Comissão de Economia acata novas regras para auditores fiscais da Prefeitura

por Fernanda Foggiato — publicado 04/06/2026 15h15, última modificação 04/06/2026 15h16
Com aval de Economia, novas regras para auditores fiscais da Prefeitura de Curitiba avançam para Comissão de Serviço Público.
Comissão de Economia acata novas regras para auditores fiscais da Prefeitura

Em reunião nesta quarta-feira (3), Comissão de Economia da Câmara de Curitiba acatou 4 dos 7 projetos de lei em pauta. (Foto: Rodrigo Fonseca/CMC)

A Comissão de Economia, Finanças e Fiscalização da Câmara Municipal de Curitiba (CMC) admitiu o trâmite de 4 dos 7 projetos em pauta na reunião desta quarta-feira (3). Uma das propostas que avançaram no colegiado, após pedido de vista na última semana, é a mensagem do Executivo que promove mudanças para a carreira dos auditores fiscais da Prefeitura. Com direito a três pareceres, o debate foi acompanhado, novamente, por representantes do Sindicato dos Auditores Fiscais de Tributos Municipais de Curitiba (Sinfisco).

O projeto de lei concede incremento de 9,14% sobre o vencimento base dos auditores fiscais de tributos municipais, escalonado em três etapas, com efeitos previstos para 1º de maio de 2026, 1º de janeiro de 2027 e 1º de janeiro de 2028. Além disso, prevê a criação de gratificação vinculada à Reforma Tributária e alteração em normas da carreira e da aposentadoria desses servidores públicos municipais (saiba mais).

O impacto projetado é de R$ 6.071.607,24 em 2026, de R$ 9.219.752,09 em 2027 e de R$ 12.401.186,74 em 2028. O Executivo justifica a implementação das mudanças devido ao “acréscimo de demandas administrativas decorrentes da prestação de serviço interfederativo”, associadas ao novo modelo tributário nacional (005.00100.2026).

Por 8 votos a 1, o colegiado acompanhou a relatora, vereadora Indiara Barbosa (Novo). “O Município informa que tais incrementos não afetarão a meta de resultados fiscais e respalda financeiramente, com dotações bem delimitadas, os objetivos a que se destina o projeto. Sendo assim, do ponto de vista econômico-financeiro, competência que a presente comissão é encarregada de analisar, não há óbices financeiros para a tramitação”, cita o parecer.

Contudo, o parecer ressalva que a matéria, diante de um aumento de 27,5% sobre o vencimento básico e mais uma gratificação de 30%, “pode abrir margem para demandas de outras categorias e, assim, novas despesas no Orçamento do Município”. “Desde o início da legislatura anterior, em 2021, a gente já conversa com os auditores sobre esse ponto. A gente sabe inclusive eles nos apresentaram um estudo comparativo entre a remuneração dos auditores aqui da Prefeitura e de outras capitais. Uma demanda constante que eles têm é às vezes perder bons profissionais que passam nos concursos aqui e acabam depois indo para outros Estados, outros Municípios, pela questão de remuneração. Então nós conhecemos as dificuldades, entendemos a realidade da profissão e a necessidade”, acrescentou a relatora, na discussão da proposta.

O parecer de Zezinho Sabará (PSD), responsável pelo pedido de vista na semana passada, foi anexado por semelhança ao de Indiara Barbosa. Já o voto em separado do vereador Olimpio Araujo Junior (PL) foi contrário ao trâmite. Além de mencionar o pleito de outras categorias do funcionalismo, como os outros parlamentares, ele apontou o risco jurídico-eleitoral após o marco de 7 de abril de 2026, e os reflexos econômico-financeiros da proposição. Presidente do colegiado, Serginho do Posto (PSD) encaminhou o voto favorável, para que a mensagem seja encaminhada para a Comissão de Serviço Público, mas que sejam requisitadas informações suplementares quanto a eventual impedimento em função da legislação eleitoral.

Economia acata operações imobiliárias e “multômetro”

Os demais projetos da pauta avançaram com votações unânimes. Dois deles, também de autoria do Poder Executivo, referem-se a operações imobiliárias. Ambos seguem, também, para a análise da Comissão de Serviço Público. Numa das mensagens, o objetivo é efetivar a doação ao Estado do Paraná de um terreno municipal de 6.874,64 m², no Tatuquara, onde funcionam as instalações do Colégio Estadual Desembargador Guilherme Albuquerque Maranhão. O imóvel foi avaliado em R$ 4,848 milhões. Serginho do Posto foi o relator (005.00039.2026).

>> Acesse a pauta completa e pareceres

A outra mensagem visa alterar a lei municipal 10.624/2002, que autorizou a doação de uma área contígua ao Palácio Rio Branco à Câmara Municipal. A proposta autoriza expressamente o uso do terreno para a construção da nova sede do Legislativo, cancela cláusulas restritivas constantes da escritura e da matrícula imobiliária e incorpora o potencial construtivo da área aos lotes resultantes da unificação. A relatoria positiva foi de Olimpio Araujo Junior (005.00130.2026).

A Comissão de Economia também liberou o trâmite de projeto de lei de autoria do vereador João Bettega (PL) cuja ideia é ampliar a divulgação dos valores arrecadados com a aplicação de multas de trânsito. O chamado “multômetro” sugere que haja divulgação trimestral dos dados, em portal específico, e informação ao público por painéis ou outros dispositivos, atualizados mensalmente. O parecer positivo, de Indiara Barbosa, levou em consideração o texto do substitutivo geral e o silêncio da Secretaria Municipal de Defesa Social e Trânsito (SMDT) à consulta feita pelo colegiado. A próxima etapa é a discussão em Serviço Público (005.00463.2025 e 031.00309.2025).

Propostas receberem pareceres por mais informações

Dos sete projetos de lei debatidos na reunião desta semana, três receberam pareceres por mais informações e, portanto, seguem sob a análise da Comissão de Economia. No caso de proposta de lei com a intenção de criar o Programa Guarda Viva, voltado à valorização profissional, à saúde mental e ao enfrentamento ao assédio na Guarda Municipal de Curitiba, iniciativa de Giorgia Prates - Mandata Preta (PT), Olimpio Araujo Junior indicou ser necessário ouvir o posicionamento do Executivo sobre os protocolos já existentes e impacto para  a execução das medidas, entre outros questionamentos (005.00698.2025). 

Os demais tiveram a relatoria do vereador Leonidas Dias (Pode). Em outra proposta Giorgia Prates, com o propósito de criar a Ação Municipal Educativa sobre Agroecologia, o parecer foi por solicitar ao Poder Executivo Municipal o envio de informações complementares acerca da estimativa de impacto financeiro-orçamentário (005.00028.2025). Ao projeto de lei que autoriza a Guarda Municipal de Curitiba (GMC) a atuar no policiamento urbano ostensivo, em caráter auxiliar à Polícia Militar do Paraná (PMPR), de autoria de Da Costa (Pode), o entendimento foi por buscar “a manifestação técnica detalhada do Poder Executivo antes de qualquer deliberação” (005.00217.2025 e 031.00014.2025).