico-Funcional (IVCF-20), agora aplicado a partir dos 60 anos, e não mais dos 70. Ela também mencionou a Telerregulação em Geriatria. “Quando o médico clínico da unidade básica de saúde pede uma avaliação, a gente já encaminha esse idoso dentro da linha de cuidado que ele necessita”, explicou. “Nós evoluímos, inclusive, na atenção domiciliar”, afirmou ao citar a equipe formada por geriatra, enfermeiro, farmacêutico, fisioterapeuta e nutricionista. 

Assim como na última apresentação feita aos vereadores, no fim de fevereiro, com os dados consolidados de 2025, a secretária da Saúde mencionou recorte que impacta a saúde pública da capital. “Um dado bem importante, que fiz questão de trazer, é que, segundo o Censo, nós temos um número de habitantes, 1.830.795. Mas eu quero chamar a atenção de todos aqui em relação ao que nós temos de cadastros definitivos no SUS Curitiba, são pessoas que utilizam nosso Sistema Único de Saúde”, assinalou. O número, conforme o relatório, é de 2.177.100, “um quantitativo maior em relação à própria população”.

Filipak fala sobre rede física e evolução da telessaúde

A secretária Tatiane Filipak enumerou os serviços da rede física própria de serviços do SUS, formada por 10 distritos sanitários (gestão descentralizada); 109 unidades básicas de saúde e 3 equipes do Consultório na Rua (Rede Básica); 13 Centros de Atenção Psicossocial (CAPS); Ambulatório Encantar (especializado em TEA); 1 Unidade de Estabilização Psiquiátrica (UEP - Casa Irmã Dulce) e 2 Residências Terapêuticas (Saúde Mental e Acolhimento);  27 equipes vinculadas ao Saúde em Casa; 3 Centros de Especialidades Odontológicas (CEOs), 2 hospitais próprios, 6 Unidades de Especialidades Médicas e  5 de Telerregulação/Teleconsultoria, Laboratório Municipal, Centro de Zoonoses e Central de Vacinas (Especializada e Suporte); e 9 Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), 1 Complexo Regulador e frota própria formada por 85 ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), 2 aeronaves e outros veículos (Urgência e Emergência).

Na Atenção Básica, o relatório indica a realização de 5.082.530 procedimentos médicos e de enfermagem no primeiro semestre. Na Urgência e Emergência, as 9 UPAs fecharam 1.799.723 atendimentos, com destaque à reinauguração da Unidade de Pronto Atendimento Cajuru e a ações de prevenção à violência contra os servidores. Na Atenção Especializada, Filipak afirmou que foram realizados 128.444 consultas e 156.438 exames agendados, 124.168 atos de telerregulação e 1.275 teleconsultorias.

Entre os dados da Saúde Mental e Acolhimento no primeiro quadrimestre, Filipak indicou que os CAPS fizeram 4.610 acolhimentos, no primeiro quadrimestre, e mantêm uma média mensal de 4.120 usuários em acompanhamento, enquanto a UEP realizou 573 Internamentos. No Encantar, acrescentou ela, foram 7.343 as consultas multiprofissionais e existem 888 usuários ativos, mantidos em tratamento contínuo.

Em relação à Saúde em Casa, a apresentação indica, entre outros números: 1.279 usuários atendidos, 4.765 visitas, 500 admissões, 348 desospitalizações, 52 ventilações mecânicas, 167 cuidados paliativos e 64 oxigenoterapias. “Nós queremos, mais do que nunca, que o paciente mantenha-se no ambiente domiciliar.”

“Trabalhamos muito, neste ano, em relação à evolução com a telessaúde”, frisou a gestora local do SUS sobre o sistema híbrido. Conforme ela, os primeiros quatro meses do ano somaram 127.114 teleatendimentos, sendo 83 mil da enfermagem e 39 mil consultas médicas remotas, além da telepsicologia e do telemonitoramento ativo, que já rendeu um prêmio à SMS.

A força de trabalho, continuou, reúne 5.886 servidores em regime estatutário e outros 4.975 empregados públicos, contratados via Fundação Estatal de Atenção à Saúde de Curitiba (FEAS). Conforme a secretária, o último quadrimestre teve a convocação de 99 aprovados em concurso e a contratação de 71 profissionais para a reposição de quadros, em especial na atenção primária. Além disso, ela discorreu sobre ações de educação e saúde, como Programas de Residência e qualificação em temas como violência obstétrica e ética.

Acidentes sobrecarregam hospitais, alerta Filipak

Na apresentação dos indicadores, a representante da Prefeitura de Curitiba também alertou sobre o impacto do trauma na rede de saúde. As causas externas (lesões, acidentes e violências) seguem na primeira colocação de causa mais comum dos internamentos no SUS da cidade, com o percentual de 13,7%. “Nós temos um sistema que muitas vezes é pressionado pelos internamentos.”

“Os hospitais ficam sobrecarregados, as portas dos pronto-socorros, porque nós temos muitos acidentes, e o acidente não tem hora marcada”, completou. Em 2025, de acordo com Tatiane Filipak, os traumas tiveram 10 mil casos a mais que no ano anterior, registrando, hoje, uma média de 300 ocorrências ao dia. Na segunda colocação do ranking de internamentos do SUS de Curitiba, com 11,7%, aparecem as doenças cardiocirculatórias (infartos, AVCs e hipertensão grave). No terceiro lugar, com 11,3%, vêm doenças gastrointestinais que exigem suporte secundário.

Em relação aos óbitos, as neoplasias representam a principal causa de mortalidade, com 24,5% dos casos. Segundo a gestora local do SUS, essa realidade não se restringe ao contexto local, mas reflete uma tendência mundial. De acordo com o relatório, o ranking das doenças que mais provocaram mortes segue com as doenças do aparelho circulatório, responsáveis por 11,1% dos óbitos, e pelas causas externas, com 9,6%, reforçando o alerta para a segurança no trânsito.

Se em outros anos a cobertura vacinal preocupava, Filipak celebrou o avanço dos indicadores, em especial os índices de imunização pediátrica. “Ainda é um desafio a vacina, mas estamos com uma cobertura vacinal bem acima de vários Estados e Municípios do país, estamos em franco momento de campanha de vacina da influenza [gripe]”, disse. A prioridade das 109 unidades de saúde, indicou ela, é, justamente, a imunização contra a gripe.

Quanto aos indicadores de mortalidade materna e infantil, que no primeiro quadrimestre fecharam em 28,6% e em 7,1%, respectivamente, a secretária disse que todos os casos são investigados. “Um grande desafio, uma luta constante das nossas equipes, ]...] apesar de ser praticamente impossível, o ideal seria o zero, seria ninguém”, mencionou Filipak sobre a mortalidade infantil, taxa proporcional aos 6.278 nascidos vivos.

Chefe do Núcleo Financeiro da SMS, Marcio Camargo detalhou as receitas orçamentárias por origem. Os recursos totalizaram R$ 1.006.978.120,84, entre janeiro e abril de 2026. Outros dirigentes da pasta e da FEAS acompanharam a Audiência Pública.

Audiência quadrimestral do SUS é exigência legal

A prestação de contas quadrimestral do SUS é uma exigência da lei federal complementar 141/2012, artigo 36, em todas as esferas de governo. O relatório deve ser apresentado pelo gestor do Sistema Único de Saúde de cada Município, dos Estados, do Distrito Federal e da União à respectiva Casa Legislativa, até o fim dos meses de fevereiro, maio e setembro.

Na Câmara de Curitiba, a Audiência Pública de prestação de contas do SUS é conduzida pela Comissão de Saúde e Bem-Estar Social, presidida pelo vereador Sidnei Toaldo (Avante). Nesta quarta (27), será a vez da Secretaria Municipal de Planejamento, Finanças e Orçamento e do Legislativo apresentarem os relatórios referentes aos quatro primeiros meses de 2026, atividade coordenada pelo colegiado de Economia, Finanças e Fiscalização.

*Notícia revisada pelo estudante de Letras Gabriel Kummer
Supervisão do estágio: Ricardo Marques