Associação de Acolhimento Rancho dos Profetas será de Utilidade Pública

por Pedritta Marihá Garcia | Revisão: Gabriel Kummer* — publicado 20/05/2026 13h50, última modificação 20/05/2026 14h40
Projeto de lei da vereadora Sargento Tânia Guerreiro (Pode) foi aprovado em primeiro turno pela Câmara de Curitiba.
Associação de Acolhimento Rancho dos Profetas será de Utilidade Pública

Sargento Tânia Guerreiro defendeu a aprovação da Declaração de Utilidade Pública à associação, que presta assistência a dependentes químicos. (Foto: Carlos Costa/CMC)

A Declaração de Utilidade Pública Municipal à Associação de Acolhimento Rancho dos Profetas foi aprovada pela Câmara Municipal de Curitiba (CMC) nesta quarta-feira (20). De autoria de Sargento Tânia Guerreiro (Pode), a matéria foi aprovada com 22 votos favoráveis, unanimidade no momento da deliberação, que aconteceu em primeiro turno. Agora, a entidade poderá firmar convênios com o Poder Público para o repasse de recursos, que ajudarão na manutenção de seus projetos sociais.

A organização sem fins lucrativos atua no acolhimento voluntário de pessoas com problemas relacionados ao uso abusivo de álcool e outras drogas. Fundada em 2016, a associação mantém uma sede em Mandirituba e uma unidade administrativa em Curitiba, no bairro Novo Mundo. Segundo o relatório de atividades anexado ao projeto, a instituição atende homens entre 18 e 59 anos e possui capacidade para acolher até 58 pessoas em regime integral.

A proposta terapêutica é voltada à recuperação integral de dependentes químicos, com acompanhamento psicológico, terapêutico, psiquiátrico, social e espiritual. O trabalho também busca promover a reinserção social e o fortalecimento de vínculos familiares fragilizados pelo uso de substâncias psicoativas. “Quando tem um dependente químico na família, todos sofrem. E essa recuperação é importantíssima, esse apoio, esse acolhimento”, disse a parlamentar, em plenário. 

Atendimento multidisciplinar e reinserção social

O estatuto da Associação de Acolhimento Rancho dos Profetas prevê o acolhimento institucional de pessoas em situação de vulnerabilidade social, inclusive aquelas com vínculos familiares rompidos ou em situação de rua. Entre as finalidades da organização estão a promoção da saúde, a prevenção ao uso de drogas, o fortalecimento da autonomia dos acolhidos e a ressocialização dos pacientes (014.00103.2025).

A instituição possui uma equipe multidisciplinar formada por psicólogos, terapeutas, assistente social, monitores, farmacêuticos e coordenadores, além de voluntários ligados às atividades espirituais e de apoio social. O acolhimento é voluntário e pode durar de seis a nove meses, com atividades terapêuticas individuais e em grupo, reuniões familiares, oficinas educativas e ações de capacitação profissional.

Entre as atividades promovidas pela associação estão cursos de cuidador de idosos, manipulação de alimentos, panificação, produção de geleias e compotas, além de oficinas de inteligência emocional, comunicação não violenta e informática. Os acolhidos também participam de ações recreativas e esportivas, como corridas de rua, jogos de futebol, campeonatos de xadrez e atividades culturais.

Segundo a entidade, essas iniciativas buscam estimular o convívio coletivo, a autoestima e o protagonismo social dos participantes. Em 2024, conforme o relatório anexado ao projeto, a Associação de Acolhimento Rancho dos Profetas informou ter atendido diretamente 488 pessoas e, de forma indireta, cerca de 2,4 mil familiares.

“Reconhecer o Rancho dos Profetas como de Utilidade Pública é a valorização de uma instituição que transforma vidas, restaura famílias e devolve a dignidade a pessoas que buscam uma nova oportunidade. Porque a droga destrói, ela destrói a alma, o físico. E se a gente não dá apoio, a gente perde a pessoa”, continuou Sargento Tânia Guerreiro. A vereadora agradeceu a presença de dirigentes da instituição que acompanharam a votação, entre eles o pastor Darci Schmidt Hort, presidente.

Favorável à iniciativa, Amália Tortato (Novo) explicou que a entidade é uma comunidade terapêutica que tem parceria com a Prefeitura de Curitiba e com o Governo do Paraná. “Eles fazem um trabalho incrível. Certamente ajudam e vão continuar ajudando, cada dia mais, a combater esse mal, que é a dependência química”, completou. O projeto ainda precisa passar por nova votação na próxima segunda-feira (25), antes de estar pronto para sanção prefeitoral.

Emitida pela CMC, a Utilidade Pública serve como um atestado de bons antecedentes, facilitando a realização de convênios com o poder público. A concessão do título é regulamentada pela lei complementar municipal 117/2020, que coloca como condições a prestação de serviços de interesse da população, a sede na cidade, a documentação em dia e a apresentação de relatório de atividades.

*Notícia revisada pelo estudante de Letras Gabriel Kummer
Supervisão do estágio: Ricardo Marques