Lesão medular: projeto quer incentivar pesquisa sobre polilaminina para Curitiba

por José Lázaro Jr. | Revisão: Ricardo Marques — publicado 27/02/2026 17h10, última modificação 27/02/2026 18h08
Proposta do vereador Nori Seto institui política de incentivo à pesquisa da cura para lesões medulares em Curitiba.
Lesão medular: projeto quer incentivar pesquisa sobre polilaminina para Curitiba

Pesquisadora Tatiana Sampaio, cujo trabalho popularizou a polilaminina no Brasil. (Foto: Arquivo/UFRJ)

Para estimular pesquisas sobre a cura de lesões medulares, a Câmara Municipal de Curitiba (CMC) começou a discutir um projeto de lei do vereador Nori Seto (PP) que cria a Política de Incentivo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Biotecnológico voltados à Polilaminina. A justificativa sustenta que “a importância estratégica deste incentivo reside no potencial revolucionário da polilaminina em tratamentos de recuperação do sistema nervoso central e periférico, além da regeneração de tecidos complexos”.


Pela proposta, a política municipal tem como objetivo “fomentar o progresso científico, a inovação tecnológica e o potencial terapêutico” da polilaminina em Curitiba, por meio de parcerias com universidades e centros de pesquisa, apoio a eventos científicos e intercâmbio com redes internacionais. O projeto também prevê incentivo à instalação de startups e laboratórios focados em biomateriais no ecossistema de inovação do Vale do Pinhão (
005.00063.2026). 

A polilaminina é uma estrutura produzida em laboratório a partir da laminina (proteína da matriz extracelular), investigada há anos na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) sob liderança da bióloga Tatiana Sampaio. A linha de pesquisa busca avaliar se essa estrutura pode favorecer a reconexão de neurônios em contextos de lesão, em especial na medula espinhal. Em 5 de janeiro de 2026, Ministério da Saúde e Anvisa autorizaram estudo clínico de fase 1 (focado em segurança), com cinco voluntários e parceria com o laboratório Cristália, no contexto de trauma raquimedular agudo. 

Na justificativa, Nori Seto manifesta a vontade de posicionar Curitiba “na vanguarda da medicina regenerativa e da bioengenharia”. O texto também afirma que, com a criação da política pública, “Curitiba sinaliza para a comunidade científica nacional e internacional que possui um ambiente jurídico e institucional favorável à inovação de ruptura”. A Lei de Inovação possui diversos mecanismos, diz o vereador, para estimular a pesquisa aqui. 

Com base na lei 15.324/2018, pesquisas como as relacionadas à polilaminina podem ser estimuladas por meio de alianças estratégicas e projetos de cooperação entre universidades, centros de P&D, startups e poder público, além do fortalecimento de ambientes de inovação — como incubadoras e parques tecnológicos —, inclusive com cessão de imóveis e participação municipal na governança . A norma também autoriza instrumentos de fomento para financiar P&D (termo de outorga, convênios e similares) e prevê mecanismos aplicáveis a empresas inovadoras, como subvenção econômica, financiamento, bônus tecnológico, encomenda tecnológica, bolsas e uso do poder de compra governamental .

Clique na imagem abaixo para entender como funciona a tramitação de um projeto de lei na CMC: