Denominação de espaço público homenageia personalidade síria

por Assessoria Comunicação publicado 18/11/2014 17h00, última modificação 28/09/2021 07h08

Os vereadores de Curitiba aprovaram, nesta terça-feira (18), projeto de lei que denomina logradouro público de Curitiba em homenagem a Antoun Khalil Saadeh (1904-1949), personalidade síria que se notabilizou por seu ativismo político, obras literárias, filosóficas e atuação no jornalismo. A votação da matéria foi acompanhada por representantes da comunidade árabe.

Segundo o autor da iniciativa, Felipe Braga Côrtes (PSDB), a proposta (009.00029.2014) resgata a história de Saadeh e, ao mesmo tempo, homenageia a comunidade árabe de Curitiba. “É uma região tão longínqua, mas ao mesmo tempo tão próxima de nós”, disse, ao mencionar o grande número de imigrantes de origem árabe que veio morar no Brasil.

Braga Côrtes pediu apoio do presidente da Casa, Paulo Salamuni (PV), para interceder junto ao prefeito Gustavo Fruet na escolha de um local que “preste justo reconhecimento” a Antoun Khalil Saadeh. “Fiquei sensibilizado ao apresentar esse projeto, vamos levar algumas sugestões de local para concretizar essa homenagem”, disse

“O mundo possui uma dívida com esse povo. O que seria de nós sem os números arábicos”, completou Salamuni, que afirmou também se sentir homenageado, por ser descendente de árabes. “É um povo muito sofrido, mas que vive seu renascimento cíclico, e que foi recebido de braços abertos em Curitiba”, resumiu.

Perfil
Antoun Khalil Saadeh nasceu em primeiro de março de 1904 na região de Monte Líbano, na Síria.
De 1935 até 1938, foi o principal líder nacionalista daquele país. Em 1938, após ser colocado em liberdade, fundou o jornal AL-NAHDAH e continuou a liderar o partido até deixar o país, naquele mesmo ano, para organizar filiações a seu partido ao redor do mundo, especialmente nos países europeus e americanos.

No Brasil, fundou uma filial do Partido dos Imigrantes e o jornal "Suria AL-jadidah", que significa Nova Síria, mas foi detido em São Paulo por dois meses sob acusações dos agentes coloniais franceses, as quais foram constatadas como falsas, tendo sido comprovada a improcedência das acusações e, assim posto em liberdade.

Em 2 de março de 1947, retornou à sua pátria onde foi recebido por milhares de partidários que chegaram a Beirute de todos os cantos e regiões da Síria geográfica: do Líbano, da Palestina, da pequena e atual Síria, da Jordânia e do Iraque. Logo depois, fundou o jornal AL-Jil AL-Jadid, que significa a nova geração. Também escreveu muitas obras nos campos da sociologia, filosofia, economia e literatura.

No dia 7 de julho de 1949, o presidente sírio Husni Al-zaim, que teve boas relações com Saadeh, traiu-o e o entregou às autoridades libanesas.
Antoun Khalil  Saadeh foi interrogado, julgado e executado em poucas horas, sem ter chance de defesa. Foi executado por um pelotão de fuzilamento às 3h20 da madrugada de 8 de julho de 1949.