Programa Curitiba Cinema tem voto contrário da Comissão de Educação

por Pedritta Marihá Garcia | Revisão: Ricardo Marques — publicado 07/04/2026 10h55, última modificação 07/04/2026 11h13
Mesmo com parecer contrário, o projeto de lei de Angelo Vanhoni (PT) segue tramitando na Câmara de Curitiba.
Programa Curitiba Cinema tem voto contrário da Comissão de Educação

Uma única proposta de lei não foi votada pelo grupo, porque recebeu pedido de vista regimental. (Foto: Rodrigo Fonseca/CMC)

Da lista de 20 iniciativas analisadas pela Comissão de Educação, Turismo, Cultura, Esporte e Lazer da Câmara Municipal de Curitiba (CMC) apenas um item recebeu parecer contrário do colegiado. Trata-se da matéria que propõe a criação do Programa Curitiba Cinema, com o objetivo de fortalecer a política pública voltada ao audiovisual da capital paranaense. Apesar do posicionamento do grupo, o texto seguirá tramitando no Legislativo.

A iniciativa é de Angelo Vanhoni (PT) e estabelece diretrizes para estimular a criação de filmes, documentários e outras produções audiovisuais realizadas por profissionais com atuação em Curitiba. Também prevê o incentivo à exibição de obras locais, paranaenses e nacionais, com foco na diversidade cultural e no debate social (005.00192.2025, com substitutivo geral 031.00186.2025).

Entre as ações previstas estão o apoio à realização de festivais, mostras, cineclubes e outros eventos culturais, além da criação e ampliação de espaços públicos de exibição. A proposta também destaca a importância de garantir acesso democrático e, sempre que possível, gratuito às produções audiovisuais, ampliando o alcance da cultura cinematográfica na cidade.

O projeto de lei chegou a constar na pauta do colegiado na última reunião, de 23 de março, mas não chegou a ser votada porque Professora Angela (PSOL) pediu vista regimental. Antes disso, em novembro passado, o relator, Guilherme Kilter (Novo), indicou a devolução do texto ao autor para ajustes. Nesta semana, após solicitar mais tempo para análise, a vereadora apresentou voto em separado, pela tramitação regimental. No entanto, o relatório foi rejeitado pela comissão.

Angela considerou que a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) atestou a constitucionalidade da matéria após as adequações técnicas, ou seja, após o substitutivo geral apresentado. A parlamentar também analisou que o projeto de lei “não cria obrigações imediatas ou aumento de despesa, limitando-se a diretrizes que respeitam a separação de poderes” e que o “tema é de alta relevância cultural e social para a capital paranaense”.

A maioria da Comissão de Educação acompanhou o voto contrário de Kilter. No parecer, o vereador destacou que a Prefeitura, ao ser consultada sobre a matéria, informou que Curitiba já conta com o Programa de Apoio, Fomento e Incentivo à Cultura de Curitiba (Paficc) e que a Secretaria Municipal da Educação (SME) “se manifestou contrária à proposta, apontando que a efetivação do programa demandaria logística complexa, o que é um obstáculo a ser levado em consideração”. “Isso porque o maior diferencial do projeto, conforme alega a proposição, seria a interação com a rede educacional, eis que as demais ações já estão contempladas de certo modo nas políticas vigentes”, acrescenta.

O parecer contrário do colegiado é apenas orientativo ao plenário, quando o texto chegar à votação. A próxima etapa é a análise do Programa Curitiba Cinema pela Comissão de Serviço Público.

Medidas contra violência escolar seguem tramitando

Das iniciativas que foram aprovadas, 11 foram liberadas para votação em plenário, e uma delas avançou na tramitação, seguindo para a análise da Comissão de Direitos Humanos, Defesa da Cidadania, Segurança Pública e Minorias. A matéria é de Guilherme Kilter (Novo) e prevê medidas administrativas, fluxo de denúncia e penalidades em situações de violência escolar em Curitiba (005.00721.2025).

O projeto estabelece que casos de agressão física ou verbal contra profissionais da Educação, dentro ou fora do ambiente escolar, mas relacionados ao exercício da função, deverão ser formalmente registrados e encaminhados à direção, ao Núcleo Regional de Educação e aos órgãos de segurança pública. Dependendo da gravidade, a proposta prevê sanções administrativas, multas e encaminhamento obrigatório do agressor ou responsável legal ao Conselho Tutelar.

O texto foi relatado por Bruno Secco (Republicanos). No relatório favorável, o vereador analisou que os mecanismos de responsabilização previstos no projeto “reforçam a ideia de corresponsabilidade na formação e disciplina dos estudantes”. “Trata-se, portanto, de iniciativa que busca conferir resposta normativa proporcional a situações de violência, sem afastar a necessária articulação com o ordenamento jurídico já existente”, complementa o voto.

Vista regimental segura projeto sobre liberdade religiosa nas escolas

A única iniciativa que não foi votada pelo colegiado de Educação nesta semana é a de Meri Martins (Republicanos) que regulamenta o uso de espaços escolares por estudantes interessados em realizar atividades ou estudos de conteúdo religioso (005.00702.2025). A proposta elenca diretrizes para o exercício da liberdade religiosa no ambiente escolar e determina que a participação dos estudantes deve ser espontânea e sem coerção, proibindo práticas de prospecção ativa, aliciamento ou indução religiosa.

O texto não foi analisado porque Professora Angela pediu vista, ou seja, mais tempo para analisar a matéria. O prazo regimental das vistas é de quatro dias, então a proposição retornará à pauta na próxima reunião da comissão, daqui a 15 dias, visto que o colegiado se reúne quinzenalmente. É facultado a quem pede vista regimental, se assim desejar, protocolar voto em separado, divergindo do relator designado. Em geral, o voto do relator está disponível para consulta pela internet no Sistema de Proposições Legislativas.

O que faz a Comissão de Educação?

Este colegiado é responsável por analisar propostas relacionadas à educação, turismo, patrimônio cultural, esportes, lazer e homenagens cívicas em Curitiba. Ele é formado por cinco vereadores: Guilherme Kilter, presidente; Renan Ceschin (Pode), vice-presidente; Bruno Secco, Meri Martins e Professora Angela. As agendas acontecem às segundas-feiras, às 15h, na Sala das Comissões, de forma quinzenal.