CPI visita invasões e confronta versões

por Assessoria Comunicação publicado 03/04/2007 20h20, última modificação 16/06/2021 07h08
Os vereadores da CPI das Invasões da Câmara de Curitiba visitaram, na tarde desta terça-feira (03), duas ocupações irregulares no bairro Santa Quitéria e o condomínio Atlanta III, localizado ao lado de uma das invasões. Duas versões foram relatadas: uma pelos moradores vizinhos e outra pelos invasores e seus líderes. Estavam presentes os vereadores Tico Kuzma (PPS), presidente da CPI; Roberto Hinça (PDT), relator; e os membros Pastor Valdemir Soares (PR), Serginho do Posto (PSDB), Valdenir Dias (PSB) e Roseli Isidoro (PT). O administrador da Regional do Portão, Fernando Guedes, também acompanhou a visita.
No Condomínio Atlanta III, os parlamentares conversaram com a síndica, Elizabeth Lahoud, que declarou que as ocupações tiveram início na noite de 23 de fevereiro, feriado de Carnaval, com cerca de 30 famílias. O local invadido faz parte do terreno do condomínio, que deveria ser composto por 11 blocos, ainda faltando nove a serem construídos, além da área comum de lazer. O condomínio foi erguido pela Construtora Cidadela, atualmente com tributos municipais atrasados, embora os moradores estejam com as prestações em dia. “Nós ficamos sabendo que a área estava com impostos atrasados e que em diversas partes do terreno não era possível construir por causa do meio ambiente. Com a invasão, a Cidadela ganha a reintegração de posse, com as dívidas perdoadas, e pode construir”, disse Elizabeth.
A síndica também comentou que, no último sábado, foi aberta uma rua no meio das ocupações e que os terrenos estavam sendo comercializados nos valores entre R$ 600 e R$ 1,5 mil. “Estou fazendo um book das ocupações. Tenho fotos dos momentos, das pessoas, dos líderes e dos caminhões abrindo a rua, além de panfletos distribuídos para os invasores”, informou Elizabeth, completando que os responsáveis pelos panfletos “são os mesmos que estão sendo comentados pela imprensa”, embora não tenha citado nomes. “É complicado a gente ficar se metendo nessas coisas. Não podemos nos envolver muito”, finalizou.
Reintegração
Os vereadores constataram que já foi dada ordem judicial de reintegração de posse do terreno, mas que ainda não foi cumprida pela Polícia Militar. “Na ocupação do bairro Campo Comprido, os invasores saíram em 24 horas. Aqui, estão há mais de 20 dias”, disse um dos moradores. Segundo Gilberto Tangleica, morador do bairro e líder “por solidariedade”, quando ficou sabendo da ocupação, foi ao local para impedir e expulsar os invasores. “Quando vi que eram muitos e que sozinho não daria conta, me juntei a eles de forma a organizar o processo. Tenho um sobrado no bairro e a área está sendo desvalorizada pelas invasões próximas. Então, quero defender o que é meu”, disse, destacando não ter um espaço na área invadida e que abriu mão de seu trabalho para organizar os invasores. Tangleica informou que cerca de 90 famílias já estão instaladas, mas ninguém está comercializando áreas. “As pessoas trabalham durante o dia e à noite ficam nas casas”, disse, confrontando com a imagem vista durante a visita. Durante o dia, as invasões ficam repletas de mulheres, jovens, crianças trabalhando e que se escondem ao ver as câmeras. A maioria das pessoas presentes afirma que não tem terreno no local e só está olhando, a passeio. À noite, há uma espécie de toque de recolher. Ninguém pode fazer barulho após às 21h. Nestas instalações, não há água, nem luz.
Maior
Já a segunda invasão, na Rua Basílio Ovídio da Costa com João Scuissiato, é maior em tamanho, porém com menor número de moradores. São cerca de 70 famílias. Há luz nas casas e a água é de poço próximo, por generosidade do proprietário. Segundo os invasores, a área era um aterro abandonado, sendo utilizada por usuários de drogas. A líder desta segunda ocupação, Maria de Fátima Ribeiro de Freitas, chegou a enviar e-mail à Sanepar e à Copel pedindo água e luz no local. Também encaminhou os e-mails à imprensa, relatando o descaso com os invasores, embora não saiba ler nem escrever e nem tenha computador. Esta invasão tem até uma advogada orientando no caso, em favor dos invasores.
O vereador Tico Kuzma, juntamente com os membros da comissão, pretende reunir todas as informações colhidas, chamar novos nomes para as reuniões da CPI e, no final, elaborar um relatório com os dados obtidos, motivações e influências nas invasões, se houver, além de apresentar possíveis soluções para o problema habitacional.