Curitiba participa de fórum internacional sobre Desenvolvimento Sustentável
Evento contou com mais de 1,2 mil pessoas, entre as quais 120 delegados de governo e 500 representantes da sociedade civil, academia, setor privado e organismos internacionais. (Foto: Divulgação)
Entre os dias 13 e 16 de abril, o vereador Tico Kuzma (PSD), presidente da Câmara Municipal de Curitiba (CMC), participou do 9º Fórum dos Países da América Latina e do Caribe sobre o Desenvolvimento Sustentável, realizado em Santiago, no Chile. O encontro, sediado na Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), reuniu governos, organismos internacionais e sociedade civil para avaliar os avanços na implementação da Agenda 2030 na região.
O evento contou com mais de 1,2 mil pessoas, entre as quais 120 delegados de governo e 500 representantes da sociedade civil, academia, setor privado e organismos internacionais. No total, foram realizadas cerca de 15 sessões plenárias e mais de 50 eventos paralelos. Em um documento de conclusões de 129 pontos, aprovado ao término da reunião, os delegados reconheceram que cada país é o principal responsável por seu próprio desenvolvimento sustentável e pela avaliação dos avanços dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) nos âmbitos local, nacional e mundial.
De acordo com Tico Kuzma, que representou Curitiba no evento, a participação no fórum é relevante pois permite que a cidade — já reconhecida pela busca permanente por soluções inovadoras — acompanhe tendências e compartilhe experiências que dialoguem com os desafios urbanos. “Conseguimos fortalecer o intercâmbio institucional e aproximar Curitiba de debates internacionais que inspiram a construção de políticas públicas comprometidas com o desenvolvimento sustentável e a qualidade de vida da população”, afirmou.
>> Leia também: Agenda internacional promove cooperação entre Curitiba e Assunção
Urgência e transformação social
Com a proximidade do prazo final da Agenda 2030, o Fórum reforçou a necessidade de acelerar a implementação de políticas concretas frente às
desigualdades globais. Como destacou a vice-secretária-geral da ONU, Amina Mohammed, “o relógio está correndo”, exigindo que compromissos multilaterais sejam transformados em resultados reais. Nesse cenário, o secretário-executivo da Cepal, José Manuel Salazar-Xirinachs, reiterou que a Agenda 2030 “é uma agenda de transformação da sociedade”, tornando-se ainda mais necessária diante das atuais crises internacionais.
Conforme o site da Cepal, foi apresentado o nono relatório sobre o progresso regional, intitulado Agenda 2030 na América Latina e no Caribe: como acelerar o passo para seu cumprimento na nova era de incerteza e fragmentação geopolítica?. O documento adverte que, no ritmo atual:
-
Apenas 19% das metas seriam alcançadas em 2030 na região;
-
42% avançam na direção correta, mas de forma lenta;
-
39% encontram-se em situação de estagnação ou retrocesso em comparação a 2015.
Apesar dos dados, Salazar-Xirinachs instou os participantes a não cederem ao pessimismo: “Em 6 de cada 10 metas estamos progredindo. Por isso é preciso acreditar e seguir trabalhando. Hoje peço que guardem o sentimento que se respira nesta sala — a convicção, a determinação — porque não será fácil acelerar o passo, mas é possível e necessário”.
Outros debates importantes no Fórum
Os debates enfatizaram a proteção social e a sustentabilidade fiscal como eixos integrados para promover a autonomia econômica e o trabalho digno. Paralelamente, a transição energética justa ganhou destaque como necessidade estratégica, com o diretor-geral da Agência Internacional para as Energias Renováveis (IRENA), Francesco La Camera, resumindo que as energias renováveis “não são mais uma opção, mas uma necessidade”. O Fórum também apontou a transformação digital e a inteligência artificial como ferramentas para otimizar a gestão pública, desde que utilizadas de forma ética para reduzir abismos sociais.
O que é a Agenda 2030?
A Agenda 2030 é um compromisso global firmado por 193 Estados-membros da Organização das Nações Unidas (ONU) em 2015. O documento estabelece diretrizes para um novo modelo de desenvolvimento sustentável nas dimensões econômica, social e ambiental, respeitando as prioridades de cada localidade. Esse planejamento é operacionalizado pelos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que reúnem metas voltadas à erradicação da pobreza, à proteção do planeta e à garantia de paz.
Reprodução do texto autorizada mediante citação da Câmara Municipal de Curitiba