Fundador do Grupo Dignidade, Toni Reis será Cidadão Honorário de Curitiba
Maior honraria concedida pela cidade foi proposta a Toni Reis pela vereadora Laís Leão (Fotos: Carlos Costa/CMC).
A Câmara Municipal de Curitiba (CMC) aprovou nesta terça-feira (4), em primeiro turno, projeto que concede o título de Cidadão Honorário de Curitiba ao educador e ativista Toni Reis, fundador do Grupo Dignidade. A proposta, que reconhece a trajetória de Reis na promoção dos direitos humanos, da cidadania e da diversidade - de iniciativa da vereadora Laís Leão (PDT) - foi aprovada com voto favorável de todos os vereadores presentes e retornará ao plenário para segunda votação nesta quarta-feira (5).
Segundo a vereadora, a homenagem (projeto de Decreto Legislativo 115.00009.2025) busca valorizar o trabalho desenvolvido pelo ativista na capital desde 1984. “Conceder o título de Cidadão Honorário a Toni Reis representa o justo reconhecimento da sociedade curitibana pela contribuição constante que ele oferece ao município e ao país”, afirmou. Para a autora, Reis “dialoga com todos os lados e constrói pontes”, o que ela considera essencial “para valorizar pessoas que fazem o bem para Curitiba e para a população curitibana” (leia mais sobre o currículo do homenageado logo abaixo).
Durante a discussão, Professora Angela (PSOL) destacou a relevância da trajetória do homenageado. Para ela, Toni Reis tem papel central “na defesa dos direitos humanos e da população LGBTQIA+”, atuando com coragem e compromisso. A vereadora relatou ter sido a relatora do projeto na Comissão de Educação e registrou voto favorável .“Ele construiu uma vida dedicada não só aos direitos humanos, mas também à educação e à promoção da cidadania; é um grande contribuinte para que o Brasil avance em políticas públicas de respeito à diversidade, de enfrentamento à violência e à discriminação”.
Pier Petruzziello (PP) brincou com a autora da proposta sobre a homenagem ter chegado “tarde” diante da contribuição de Reis. Para ele, o educador é “um pacificador”, capaz de dialogar com diferentes espectros da sociedade. “Eu acho que ele é o único cara do Brasil que consegue falar com o Lula e com o Bolsonaro ao mesmo tempo. Portanto, é uma alegria poder votar favoravelmente, e isso não tem nada a ver com direita ou esquerda, é uma questão humanitária”, declarou.
“O Toni tem todo o meu respeito e reconhecimento. Ele é um exemplo concreto nessa luta e merece ser cidadão honorário justamente para inspirar mais gerações”, completou Giorgia Prates (PT). A vereadora ressaltou que o trabalho do fundador do Grupo Dignidade abriu caminhos para novas gerações e inspira pessoas a ocuparem espaços de representação, como aconteceu com ela própria. A atuação de Toni Reis, explicou, permitiu que “pessoas como eu possam estar aqui hoje falando: eu sou uma vereadora sapatão; pois muitas e muitos de nós acabam sucumbindo, porque não tem o apoio, não tem a possibilidade de visualizar o futuro frente a tantos dissabores e a falta do cumprimento dos direitos humanos”.
A vereadora Delegada Tathiana Guzella (União) relatou ter conhecido o ativista durante investigações de homicídios motivados por discriminação. Para ela, o diálogo e a coerência de Reis contribuem para aproximar posições distintas. “Nós podemos pensar diferente, só não brigar. O Toni sempre trouxe argumentos de coerência”, disse, ao adiantar o voto favorável. Já Angelo Vanhoni (PT) resgatou o histórico de criação do Grupo Dignidade nos anos 1990, ao ressaltar os desafios no enfrentamento ao preconceito e na promoção de direitos e políticas públicas. “Curitiba vai te homenagear e vai homenagear todos que são devotos dessa luta pelo respeito à vida e ao indivíduo”, afirmou.
Também se manifestaram favoravelmente as vereadoras Vanda de Assis (PT) e Camilla Gonda (PSB), e o vereador Marcos Vieira (PDT). Todos enfatizaram a importância do trabalho desenvolvido pela organização fundada por Reis e o impacto social nas áreas de educação, saúde e direitos humanos. A votação foi unânime, com 23 votos favoráveis. Assim, o texto retorna à pauta nesta quarta (5) para segunda votação. O presidente da Comissão de Direitos Humanos, Jasson Goulart (Republicanos), justificou seu voto favorável. “Reconhecer o trabalho do Toni Reis é reconhecer a luta em defesa da vida e das pessoas. Ele sempre fez isso com dignidade, respeito e muita coerência”, afirmou.
Saiba mais sobre a trajetória de vida de Toni Reis
De acordo com a justificativa do projeto de Decreto Legislativo, Toni Reis nasceu em um sábado, 20 de junho de 1964, na cidade de Limeira, distrito de Coronel Vivida, no Sudoeste do Paraná. Filho de Maria Conceição dos Reis, paranaense, e Miguelino Martins dos Reis, gaúcho de São Leopoldo, cresceu em uma família simples, cercado por valores de respeito, responsabilidade e solidariedade. “Desde 1984, reside em Curitiba, onde desenvolveu uma trajetória marcada pela busca constante de conhecimento e pelo compromisso com a educação e os direitos fundamentais da pessoa humana”, destaca o documento.
A iniciativa de Laís Leão relata que ele é casado com David Harrad desde 1990 e que Toni constituiu uma família com três filhos - Alyson, Alice e Filipe - atualmente com 24, 22 e 19 anos de idade. “A história familiar do homenageado é amplamente reconhecida como um exemplo de afeto, compromisso e responsabilidade, valores que consolidam o conceito de família enquanto espaço de cuidado e desenvolvimento integral”.
Sobre a trajetória acadêmica do homenageado, a proposta destaca suas contribuições para o desenvolvimento das Ciências Humanas, especialmente na Educação, onde ele possui um currículo acadêmico “de grande relevância”, incluindo graduações em Letras e Pedagogia, especialização, mestrado, doutorado, além de dois pós-doutorados em Educação. “Sua produção científica inclui livros, capítulos e artigos publicados em respeitados periódicos nacionais e internacionais, abordando temas de cidadania, diversidade e educação inclusiva”.
Em 1992, Toni fundou, em Curitiba, o Grupo Dignidade, organização da sociedade civil que se dedica à promoção dos direitos fundamentais, à prevenção de doenças e ao enfrentamento de todas as formas de discriminação. O ativista e educador também exerce funções de liderança em instituições de relevância nacional e internacional, como diretor-presidente da Aliança Nacional LGBTI+, entre outras entidades. Ao longo de sua trajetória, recebeu diversas distinções que atestam o reconhecimento público de seu trabalho, como a Ordem Nacional do Mérito Educativo, concedida pelo Ministério da Educação, o Prêmio Pablo Neruda de Direitos Humanos, conferido pela Câmara Municipal de Curitiba, e o Prêmio de Direitos Humanos do Governo Federal.
*Notícia revisada pelo estudante de Letras Celso Kummer
Supervisão do estágio: Ricardo Marques
Reprodução do texto autorizada mediante citação da Câmara Municipal de Curitiba