Seminário debate financiamento e situação dos profissionais da saúde

por Assessoria Comunicação publicado 08/11/2013 12h35, última modificação 21/09/2021 08h18

A Câmara Municipal sediou, nesta sexta-feira (8), o seminário Direito e Saúde, com foco nas condições de trabalho e financiamento do setor de saúde. Promovido pelo Sindesc (Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviço de Saúde de Curitiba e Região) e apoiado pelo vereador Jonny Stica (PT), o seminário reuniu gestores, profissionais e entidades representativas do setor de saúde.

Para a presidente do Sindesc, Isabel Cristina Gonçalves, a saúde tem, na prática, ficado em último lugar na pauta de preocupações da gestão pública. “É preciso analisar bem a conjuntura da saúde e pensar os rumos dos trabalhadores da área e da saúde em si”, afirmou. A opinião foi compartilhada pela presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Regina Perpetua Cruz, para quem o assédio moral é uma das maiores queixas dos trabalhadores da área de enfermagem. “Temos muitos profissionais com problemas de saúde, em especial saúde mental”, disse.

Segundo Stica, a Câmara Municipal recebe o sindicato com a confiança de sua atuação na sociedade e na defesa dos trabalhadores da saúde que, para o vereador, desempenham um papel social muito importante. “As manifestações das ruas mostraram a necessidade de se trabalhar pela saúde, independente de ser usuário ou não do SUS. Nosso país teve um avanço social significativo, e o objetivo é universalizar a educação e a saúde, por isso estamos juntos nessa missão”, defendeu.

As condições de trabalho dos profissionais da saúde também motivaram as palavras da vice-prefeita de Curitiba, Mirian Gonçalves. Para ela, é preciso atentar à precarização das condições de trabalho, ocasionadas em especial pela terceirização e quarteirização das contratações. No entanto, ponderou que a urgência em se resolver os problemas da saúde acabam gerando a situação que, embora não seja ideal, precisa de uma solução rápida.

“Os trabalhadores trabalham num sistema de muita pressão, em especial por causa das condições dadas aos pacientes. Quando falta médico, a pressão sobre os trabalhadores é muito forte, podemos ver isso quando profissionais chegam a ser agredidos”, ponderou.

Condições de trabalho


O número de profissionais e a dificuldade de se manter mão de obra permanente foram abordados pelo presidente do Seessi (Sindicato dos Empregados de serviços de Saúde de Irati), Mário Luiz Cordeiro. Para ele, o grande problema da enfermagem é o número grande de pacientes para atendimento e a redução dos profissionais da categoria. “Enquanto a população cresce e o atendimento aumenta, o número de profissionais vem diminuindo por causa dos salários baixos, da vida estressante e condições de trabalho. Por isso, procuram empresas que pagam melhor e oferecem qualidade de vida”, destacou.

A diretora da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Seguridade Social, Claudia Santos, afirmou que os profissionais têm passado por um ritmo de trabalho cada vez maior. Somado a isso, Claudia aponta o assédio moral entre gestor e trabalhador e entre os próprios trabalhadores. “Essa situação é muito cruel. O trabalhador adoece diante dessa prática e acaba sendo criminalizado ao apresentar um atestado, por exemplo. Temos um olhar caridoso com o paciente, mas preconceituoso contra o nosso colega”, afirmou.

Os contratos de trabalho com os profissionais médicos também foi debatido. Para a diretora do Simepar (Sindicato dos Médicos do Paraná), Claudia Aguiar, a falta de estrutura em hospitais, públicos ou privados, é um dos motivos que afastam os médicos de determinados postos de trabalho. Segundo Claudia Aguiar, o médico tem sido visto como inimigo público e culpado por todas as mazelas e falta de atendimento sofridos pela sociedade. Existe falta de pessoal em todas as áreas, porque não se faz saúde com um só profissional. Além disso, nossa categoria não dispõe de contratos de trabalho”, acrescentou.

Para o advogado trabalhista e sindical, Joelcio Flaviano Niels, o mundo vive uma época de quebra de paradigmas, sendo necessário rever o sistema de atendimento à saúde. Em sua fala, o sistema tem causado uma alta rotatividade dos trabalhadores, com uma taxa de quase 50% em um ano. “O que mais nos chama a atenção foram os 2.733 pedidos de demissão de trabalhadores no último ano”.

Financiamento


No período da tarde, foi debatido sobre o financiamento dos serviços de saúde, tanto no âmbito público quanto privado. A mesa foi orientada por Izabel Cristina Gonçalves, presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde e Região (Sindesc) e contou com a participação de Dulcimar de Conto, vice-presidente da Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge – PR/SC); Philipe Fabrício de Mello, advogado que falou em nome do Sindicato dos Hospitais e Estabelecimentos de Serviços de Saúde no Estado do Paraná (Sindipar); Inês Marty, coordenadora de informação em Saúde da Secretaria Municipal, representando o secretário Adriano Massuda; e Cid Cordeiro Silva, assessor econômico do gabinete da vice-prefeita Mirian Gonçalves.