Superávit e Previdência dominam debate sobre finanças da Prefeitura

por Pedritta Marihá Garcia | Revisão: Gabriel Kummer* — publicado 27/05/2026 13h40, última modificação 27/05/2026 14h41
Na Audiência Pública de prestação de contas, os vereadores discutiram o impacto das despesas obrigatórias nas finanças do Município.
Superávit e Previdência dominam debate sobre finanças da Prefeitura

Imagem Vitor Puppi afirmou que a Prefeitura avalia mecanismos para incentivar a ocupação de áreas já dotadas de infraestrutura urbana e serviços públicos. (Foto: Rodrigo Fonseca/CMC)

A Audiência Pública de prestação de contas da Prefeitura de Curitiba referente ao primeiro quadrimestre de 2026 também foi marcada por debates sobre planejamento urbano, revisão do Plano Diretor e uso de parcerias público-privadas (PPPs) para ampliação de investimentos e serviços na cidade. A apresentação do balanço financeiro do Executivo foi realizada nesta quarta-feira (27), durante sessão plenária da Câmara de Vereadores, pelo secretário municipal de Planejamento, Finanças e Orçamento, Vitor Puppi.

As Audiências Públicas quadrimestrais são previstas pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF)lei complementar federal 101/2000. Após a exposição dos dados financeiros, vereadores e vereadoras questionaram o secretário sobre políticas de ocupação urbana, instrumentos previstos no Estatuto da Cidade e estratégias da Prefeitura para requalificação de Áreas Centrais e ampliação da infraestrutura pública.

Vereadores discutem instrumentos urbanísticos e reocupação do Centro

Indiara Barbosa (Novo) questionou a aplicação de instrumentos urbanísticos como o Parcelamento, Edificação ou Utilização Compulsórios (PEUC) e o IPTU progressivo, previstos no Estatuto da Cidade para estimular o aproveitamento de imóveis vazios ou subutilizados. A parlamentar também abordou a necessidade de ampliar o debate sobre a revisão do Plano Diretor de Curitiba e o enfrentamento da ociosidade de imóveis na Região Central.

Ao responder, Vitor Puppi afirmou que a Prefeitura avalia mecanismos para incentivar a ocupação de áreas já dotadas de infraestrutura urbana e serviços públicos. Segundo ele, a administração municipal busca evitar a expansão desordenada da cidade e estimular a reocupação da Região Central. “A gente precisa ocupar melhor a cidade que já existe”, declarou o secretário ao comentar os estudos relacionados ao programa De Volta ao Centro e à revisão do Plano Diretor.

Puppi também disse que o Município pretende ampliar o uso de instrumentos urbanísticos previstos na legislação federal, mas ponderou que a aplicação dessas medidas exige segurança jurídica e planejamento técnico. “Não é simplesmente aplicar uma penalidade. Você precisa ter todo um planejamento urbano para isso funcionar”, afirmou.

Parcerias público-privadas foram defendidas pelo Executivo 

Outro tema debatido durante a audiência foi o uso de PPPs e concessões administrativas para viabilizar investimentos públicos. O vereador Professor Euler (MDB) defendeu modelos de cooperação entre o Município e a iniciativa privada, especialmente em áreas esportivas, culturais e de infraestrutura urbana.

Na resposta, Vitor Puppi afirmou que Curitiba deverá ampliar o uso de parcerias para execução de projetos e manutenção de equipamentos públicos. Segundo ele, o crescimento das despesas obrigatórias limita a capacidade de investimento direto do Município, tornando necessária a busca por novos formatos de financiamento e gestão. “A parceria é uma alternativa para ampliar investimentos sem comprometer o equilíbrio fiscal”, declarou.

O secretário também citou projetos ligados à iluminação pública, mobilidade urbana e requalificação de espaços públicos como exemplos de áreas em que a Prefeitura pretende utilizar modelos de concessão e PPPs. Ele afirmou que a administração municipal busca combinar sustentabilidade financeira e ampliação de serviços públicos.

Crescimento urbano e infraestrutura também foram discutidos

Laís Leão (PDT) questionou o impacto do crescimento populacional sobre os serviços públicos e a infraestrutura urbana, especialmente em áreas com forte verticalização. A parlamentar citou demandas relacionadas a unidades de saúde, vagas em escolas e mobilidade urbana em bairros que passaram por adensamento nos últimos anos.

Em resposta, Puppi afirmou que a Prefeitura acompanha os impactos da expansão urbana e pretende utilizar os instrumentos da revisão do Plano Diretor para equilibrar crescimento populacional e capacidade de atendimento dos serviços públicos. “A cidade precisa crescer de forma organizada e sustentável”, afirmou o secretário. Também participaram do debate os vereadores Professora Angela (PSOL), Camilla Gonda (PSB), Mauro Bobato (PP) e Pier Petruzziello (PP).

*Notícia revisada pelo estudante de Letras Gabriel Kummer
Supervisão do estágio: Ricardo Marques