Na Câmara de Curitiba, presidente do Sismmac defende pautas do Magistério

por Fernanda Foggiato e Diogo Dreyer | Revisão: Gabriel Kummer* — publicado 01/04/2026 15h30, última modificação 01/04/2026 16h03
Presidente do Sismmac, professora Diana de Abreu, participou da Tribuna Livre da Câmara de Curitiba.
Na Câmara de Curitiba, presidente do Sismmac defende pautas do Magistério

Com espaço na Tribuna Livre, Câmara mantém diálogo com Sindicato do Magistério Municipal de Curitiba (Sismmac). (Foto: Rodrigo Fonseca/CMC)

Espaço democrático de debates do Plenário, a Tribuna Livre da Câmara Municipal de Curitiba recebeu, na sessão desta quarta-feira (1º), a presidente do Sindicato do Magistério Municipal de Curitiba (Sismmac), Diana Cristina de Abreu. A convite do vereador Angelo Vanhoni (PT), ela apresentou pautas pela valorização da categoria. “Nós precisamos estar inseridos no Orçamento da cidade, e é por isso que os professores municipais, em assembleia dia 19 março, decidiram por iniciar uma greve no dia 8 de abril”, afirmou.

Na avaliação de Abreu, a Prefeitura de Curitiba tem capacidade orçamentária, mas faltaria “vontade política”. Ela questionou, por exemplo, o impacto de mensagem do Executivo que prevê reajuste escalonado do vencimento básico dos auditores fiscais, criação de gratificação vinculada à Reforma Tributária e alteração em normas da carreira e da aposentadoria desses servidores. Protocolado no dia 11 de março, o projeto de lei aguarda a instrução jurídica (005.00100.2026).

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Pedindo o apoio dos vereadores para a assinatura de carta-compromisso a ser entregue à Prefeitura de Curitiba, a presidente do Sismmac apontou, entre outras demandas, a ampliação das vagas para o crescimento vertical de carreira (por titulação), políticas universais de vale-transporte e de auxílio-alimentação, a reposição do déficit de professores em sala de aula e a garantia de profissionais de apoio aos alunos com deficiência e neurodivergências. “Não há futuro sem educação de qualidade, e não há educação de qualidade sem professoras valorizadas, sem professoras felizes”, finalizou.

Apoio às demandas do Magistério

Na saudação da Tribuna Livre, Vanhoni destacou o currículo da debatedora, que é servidora da rede municipal de ensino há 26 anos, graduada em Ciências Sociais e doutora em Políticas Educacionais pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). “O sindicato nada mais é do que uma associação em torno do bem comum, [...] o sindicato representa os interesses de Curitiba, do futuro da nossa cidade”, disse o vereador. “O importante é não perder o foco que a gente está lutando, que é a educação.”

Em resposta a um dos questionamentos apresentado por Angelo Vanhoni, sobre o Piso da Educação, Diana de Abreu comentou que cidades da Região Metropolitana de Curitiba têm salários mais atrativos que os da capital. Já à vereadora Professora Angela (PSOL), a dirigente sindical reiterou a capacidade orçamentária do Município. De acordo com ela, R$ 72 milhões a mais contemplariam todos os inscritos no crescimento vertical, ao invés das 2.308 vagas abertas para o procedimento. 

Reforçando o apoio à paralisação, Laís Leão (PDT) reforçou o problema da falta de valorização universal para acelerar o crescimento vertical. “Dia 8 é rua, porque se é grave, é greve”, disse Giorgia Prates - Mandata Preta (PT). Vanda de Assis (PT) garantiu apoio à carta-compromisso. Marcos Vieira (PDT) também se solidarizou às demandas do Magistério.

Já a líder da Oposição, Camilla Gonda (PSB), criticou a declaração de que a greve seria “estratégia política por ano eleitoral”. “A nossa greve é uma ação sindical, que dialoga com a categoria. Eu não estava sozinha [na assembleia], tinha mais de mil professores lá, [...] a nossa trajetória é em defesa da escola pública”, respondeu a presidente do Sismmac.

Último vereador a participar do debate, Eder Borges (PL) pediu que o Sismmac repense a greve com a análise que ”as mulheres, as mães, não têm culpa, as crianças não têm culpa”. “Se não está bom, vão para a iniciativa privada, que é o que eu defendo”, prosseguiu, entre outras questões abordadas. “As professoras também não têm culpa”, mencionou Abreu.

Interlocução com o Executivo

“A Câmara Municipal de Curitiba sempre esteve à disposição para buscar o diálogo”, lembrou o presidente Tico Kuzma (PSD), em referência à reunião, na manhã desta segunda (30), antes da sessão plenária, em que o vereador e o líder do Governo, Serginho do Posto (PSD), receberam dirigentes do Sismmac. “Sabemos que já tivemos avanços dentro das pautas colocadas”, observou.

A pedido de Kuzma, Abreu confirmou que a Prefeitura se comprometeu a implantar o Descongela, a partir de lei federal sancionada em janeiro deste ano, para o pagamento retroativo de direitos suspensos durante a pandemia da covid-19, de benefícios como o tempo de serviço e a licença-prêmio. Outro avanço, afirmou, foi o compromisso de lançar mais um edital de concurso público. Ainda em resposta ao presidente da CMC, a oradora da Tribuna Livre elencou, como principais pautas do Sismmac, a ampliação do vale-alimentação e do crescimento vertical.

“Há interesse da gestão em melhorar, dia a dia, a Educação”, garantiu Serginho do Posto. O líder do Governo reiterou o compromisso do prefeito Eduardo Pimentel em cumprir as metas assumidas pela gestão e defendeu que as vagas para o crescimento vertical do Magistério contemplam 40% dos inscritos. Como procuradora-adjunta da Mulher e segunda-vice-líder do Executivo, Rafaela Lupion (PSD) elogiou Diana de Abreu pela defesa da categoria, mas reafirmou que as responsabilidades assumidas pela gestão serão atendidas.

Continuidade das conversas 

Após a Tribuna Livre, o presidente Tico Kuzma e o vereador Serginho do Posto receberam, na Presidência da CMC, a presidente do Sismmac, Diana Cristina de Abreu, acompanhada das diretoras Suzana Pivato, 1ª secretária, e Marina de Godoy, da Secretaria de Imprensa e Divulgação. O encontro foi dedicado ao diálogo entre os vereadores e o sindicato sobre a continuidade das negociações com a Prefeitura.

Sismmac, Tico e Serginho

*Notícia revisada pelo estudante de Letras Gabriel Kummer
Supervisão do estágio: Ricardo Marques