Câmara analisa política de fomento ao cinema nas escolas de Curitiba

por Julia Yamane*, especial para CMC | Revisão: Gabriel Kummer** — publicado 20/01/2026 11h06, última modificação 20/01/2026 11h06
Proposta da vereadora Giorgia Prates define diretrizes para ampliar atividades audiovisuais nas unidades educacionais municipais.
Câmara analisa política de fomento ao cinema nas escolas de Curitiba

Projeto de lei quer ampliar o acesso ao cinema nacional nas escolas públicas de Curitiba. (Foto: Arquivo/PMC)

A vereadora Giorgia Prates - Mandata Preta (PT) apresentou, na Câmara Municipal de Curitiba (CMC), um projeto de lei que cria a Política Municipal de Fomento, Difusão e Exibição do Cinema e Audiovisual na Rede Pública Municipal de Ensino. O objetivo é ampliar o contato com produtos audiovisuais, para “qualificar a discussão em torno dessas obras e promover o intercâmbio de saberes com realizadores locais” (005.00726.2025). 

O projeto organiza um conjunto de ações voltadas à exibição, ao estudo e à produção de conteúdos audiovisuais nas escolas municipais, envolvendo estudantes, professores e equipes pedagógicas. A justificativa destaca que o audiovisual é uma linguagem que auxiliaria no desenvolvimento de habilidades de leitura, de interpretação e de produção de mensagens visuais. Além disso, a proposta visa integrar iniciativas culturais já existentes às políticas municipais de educação, ampliando o alcance das atividades em escolas da capital. 

A política estabelece princípios como ampliação do acesso ao cinema, valorização da cultura brasileira, incentivo à produção escolar e formação continuada para profissionais da Educação. Entre as ações previstas estão a realização de mostras temáticas, rodas de debate, atividades formativas com especialistas e parcerias com instituições e coletivos ligados ao audiovisual. 

Na justificativa do projeto de lei, ao apontar a existência de leis que obrigam a exibição de filmes em escolas, Prates contrapõe e aponta que não é o suficiente. “A simples obrigatoriedade não garante a efetividade da proposta em um país de dimensões continentais e com profundas desigualdades raciais e econômicas como o Brasil. Faz-se necessária uma ancoragem local que detalhe a aplicação da lei, considerando o contexto de cada município e, fundamentalmente, promovendo um contínuo engajamento antirracista na Educação Básica”, afirma a vereadora. 

O projeto determina que a Secretaria Municipal da Educação poderá organizar programações periódicas, materiais pedagógicos de apoio e ações integradas com a comunidade escolar. A proposta ainda dialoga com normas nacionais de incentivo à cultura e à educação integral, incorporando diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) relacionadas à leitura de múltiplas linguagens. 

Segundo a parlamentar, a política apoia especialmente estudantes das periferias, para quem o acesso a equipamentos culturais é reduzido. O projeto ainda incentiva a circulação de obras produzidas em território local e a valorização de criadoras e criadores da cidade.

“Ao implementar esta política, o município de Curitiba fortalecerá o compromisso com uma educação antirracista e inclusiva, proporcionando aos estudantes uma experiência audiovisual rica e diversificada, que contribua para a formação de cidadãos mais críticos, conscientes e engajados com a diversidade cultural brasileira”, afirmou Prates na justificativa do projeto de lei.

O projeto de lei foi protocolado no dia 24 de outubro e já está tramitando nas comissões temáticas da Câmara de Curitiba. Se aprovado pelos parlamentares e sancionado pelo prefeito, o projeto entra em vigor no dia de sua publicação.

Confira na imagem abaixo como é o trâmite de um projeto de lei na Câmara Municipal de Curitiba:
 
*Matéria elaborada pela estudante de Jornalismo Julia Yamane*, especial para a CMC.
Supervisão do estágio e edição: José Lázaro Jr.
**Notícia revisada pelo estudante de Letras Gabriel Kummer
Supervisão do estágio: Ricardo Marques