Associação de Acolhimento Rancho dos Profetas será de Utilidade Pública
Sargento Tânia Guerreiro defendeu a aprovação da Declaração de Utilidade Pública à associação, que presta assistência a dependentes químicos. (Foto: Carlos Costa/CMC)
A Declaração de Utilidade Pública Municipal à Associação de Acolhimento Rancho dos Profetas foi aprovada pela Câmara Municipal de Curitiba (CMC) nesta quarta-feira (20). De autoria de Sargento Tânia Guerreiro (Pode), a matéria foi aprovada com 22 votos favoráveis, unanimidade no momento da deliberação, que aconteceu em primeiro turno. Agora, a entidade poderá firmar convênios com o Poder Público para o repasse de recursos, que ajudarão na manutenção de seus projetos sociais.
A organização sem fins lucrativos atua no acolhimento voluntário de pessoas com problemas relacionados ao uso abusivo de álcool e outras drogas. Fundada em 2016, a associação mantém uma sede em Mandirituba e uma unidade administrativa em Curitiba, no bairro Novo Mundo. Segundo o relatório de atividades anexado ao projeto, a instituição atende homens entre 18 e 59 anos e possui capacidade para acolher até 58 pessoas em regime integral.
A proposta terapêutica é voltada à recuperação integral de dependentes químicos, com acompanhamento psicológico, terapêutico, psiquiátrico, social e espiritual. O trabalho também busca promover a reinserção social e o fortalecimento de vínculos familiares fragilizados pelo uso de substâncias psicoativas. “Quando tem um dependente químico na família, todos sofrem. E essa recuperação é importantíssima, esse apoio, esse acolhimento”, disse a parlamentar, em plenário.
Atendimento multidisciplinar e reinserção social
O estatuto da Associação de Acolhimento Rancho dos Profetas prevê o acolhimento institucional de pessoas em situação de vulnerabilidade social, inclusive aquelas com vínculos familiares rompidos ou em situação de rua. Entre as finalidades da organização estão a promoção da saúde, a prevenção ao uso de drogas, o fortalecimento da autonomia dos acolhidos e a ressocialização dos pacientes (014.00103.2025).
A instituição possui uma equipe multidisciplinar formada por psicólogos, terapeutas, assistente social, monitores, farmacêuticos e coordenadores, além de voluntários ligados às atividades espirituais e de apoio social. O acolhimento é voluntário e pode durar de seis a nove meses, com atividades terapêuticas individuais e em grupo, reuniões familiares, oficinas educativas e ações de capacitação profissional.
Entre as atividades promovidas pela associação estão cursos de cuidador de idosos, manipulação de alimentos, panificação, produção de geleias e compotas, além de oficinas de inteligência emocional, comunicação não violenta e informática. Os acolhidos também participam de ações recreativas e esportivas, como corridas de rua, jogos de futebol, campeonatos de xadrez e atividades culturais.
Segundo a entidade, essas iniciativas buscam estimular o convívio coletivo, a autoestima e o protagonismo social dos participantes. Em 2024, conforme o relatório anexado ao projeto, a Associação de Acolhimento Rancho dos Profetas informou ter atendido diretamente 488 pessoas e, de forma indireta, cerca de 2,4 mil familiares.
“Reconhecer o Rancho dos Profetas como de Utilidade Pública é a valorização de uma instituição que transforma vidas, restaura famílias e devolve a dignidade a pessoas que buscam uma nova oportunidade. Porque a droga destrói, ela destrói a alma, o físico. E se a gente não dá apoio, a gente perde a pessoa”, continuou Sargento Tânia Guerreiro. A vereadora agradeceu a presença de dirigentes da instituição que acompanharam a votação, entre eles o pastor Darci Schmidt Hort, presidente.
Favorável à iniciativa, Amália Tortato (Novo) explicou que a entidade é uma comunidade terapêutica que tem parceria com a Prefeitura de Curitiba e com o Governo do Paraná. “Eles fazem um trabalho incrível. Certamente ajudam e vão continuar ajudando, cada dia mais, a combater esse mal, que é a dependência química”, completou. O projeto ainda precisa passar por nova votação na próxima segunda-feira (25), antes de estar pronto para sanção prefeitoral.
Emitida pela CMC, a Utilidade Pública serve como um atestado de bons antecedentes, facilitando a realização de convênios com o poder público. A concessão do título é regulamentada pela lei complementar municipal 117/2020, que coloca como condições a prestação de serviços de interesse da população, a sede na cidade, a documentação em dia e a apresentação de relatório de atividades.
*Notícia revisada pelo estudante de Letras Gabriel Kummer
Supervisão do estágio: Ricardo Marques
Reprodução do texto autorizada mediante citação da Câmara Municipal de Curitiba