Na Câmara de Curitiba, presidente do Sismmac defende pautas do Magistério
Com espaço na Tribuna Livre, Câmara mantém diálogo com Sindicato do Magistério Municipal de Curitiba (Sismmac). (Foto: Rodrigo Fonseca/CMC)
Espaço democrático de debates do Plenário, a Tribuna Livre da Câmara Municipal de Curitiba recebeu, na sessão desta quarta-feira (1º), a presidente do Sindicato do Magistério Municipal de Curitiba (Sismmac), Diana Cristina de Abreu. A convite do vereador Angelo Vanhoni (PT), ela apresentou pautas pela valorização da categoria. “Nós precisamos estar inseridos no Orçamento da cidade, e é por isso que os professores municipais, em assembleia dia 19 março, decidiram por iniciar uma greve no dia 8 de abril”, afirmou.
Na avaliação de Abreu, a Prefeitura de Curitiba tem capacidade orçamentária, mas faltaria “vontade política”. Ela questionou, por exemplo, o impacto de mensagem do Executivo que prevê reajuste escalonado do vencimento básico dos auditores fiscais, criação de gratificação vinculada à Reforma Tributária e alteração em normas da carreira e da aposentadoria desses servidores. Protocolado no dia 11 de março, o projeto de lei aguarda a instrução jurídica (005.00100.2026).
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Pedindo o apoio dos vereadores para a assinatura de carta-compromisso a ser entregue à Prefeitura de Curitiba, a presidente do Sismmac apontou, entre outras demandas, a ampliação das vagas para o crescimento vertical de carreira (por titulação), políticas universais de vale-transporte e de auxílio-alimentação, a reposição do déficit de professores em sala de aula e a garantia de profissionais de apoio aos alunos com deficiência e neurodivergências. “Não há futuro sem educação de qualidade, e não há educação de qualidade sem professoras valorizadas, sem professoras felizes”, finalizou.
Apoio às demandas do Magistério
Na saudação da Tribuna Livre, Vanhoni destacou o currículo da debatedora, que é servidora da rede municipal de ensino há 26 anos, graduada em Ciências Sociais e doutora em Políticas Educacionais pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). “O sindicato nada mais é do que uma associação em torno do bem comum, [...] o sindicato representa os interesses de Curitiba, do futuro da nossa cidade”, disse o vereador. “O importante é não perder o foco que a gente está lutando, que é a educação.”
Em resposta a um dos questionamentos apresentado por Angelo Vanhoni, sobre o Piso da Educação, Diana de Abreu comentou que cidades da Região Metropolitana de Curitiba têm salários mais atrativos que os da capital. Já à vereadora Professora Angela (PSOL), a dirigente sindical reiterou a capacidade orçamentária do Município. De acordo com ela, R$ 72 milhões a mais contemplariam todos os inscritos no crescimento vertical, ao invés das 2.308 vagas abertas para o procedimento.
Reforçando o apoio à paralisação, Laís Leão (PDT) reforçou o problema da falta de valorização universal para acelerar o crescimento vertical. “Dia 8 é rua, porque se é grave, é greve”, disse Giorgia Prates - Mandata Preta (PT). Vanda de Assis (PT) garantiu apoio à carta-compromisso. Marcos Vieira (PDT) também se solidarizou às demandas do Magistério.
Já a líder da Oposição, Camilla Gonda (PSB), criticou a declaração de que a greve seria “estratégia política por ano eleitoral”. “A nossa greve é uma ação sindical, que dialoga com a categoria. Eu não estava sozinha [na assembleia], tinha mais de mil professores lá, [...] a nossa trajetória é em defesa da escola pública”, respondeu a presidente do Sismmac.
Último vereador a participar do debate, Eder Borges (PL) pediu que o Sismmac repense a greve com a análise que ”as mulheres, as mães, não têm culpa, as crianças não têm culpa”. “Se não está bom, vão para a iniciativa privada, que é o que eu defendo”, prosseguiu, entre outras questões abordadas. “As professoras também não têm culpa”, mencionou Abreu.
Interlocução com o Executivo
“A Câmara Municipal de Curitiba sempre esteve à disposição para buscar o diálogo”, lembrou o presidente Tico Kuzma (PSD), em referência à reunião, na manhã desta segunda (30), antes da sessão plenária, em que o vereador e o líder do Governo, Serginho do Posto (PSD), receberam dirigentes do Sismmac. “Sabemos que já tivemos avanços dentro das pautas colocadas”, observou.
A pedido de Kuzma, Abreu confirmou que a Prefeitura se comprometeu a implantar o Descongela, a partir de lei federal sancionada em janeiro deste ano, para o pagamento retroativo de direitos suspensos durante a pandemia da covid-19, de benefícios como o tempo de serviço e a licença-prêmio. Outro avanço, afirmou, foi o compromisso de lançar mais um edital de concurso público. Ainda em resposta ao presidente da CMC, a oradora da Tribuna Livre elencou, como principais pautas do Sismmac, a ampliação do vale-alimentação e do crescimento vertical.
“Há interesse da gestão em melhorar, dia a dia, a Educação”, garantiu Serginho do Posto. O líder do Governo reiterou o compromisso do prefeito Eduardo Pimentel em cumprir as metas assumidas pela gestão e defendeu que as vagas para o crescimento vertical do Magistério contemplam 40% dos inscritos. Como procuradora-adjunta da Mulher e segunda-vice-líder do Executivo, Rafaela Lupion (PSD) elogiou Diana de Abreu pela defesa da categoria, mas reafirmou que as responsabilidades assumidas pela gestão serão atendidas.
Continuidade das conversas
Após a Tribuna Livre, o presidente Tico Kuzma e o vereador Serginho do Posto receberam, na Presidência da CMC, a presidente do Sismmac, Diana Cristina de Abreu, acompanhada das diretoras Suzana Pivato, 1ª secretária, e Marina de Godoy, da Secretaria de Imprensa e Divulgação. O encontro foi dedicado ao diálogo entre os vereadores e o sindicato sobre a continuidade das negociações com a Prefeitura.
*Notícia revisada pelo estudante de Letras Gabriel Kummer
Supervisão do estágio: Ricardo Marques
Reprodução do texto autorizada mediante citação da Câmara Municipal de Curitiba