Câmara Municipal de Curitiba recebe álbum histórico da família Kracik
Regina Kracik Teixeira, neta do vereador João Kracik Netto, recebida por vereadores no Palácio Rio Branco para a entrega de álbum histórico. (Fotos: Rodrigo Fonseca/CMC)
Por 78 anos, um álbum produzido em 1948, com fotos e textos dos 20 vereadores eleitos em Curitiba em 1947, ficou no acervo da família Kracik. Bem conservado, o documento registra os representantes parlamentares que marcaram uma nova etapa da Câmara Municipal de Curitiba (CMC). A instituição renascia após 10 anos sem eleições para o parlamento local, devido ao período ditatorial do Estado Novo, durante a Era Vargas. Além disso, a capital do Paraná estava sem prefeito. A missão do legislativo se dividia em duas frentes: de um lado, retribuir a confiança da população diante das eleições após uma década autoritária; de outro, assumir interinamente a Prefeitura enquanto o governador da época, Moysés Lupion, não indicava um prefeito para administrar a cidade. 
O primeiro parlamentar a assumir a presidência da CMC e também a prefeitura de Curitiba foi o vereador João Kracik Netto. Nesta terça (3), sua neta Regina Kracik Teixeira fez a entrega do álbum para a instituição parlamentar. No plenário, ela foi recebida pelo presidente Tico Kuzma (PSD) e também pelos vereadores Rafaela Lupion (PSD), Carlise Kwiatkowski (PL), Meri Martins (Republicanos), Serginho do Posto (PSD), Bruno Rossi (Agir) e Zezinho Sabará (PSD). “Honramos o compromisso de bem representar os cidadãos curitibanos mantendo o espírito democrático inaugurado por parlamentares como João Kracik Netto, avô de Regina Kracik Teixeira”, afirmou o presidente da CMC, vereador Tico Kuzma.
Jornalista, Regina Kracik Teixeira defende o estudo da história como instrumento para a superação de problemas municipais. “É preciso conhecer o passado para entender o presente e, assim, visualizar o futuro que queremos”, disse Regina. A página do álbum dedicada a Moysés Lupion atraiu a atenção da vereadora Rafaela Lupion, bisneta do ex-governador do Paraná. “Como bisneta do ex-governador do Paraná Moysés Lupion, compreendo que preservar a memória e a história das lideranças políticas é um compromisso com a nossa identidade coletiva. Valorizar essas trajetórias é reconhecer o trabalho de homens e mulheres que ajudaram a construir os caminhos que hoje seguimos”, disse a parlamentar.
Além de integrar o Acervo Histórico da CMC, o álbum também pode ser acessado na seção Nossa Memória no site da Câmara Municipal de Curitiba.
Reabertura da Câmara de Curitiba: um marco da redemocratização
De acordo com pesquisadores para o projeto Presidentes da Câmara Municipal de Curitiba, que será lançado este ano no site da instituição, João Kracik Netto inaugurou uma nova era no legislativo local. Afinal, o ano de 1947 marcou a redemocratização e a reabertura da Câmara Municipal de Curitiba após o fechamento durante o Estado Novo. Sob a presidência de João Kracik Netto (PTB), a 1ª Legislatura enfrentou o árduo desafio de legitimar o Poder Legislativo frente a um Executivo acostumado a um autoritarismo ditatorial. Foi um período de intensa luta pela autonomia da Casa: os vereadores precisaram rejeitar as interferências da Assembleia Legislativa e travaram embates constantes com o prefeito nomeado, Ney Leprevost, para exigir transparência e prestação pública dos recursos.
Nesse cenário de instabilidade política nacional e disputas partidárias internas, a gestão de Kracik foi fundamental para estruturar o funcionamento administrativo da Câmara, criando seu Regimento Interno e garantindo a independência necessária para a fiscalização democrática. Além da afirmação institucional, a gestão de Kracik focou na modernização legal e urbana da capital. A Câmara atualizou normas obsoletas de 1929 sobre o comércio, revisou o IPTU e participou ativamente da urbanização do Centro Cívico, alinhada ao Plano Agache.
O período também foi histórico pela ampliação da representatividade social decorrente do retorno das eleições: a CMC empossou sua primeira vereadora, Maria Olympia Mochel, e o primeiro vereador autodeclarado negro, Antenor Pamphillo dos Santos. Após o mandato, João Kracik Netto tornou-se um empresário e dirigente sindical relevante, deixando como legado político a consolidação das bases operacionais do legislativo municipal e a transição da cidade para uma era de maior participação popular.
* Com colaboração de pesquisa história realizada por João Cândido Martins, Lorena Elaine Porto, Maria Clara Guerra Azevedo de Barros e Natália Garcia Krainski.
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