Câmara aprova em 1º turno política de alerta para alagamentos em Curitiba

por José Lázaro Jr. | Revisão: Gabriel Kummer* — publicado 31/03/2026 12h50, última modificação 31/03/2026 15h25
Projeto de Guilherme Kilter prevê mapa de risco, divulgação de obras de drenagem e avisos à população em Curitiba.
Câmara aprova em 1º turno política de alerta para alagamentos em Curitiba

Guilherme Kilter teve apoio de todas as bancadas para aprovar alerta de enchentes em Curitiba. (Fotos: Rodrigo Fonseca/CMC)

A Câmara Municipal de Curitiba (CMC) aprovou, em primeiro turno, na sessão desta terça-feira (31), o projeto de lei que cria a Política Municipal de Monitoramento de Riscos Hidrológicos e Geológicos. De autoria de Guilherme Kilter (Novo), a proposta foi aprovada por unanimidade, com 27 votos favoráveis, na forma de um substitutivo geral (005.00199.2025 com 031.00037.2026).

O projeto organiza, em lei, a divulgação de informações sobre áreas sujeitas a inundações, enchentes e ocorrências geológicas, além de prever a publicidade das obras de drenagem em andamento no Município. A proposta também estabelece protocolos de alerta preventivo à população, com disparo de mensagens de alerta por celular.

A prefeitura vai poder enviar notificação desses aplicativos para todo mundo, falando: ‘Olha, tem uma tempestade chegando, tem risco de alagamento em tal bairro, tome cuidado aí no seu bairro’. A população consegue se prevenir, e o poder público ajuda a população nesse quesito. É mais planejamento para todo mundo, é mais segurança para os bairros, é mais segurança para a população e mais transparência para o poder público", resumiu Kilter.

Proposta torna públicos dados ambientais de Curitiba

Pelo substitutivo, o Executivo deverá disponibilizar, no portal oficial de transparência, um mapa de riscos com base em estudos técnicos, no Plano Diretor de Drenagem, em registros da Central 156 e em outras bases correlatas. As informações sobre obras de drenagem deverão indicar localização, estágio de execução, prazo, cronograma atualizado e dotação orçamentária aplicada.

O projeto também prevê que o sistema de alerta seja estruturado com prioridade para as plataformas digitais municipais e para o envio de avisos pelos aplicativos oficiais da Prefeitura. O texto ainda menciona a integração com a tecnologia de transmissão por célula, o chamado cell broadcast, e a articulação com a Defesa Civil Estadual.

Ao defender a proposta em plenário, Guilherme Kilter (Novo) relacionou a iniciativa ao agravamento dos eventos climáticos extremos e à necessidade de dar mais previsibilidade à população. “A nós cabe a fiscalização, cabe a transparência, cabe a previsibilidade e a segurança”, afirmou o autor, ao sustentar que a atuação do Legislativo, nesse tema, passa pela organização e pela divulgação das informações públicas.

Debate reuniu apoio de diferentes bancadas

Durante a discussão, Laís Leão (PDT) classificou enchentes e alagamentos como um dos temas mais urgentes da cidade e associou o projeto ao desafio de construir uma Curitiba mais resiliente diante da crise climática. A vereadora defendeu mais transparência, mais diálogo com a população e avanço em obras de drenagem e em soluções urbanas de prevenção.

Serginho do Posto (PSD) observou que parte das medidas já existe na prática, mas avaliou que a proposta inova ao organizar e ampliar a divulgação dessas informações. Ele citou a existência de 15 estações meteorológicas e hidrológicas em Curitiba e ressaltou que o projeto contribui para integrar os dados e facilitar o acesso da população aos alertas e às informações sobre drenagem.

Indiara Barbosa (Novo) afirmou que seu mandato encontrou dificuldade para localizar dados atualizados sobre áreas alagáveis, ao estudar outra proposta relacionada ao tema. Para a vereadora, o projeto reforça a transparência e cria uma base mais clara para o acompanhamento das enchentes e das áreas de risco.

A vereadora Delegada Tathiana Guzella (União) comparou a medida a uma proposta de sua autoria voltada à comunicação de casos de desaparecimento e destacou a necessidade de integração entre sistemas municipais e estaduais para que esse tipo de alerta funcione. Fernando Klinger (PL), ao apoiar a iniciativa, resumiu o problema com uma frase de efeito: “Qual foi a pior chuva que a gente já passou? A próxima.

Também se manifestaram favoravelmente Marcos Vieira (PDT), Renan Ceschin (Pode), Lórens Nogueira (PP), Zezinho Sabará (PSD) e Toninho da Farmácia (PSD). Nas falas, os vereadores combinaram apoio ao sistema de alerta com relatos de enchentes em bairros e regiões da cidade, além de defesa de obras estruturais e ações preventivas.

Justificativas de voto reforçaram a transparência

Na justificativa de voto, Giorgia Prates (PT) disse que apoiou o projeto “pela cidade” e associou a proposta à proteção de famílias que vivem em áreas vulneráveis. Para ela, “transparência não é um detalhe, é uma ferramenta de sobrevivência pra muita gente”.

Camilla Gonda (PSB) avaliou que a proposição tem caráter programático, por transformar em política pública práticas que já vêm sendo adotadas pelo poder público. Na opinião da vereadora, esse tipo de normatização ajuda a preservar instrumentos importantes ao longo do tempo, para que não fiquem restritos a uma decisão de governo.

O substitutivo geral aprovado em plenário reformulou a redação da proposta original. Em vez de tratar apenas da política de informação e transparência sobre enchentes, o novo texto passou a instituir uma política municipal de monitoramento de riscos hidrológicos e geológicos, com protocolos de alerta e divulgação de obras de drenagem. A justificativa do substitutivo registra que a mudança decorreu de “aperfeiçoamento técnico e operacional da proposição, após articulação com diferentes órgãos do Poder Executivo Municipal”.

Se aprovada em segundo turno e sancionada, a futura lei entrará em vigor 90 dias após a publicação.

*Notícia revisada pelo estudante de Letras Gabriel Kummer
Supervisão do estágio: Ricardo Marques