Plenário rejeita convocar secretário da Educação de Curitiba
Convocação foi rejeitada em votação simbólica; requerimento gerou debate em Plenário. (Foto: Rodrigo Fonseca/CMC)
Nesta segunda-feira (4), em votação simbólica, o Plenário da Câmara Municipal de Curitiba (CMC) rejeitou o requerimento para convocar o secretário da Educação da capital, Paulo Afonso Schmidt. A deliberação já havia sido adiada quatro vezes a pedido da autora, a vereadora Vanda de Assis (PT).
Conforme a proposição, a ideia era que Schmidt prestasse esclarecimentos sobre questões como o posicionamento da pasta sobre projeto de lei que trata da adoção do modelo cívico-militar na rede municipal de ensino, em trâmite na Casa (005.00149.2025), bem como a valorização dos servidores da Educação, o déficit de profissionais em sala de aula e melhorias nos Centros Municipais de Educação Infantil (Cmeis) e escolas (063.00002.2026).
Líder do Governo na Câmara de Curitiba, Serginho do Posto (PSD) pediu a derrubada do requerimento. “As razões demonstradas no ofício se referem a um projeto de iniciativa parlamentar, e não de iniciativa do governo municipal”, declarou. Ele também sustentou que o secretário da Educação colocou-se à disposição para agendar reuniões com os vereadores.
Vanda de Assis, por sua vez, lamentou a ausência do secretário municipal e de quaisquer representantes da pasta em audiência pública que versou sobre a proposição, no dia 17 de março. “Em seguida, a gente fez essa proposição de convocar o secretário para vir aqui e, a pedido do próprio Serginho, nós resolvemos adiar o pedido, para que ele pudesse vir via convite. Mas ele não veio até agora”, mencionou a autora do requerimento.
“A oposição está disposta a dialogar. [...] Nós estamos em busca do compromisso do secretário, do prefeito, de que não se validará nenhum projeto de lei que venha militarizar as escolas municipais. É isso que nós queremos. Enquanto isso não for verbalizado, escrito pelo secretário e pelo prefeito, é isso que nós vamos ficar cobrando", completou Assis. Líder da Oposição, Camilla Gonda (PSB) chegou a sugerir a votação nominal, mas o pedido foi rejeitado. “O real problema é a merenda das escolas municipais, que está sendo ofertada para os nossos alunos com uma qualidade bastante duvidosa. A gente recebeu, só nas últimas semanas, mais de 120 denúncias”, disse ela, entre outras questões levantadas.
"Essa convocação, como é de praxe, pode ser transformada num convite”, sugeriu Angelo Vanhoni (PT). Entre os argumentos para o diálogo com Schmidt, o parlamentar citou o porte da rede municipal de ensino e a aprovação, recentemente, do novo Plano Nacional de Educação (PNE), o que demandará a atualização do planejamento municipal para os próximos dez anos. “Essa crise da educação é um projeto”, opinou, por sua vez, a Professora Angela (PSOL), posicionando-se “terminantemente contra” a privatização e a militarização das escolas. “Ela não melhora em nada o projeto pedagógico”, afirmou.
Para Amália Tortato (Novo), não faz “nenhum sentido trazer o secretário aqui para falar sobre um projeto de iniciativa desta Casa”. Ela também avaliou positivamente os projetos do Governo do Paraná de militarização e de privatização de colégios estaduais. “Diga-se de passagem, a comunidade escolhe se ela quer ou não que aquela escola seja militarizada”, declarou. "Eu votei contrário [ao requerimento de convocação] porque sou totalmente favorável à militarização das escolas, uma vez que a gente não vê mal algum em trazer a disciplina [...] e ter uma educação com mais qualidade”, prosseguiu Carlise Kwiatkowski (PL).
Coautor do projeto de lei para a implantação de escolas cívico-militares municipais, Guilherme Kilter (Novo) defendeu, entre outros dados, que o modelo estadual tem fila de espera e queda da taxa de reprovação em 10%. Ele ainda pediu para o presidente Tico Kuzma (PSD) pautar a matéria, protocolada por ele e a Delegada Tathiana Guzella (PL), para a votação pelo Plenário da Casa. Eder Borges (PL) manifestou interesse em ingressar na coautoria da proposição. “São programas muito bons, que deram certo, [que] têm ampla aprovação dos pais”, opinou.
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