Vereadores de Curitiba repercutem greve na rede municipal de ensino

por Marcio Silva | Revisão: Gabriel Kummer* — publicado 08/04/2026 17h50, última modificação 08/04/2026 17h50
Sessão foi marcada por debates sobre a ilegalidade do movimento, os avanços propostos pela Prefeitura e o impacto da paralisação nas famílias
Vereadores de Curitiba repercutem greve na rede municipal de ensino

Movimento grevista e suas consequências foram o tema central do plenário na sessão desta quarta-feira. (Foto: Rodrigo Fonseca/CMC)

greve dos professores da rede municipal de ensino dominou os debates na sessão desta quarta-feira (8) da Câmara Municipal de Curitiba (CMC). Um total de nove parlamentares subiu à tribuna para analisar a paralisação, abordando temas como a decisão judicial que declarou o movimento ilegal, o estágio das negociações com o Executivo e os transtornos causados aos pais de alunos.

Base aponta avanços e critica descumprimento de liminar

A maior parte dos oradores focou na decisão do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), que concedeu liminar proibindo a greve sob pena de multa diária. O líder do Governo, Serginho do Posto (PSD), classificou a paralisação como "lamentável" diante dos esforços fiscais feitos pela gestão do prefeito Eduardo Pimentel.

A Prefeitura terá que fazer um esforço orçamentário muito grande para chegar nessas propostas. Estamos falando na ampliação do crescimento vertical de 20% para 30% no nível 1, e para 25% nos níveis 2 e 3”, detalhou o líder. Serginho também destacou o anúncio do pagamento do "descongelamento", os benefícios para 22 mil servidores a partir de maio e a previsão de vale-alimentação para 2027.

impacto social da greve foi o ponto central de vereadores como Renan Ceschin (Pode) e Leonidas Dias (Pode). “Deixar as crianças e os pais na mão não é o melhor caminho. Um pai pode acabar sendo mandado embora porque faltou ao trabalho por não ter onde deixar o filho”, alertou Ceschin. Já Leonidas Dias apelou pela "serenidade e bom senso" do sindicato para garantir o funcionamento integral das escolas e CMEIs. O parlamentar se comprometeu a manter o diálogo permanente com a comunidade escolar e afirmou que continuará trabalhando por mais investimentos na educação, inclusive por meio da destinação de emendas ao orçamento do município para reformas e compra de equipamentos.

Detalhamento das propostas e concursos

vereadora Indiara Barbosa (Novo) reforçou que as concessões do prefeito representam um avanço concreto. “A regra previa o avanço de 20% da rede e foi ampliada para 30%, um aumento de 50% em relação ao limite da lei”, explicou. Ela lembrou ainda a nomeação de mais de 1.200 profissionais este ano e a reposição inflacionária nos salários, com “ganhos reais ao longo da carreira”. “O que o sindicato está fazendo prejudica toda a sociedade”, criticou.

No mesmo sentido, Sidnei Toaldo (Avante) e Toninho da Farmácia (União) ressaltaram que, embora o direito à busca por melhorias seja legítimo, a gestão tem trabalhado no limite da responsabilidade fiscal. Olimpio Araujo Junior (PL), por sua vez, sugeriu que movimentos em anos eleitorais podem ter contornos políticos que "atrapalham a vida do cidadão". Delegada Tathiana Guzella (União) apelou por "sabedoria e iluminação" nas negociações, visando o fim do impasse e o retorno da tranquilidade para os pais e alunos.

Oposição defende legitimidade e critica "judicialização"

A voz divergente no plenário foi da vereadora Vanda de Assis (PT), que manifestou apoio integral à greve e criticou a postura da Prefeitura e dos colegas. Para a parlamentar, a greve é um direito constitucional que não deve ser combatido com tribunais, mas com o atendimento das pautas da categoria.

Não é judicializando que se resolve, é garantindo o crescimento vertical que os servidores precisam. Tem professora com doutorado ganhando R$ 2 mil e profissionais adoecendo por falta de estrutura”, rebateu Vanda. Ela contestou os números apresentados pela base, afirmando que a proposta do Executivo atende apenas metade dos inscritos, e não a totalidade dos que têm direito. “Vir aqui celebrar que o Tribunal suspendeu a greve é lamentável. Greve é direito e a categoria precisa de mais para manter-se em sala de aula”, afirmou, anunciando que marcharia ao lado dos professores após a sessão.

Liderança contesta críticas e nega desrespeito

Diante do posicionamento da Oposição, o líder Serginho do Posto voltou à tribuna para contestar a tese de desrespeito aos profissionais. “Não podemos admitir que digam que os professores estão sendo desrespeitados. O apreço desta Casa e da administração pela categoria é muito grande”, afirmou.

O líder destacou que a rede municipal não sofreu interrupção de aulas por falta de pessoal, já que a falta pontual de 110 professores será suprida nos próximos dias por novos concursados e PSS. “A Procuradoria Geral do Município acionou a liminar porque entende que os avanços foram colocados de forma concreta e responsável”, finalizou.

*Notícia revisada pelo estudante de Letras Gabriel Kummer
Supervisão do estágio: Ricardo Marques