Câmara Municipal de Curitiba recebe álbum histórico da família Kracik

por Alex Gruba* | Revisão: Ricardo Marques — publicado 03/02/2026 17h09, última modificação 03/02/2026 17h09
Regina Kracik Teixeira entregou à CMC um importante registro de parlamentares que marcaram a 1ª legislatura de Curitiba após a ditadura do Estado Novo.
Câmara Municipal de Curitiba recebe álbum histórico da família Kracik

Regina Kracik Teixeira, neta do vereador João Kracik Netto, recebida por vereadores no Palácio Rio Branco para a entrega de álbum histórico. (Fotos: Rodrigo Fonseca/CMC)

Por 78 anos, um álbum produzido em 1948, com fotos e textos dos 20 vereadores eleitos em Curitiba em 1947, ficou no acervo da família Kracik. Bem conservado, o documento registra os representantes parlamentares que marcaram uma nova etapa da Câmara Municipal de Curitiba (CMC). A instituição renascia após 10 anos sem eleições para o parlamento local, devido ao período ditatorial do Estado Novo, durante a Era Vargas. Além disso, a capital do Paraná estava sem prefeito. A missão do legislativo se dividia em duas frentes: de um lado, retribuir a confiança da população diante das eleições após uma década autoritária; de outro, assumir interinamente a Prefeitura enquanto o governador da época, Moysés Lupion, não indicava um prefeito para administrar a cidade. 

O primeiro parlamentar a assumir a presidência da CMC e também a prefeitura de Curitiba foi o vereador João Kracik Netto. Nesta terça (3), sua neta Regina Kracik Teixeira fez a entrega do álbum para a instituição parlamentar. No plenário, ela foi recebida pelo presidente Tico Kuzma (PSD) e também pelos vereadores Rafaela Lupion (PSD), Carlise Kwiatkowski (PL), Meri Martins (Republicanos), Serginho do Posto (PSD), Bruno Rossi (Agir) e Zezinho Sabará (PSD). “Honramos o compromisso de bem representar os cidadãos curitibanos mantendo o espírito democrático inaugurado por parlamentares como João Kracik Netto, avô de Regina Kracik Teixeira”, afirmou o presidente da CMC, vereador Tico Kuzma. 

Jornalista, Regina Kracik Teixeira defende o estudo da história como instrumento para a superação de problemas municipais. “É preciso conhecer o passado para entender o presente e, assim, visualizar o futuro que queremos”, disse Regina. A página do álbum dedicada a Moysés Lupion atraiu a atenção da vereadora Rafaela Lupion, bisneta do ex-governador do Paraná. “Como bisneta do ex-governador do Paraná Moysés Lupion, compreendo que preservar a memória e a história das lideranças políticas é um compromisso com a nossa identidade coletiva. Valorizar essas trajetórias é reconhecer o trabalho de homens e mulheres que ajudaram a construir os caminhos que hoje seguimos”, disse a parlamentar.

Além de integrar o Acervo Histórico da CMC, o álbum também pode ser acessado na seção Nossa Memória no site da Câmara Municipal de Curitiba.

 

 

 

Reabertura da Câmara de Curitiba: um marco da redemocratização

De acordo com pesquisadores para o projeto Presidentes da Câmara Municipal de Curitiba, que será lançado este ano no site da instituição, João Kracik Netto inaugurou uma nova era no legislativo local. Afinal, o ano de 1947 marcou a redemocratização e a reabertura da Câmara Municipal de Curitiba após o fechamento durante o Estado Novo. Sob a presidência de João Kracik Netto (PTB), a 1ª Legislatura enfrentou o árduo desafio de legitimar o Poder Legislativo frente a um Executivo acostumado a um autoritarismo ditatorial. Foi um período de intensa luta pela autonomia da Casa: os vereadores precisaram rejeitar as interferências da Assembleia Legislativa e travaram embates constantes com o prefeito nomeado, Ney Leprevost, para exigir transparência e prestação pública dos recursos.

Nesse cenário de instabilidade política nacional e disputas partidárias internas, a gestão de Kracik foi fundamental para estruturar o funcionamento administrativo da Câmara, criando seu Regimento Interno e garantindo a independência necessária para a fiscalização democrática. Além da afirmação institucional, a gestão de Kracik focou na modernização legal e urbana da capital. A Câmara atualizou normas obsoletas de 1929 sobre o comércio, revisou o IPTU e participou ativamente da urbanização do Centro Cívico, alinhada ao Plano Agache.

O período também foi histórico pela ampliação da representatividade social decorrente do retorno das eleições: a CMC empossou sua primeira vereadora, Maria Olympia Mochel, e o primeiro vereador autodeclarado negro, Antenor Pamphillo dos Santos. Após o mandato, João Kracik Netto tornou-se um empresário e dirigente sindical relevante, deixando como legado político a consolidação das bases operacionais do legislativo municipal e a transição da cidade para uma era de maior participação popular.

* Com colaboração de pesquisa história realizada por João Cândido Martins, Lorena Elaine Porto, Maria Clara Guerra Azevedo de Barros e Natália Garcia Krainski.