Câmara de Curitiba analisa criação da Rota do Afroturismo

por Pedritta Marihá Garcia | Revisão: Gabriel Kummer* — publicado 25/05/2026 17h26, última modificação 25/05/2026 17h26
Projeto de Giorgia Prates - Mandata Preta (PT) também cria o Programa Quilombo Urbano para integrar turismo, memória, cultura afro-brasileira e promoção da igualdade racial.
Câmara de Curitiba analisa criação da Rota do Afroturismo

Fundada em 1737 por escravizados negros, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos de São Benedito é um símbolo histórico da resistência e da devoção afrodescendente em Curitiba. (Foto: Rodrigo Fonseca/CMC)

Ao defender que a população negra ainda é “pouco visibilizada nos circuitos turísticos tradicionais” de Curitiba, a vereadora Giorgia Prates – Mandata Preta (PT) propôs a criação da Rota do Afroturismo e do Programa Quilombo Urbano. O projeto de lei tramita na Câmara Municipal desde o mês passado e aguarda a instrução jurídica para iniciar sua tramitação pelas comissões permanentes do Legislativo.

Com foco na valorização da memória, cultura e presença afro-brasileira na cidade, o texto prevê que a Rota do Afroturismo reúna e divulgue itinerários ligados à presença histórica da população negra em Curitiba (005.00166.2026). Entre os espaços e iniciativas que poderão integrar os roteiros estão: locais de memória e resistência negra; equipamentos culturais e educacionais ligados à cultura afro-brasileira; manifestações religiosas, culturais e gastronômicas de matriz africana; iniciativas de empreendedorismo negro; e trajetórias históricas relevantes para a formação da cidade. A proposta também prevê organização, sinalização e divulgação dos itinerários turísticos.

Programa Quilombo Urbano poderá funcionar no Creafro

Além da criação da rota turística, o projeto institui o Programa Quilombo Urbano, que deverá funcionar preferencialmente na sede do Centro de Referência Afro Enedina Alves Marques (Creafro) como posto especializado em informações turísticas sobre afroturismo. Entre os objetivos previstos estão: orientar visitantes sobre roteiros e atrativos; promover acolhimento ligado à cultura afro-brasileira; fortalecer a visibilidade de patrimônios, coletivos e trajetórias negras; e articular ações entre turismo, cultura e promoção da igualdade racial.

O texto também estabelece que o programa conte, preferencialmente, com profissionais negros das áreas de turismo, cultura, história e comunicação. Pela redação proposta, também fica autorizado ao Município firmar convênios e parcerias com universidades, instituições de pesquisa e organizações da sociedade civil para desenvolvimento das ações previstas na futura política pública.

Invisibilidade histórica da população negra em Curitiba

Na justificativa do projeto de lei, Giorgia Prates afirma que Curitiba possui “rica trajetória negra, ainda pouco visibilizada nos circuitos turísticos tradicionais” e sustenta que a criação da rota pode contribuir para “corrigir essa lacuna”, ampliando o acesso à memória coletiva da cidade. Segundo a vereadora, o afroturismo vem se consolidando em diferentes cidades como instrumento de “desenvolvimento econômico, inclusão social e reconhecimento histórico”, além de funcionar como estratégia de fortalecimento identitário e geração de renda. O Programa Quilombo Urbano, acrescentou, é inspirado em proposta acadêmica desenvolvida na Universidade Federal do Paraná (UFPR) e pretende criar um espaço permanente de “informação, acolhimento e articulação do afroturismo local”.

Protocolada em 22 de abril, a matéria aguarda o parecer técnico da Procuradoria Jurídica (ProJuris). Se chegar à votação em plenário, for aprovada em dois turnos de votações e sancionada, a lei entrará em vigor 90 dias após a sua publicação no Diário Oficial do Município. Clique na imagem abaixo para entender como funciona a tramitação de um projeto de lei na CMC:

Boiler tramitação projetos

*Notícia revisada pelo estudante de Letras Gabriel Kummer
Supervisão do estágio: Ricardo Marques