Vídeos sobre a FAS motivam reunião com vereadores de Curitiba

por José Lázaro Jr. — publicado 23/03/2026 11h00, última modificação 23/03/2026 11h10
Presidente da Fundação de Ação Social foi à Câmara de Vereadores responder a questionamentos sobre denúncias que circulam na internet
Vídeos sobre a FAS motivam reunião com vereadores de Curitiba

Renan Rodrigues, presidente da FAS, rebate vídeos da internet na Câmara. (Foto: Rodrigo Fonseca/CMC)

Após a circulação de vídeos nas redes sociais sobre unidades da Fundação de Ação Social (FAS), o presidente da instituição, Renan de Oliveira Rodrigues, participou de uma reunião com vereadores da Câmara Municipal de Curitiba (CMC), na manhã desta segunda-feira (23), para prestar esclarecimentos sobre as condições de atendimento, a estrutura das unidades e a gestão de pessoal. Na abertura da reunião, ele afirmou ter ido ao Legislativo para “prestar contas” e disse que a ida à Câmara ocorreu logo na primeira sessão após a divulgação das imagens.

A reunião foi coordenada pelo presidente da CMC, Tico Kuzma (PSD), na presença de Serginho do Posto (PSD), Meri Martins (Republicanos), Professora Angela (PSOL), Camilla Gonda (PSB), Sargento Tânia Guerreiro (Pode), Vanda de Assis (PT), Bruno Rossi (Agir), Rafaela Lupion (PSD), Guilherme Kilter (Pode), Giorgia Prates - Mandata Preta (PT), Fernando Klinger (PL), Laís Leão (PDT), Sidnei Toaldo (PRD), Da Costa (Pode), Tiago Zeglin (MDB) e Nori Seto (PP).

Renan Rodrigues apresentou informações sobre o controle de pragas urbanas dentro das unidades da FAS, listou medidas de manutenção predial, dimensionou o quadro de servidores e as capacitações feitas para prevenir casos de assédio moral. Na fala, o presidente da FAS disse que alegações veiculadas em vídeos na internet estão sendo apuradas e afirma manter contratos, protocolos e ações permanentes para enfrentar problemas sanitários, estruturais e administrativos.

Nas últimas semanas, vídeos publicados em redes sociais questionaram a existência de pragas urbanas em unidades destinadas à população em situação de rua, como percevejos em alojamentos e ratos na área do Centro Pop Solidariedade, na praça Plínio Tourinho, no bairro Rebouças, próximo ao rio Belém. Também uma filmagem reportada como antiga pelo presidente da FAS, anterior à gestão atual, de criança sendo transportada carregada pela escadaria interna à Casa do Piá.

Trocamos beliches e colchões, afirmou presidente da FAS

Ao longo da exposição, Renan Rodrigues concentrou sua fala em medidas que, segundo ele, já vinham sendo executadas pela Fundação de Ação Social para o controle de pragas urbanas. “A gente tá eliminando todos aqueles beliches de madeira, trocando por estruturas metálicas”, disse. Ele também afirmou que a fundação tem realiizado a troca de colchões e prepara a vaporização dos ambientes, além de manter contratos regulares de dedetização e desratização. 

O presidente da FAS afirmou que “situações específicas podem, de fato, ocorrer”, mas contestou a ideia de que os problemas mostrados nos vídeos representem a rotina diária das unidades. “O que a gente não permite e não aceita que se diga é que isso ocorre todo dia”, declarou. Em outro momento, ao responder perguntas de vereadores, disse que a fundação possui contratos tanto para prevenção quanto para atendimento de urgências.

Parte da discussão girou em torno da atualidade das imagens que circularam na internet. Ao comentar o tema, Renan afirmou que alguns vídeos já eram conhecidos por equipes que atuaram em gestões anteriores e declarou que “o vídeo da escada, especificamente, eu até mostrei no slide que não correspondia com a questão atual”. No material institucional, ele mostrou que a unidade passou por obras de adaptação, logo a filmagem foi anterior à instalação de barras de apoio. “Não temos crianças com deficiência na unidade”, acrescentou.

Renan Rodrigues destaca capacitações contra assédio moral

No campo da gestão de pessoal, o presidente da FAS destacou o número de 619 educadores sociais em atividade e mencionou que espera ampliar o quadro em um futuro concurso público da Prefeitura de Curitiba. Renan Rodrigues disse que a fundação tem adotado medidas como curso sobre assédio moral, canal de comunicação direta com a presidência e o programa “Cuidando de Quem FAS”, voltado ao bem-estar dos servidores.

Em outro trecho da reunião, Renan disse que a gestão busca conciliar a abertura de novos serviços com a recuperação da estrutura já existente. “Não fechei nenhum CRAS nessa gestão”, afirmou, ao responder questionamentos sobre remanejamento de pessoal e funcionamento dos equipamentos. Na mesma linha, reiterou que episódios pontuais, quando identificados, são encaminhados por meio dos procedimentos administrativos e das instâncias de controle da administração municipal.

Questionamentos cobraram apuração, equipe e resposta às denúncias

Nas perguntas ao presidente da FAS, Professora Angela resumiu o tom da oposição ao afirmar que "esperava uma reunião voltada menos à apresentação institucional" e mais à discussão das denúncias que circularam nos últimos dias nas redes sociais. Camilla Gonda cobrou dados sobre déficit de psicólogos, assistentes sociais, pedagogos, cuidadores e pessoal de apoio, além de esclarecimentos sobre afastamentos, remanejamento de servidores, presença de ratos e percevejos e denúncias de assédio moral.

Vanda de Assis afirmou que também esperava uma discussão centrada nas denúncias e direcionou suas perguntas ao número de servidores, à relação entre condições de trabalho e adoecimento funcional e à articulação da FAS com outras políticas públicas, como a política sobre drogas. Mais adiante, Giorgia Prates disse que as imagens divulgadas não podem ser tratadas como irreais, afirmou ter visitado unidades e sustentou que os problemas relatados são graves e antigos. A vereadora também mencionou a possibilidade de instalação de uma CPI, por que as situações denunciadas “não vêm sendo resolvidas ao longo do tempo”.

No contraponto, Renan Rodrigues sustentou que a FAS tem contratos, equipes e procedimentos para prevenção e resposta a problemas nas unidades, repetiu que episódios pontuais podem ocorrer, mas rejeitou a ideia de que eles representem a rotina dos serviços. Ao responder ao bloco de perguntas, afirmou ainda que parte dos vídeos não retrataria a situação atual e que a gestão mantém ações de manutenção, controle de pragas, acompanhamento de servidores e apuração interna de denúncias. 

O presidente da FAS convidou os vereadores a agendarem reunião com ele na reunião, para continuar o debate sobre o atendimento da Fundação de Ação Social em Curitiba.