Vereadores de Curitiba repercutem greve na rede municipal de ensino
Movimento grevista e suas consequências foram o tema central do plenário na sessão desta quarta-feira. (Foto: Rodrigo Fonseca/CMC)
A greve dos professores da rede municipal de ensino dominou os debates na sessão desta quarta-feira (8) da Câmara Municipal de Curitiba (CMC). Um total de nove parlamentares subiu à tribuna para analisar a paralisação, abordando temas como a decisão judicial que declarou o movimento ilegal, o estágio das negociações com o Executivo e os transtornos causados aos pais de alunos.
Base aponta avanços e critica descumprimento de liminar
A maior parte dos oradores focou na decisão do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), que concedeu liminar proibindo a greve sob pena de multa diária. O líder do Governo, Serginho do Posto (PSD), classificou a paralisação como "lamentável" diante dos esforços fiscais feitos pela gestão do prefeito Eduardo Pimentel.
“A Prefeitura terá que fazer um esforço orçamentário muito grande para chegar nessas propostas. Estamos falando na ampliação do crescimento vertical de 20% para 30% no nível 1, e para 25% nos níveis 2 e 3”, detalhou o líder. Serginho também destacou o anúncio do pagamento do "descongelamento", os benefícios para 22 mil servidores a partir de maio e a previsão de vale-alimentação para 2027.
O impacto social da greve foi o ponto central de vereadores como Renan Ceschin (Pode) e Leonidas Dias (Pode). “Deixar as crianças e os pais na mão não é o melhor caminho. Um pai pode acabar sendo mandado embora porque faltou ao trabalho por não ter onde deixar o filho”, alertou Ceschin. Já Leonidas Dias apelou pela "serenidade e bom senso" do sindicato para garantir o funcionamento integral das escolas e CMEIs. O parlamentar se comprometeu a manter o diálogo permanente com a comunidade escolar e afirmou que continuará trabalhando por mais investimentos na educação, inclusive por meio da destinação de emendas ao orçamento do município para reformas e compra de equipamentos.
Detalhamento das propostas e concursos
A vereadora Indiara Barbosa (Novo) reforçou que as concessões do prefeito representam um avanço concreto. “A regra previa o avanço de 20% da rede e foi ampliada para 30%, um aumento de 50% em relação ao limite da lei”, explicou. Ela lembrou ainda a nomeação de mais de 1.200 profissionais este ano e a reposição inflacionária nos salários, com “ganhos reais ao longo da carreira”. “O que o sindicato está fazendo prejudica toda a sociedade”, criticou.
No mesmo sentido, Sidnei Toaldo (Avante) e Toninho da Farmácia (União) ressaltaram que, embora o direito à busca por melhorias seja legítimo, a gestão tem trabalhado no limite da responsabilidade fiscal. Olimpio Araujo Junior (PL), por sua vez, sugeriu que movimentos em anos eleitorais podem ter contornos políticos que "atrapalham a vida do cidadão". Delegada Tathiana Guzella (União) apelou por "sabedoria e iluminação" nas negociações, visando o fim do impasse e o retorno da tranquilidade para os pais e alunos.
Oposição defende legitimidade e critica "judicialização"
A voz divergente no plenário foi da vereadora Vanda de Assis (PT), que manifestou apoio integral à greve e criticou a postura da Prefeitura e dos colegas. Para a parlamentar, a greve é um direito constitucional que não deve ser combatido com tribunais, mas com o atendimento das pautas da categoria.
“Não é judicializando que se resolve, é garantindo o crescimento vertical que os servidores precisam. Tem professora com doutorado ganhando R$ 2 mil e profissionais adoecendo por falta de estrutura”, rebateu Vanda. Ela contestou os números apresentados pela base, afirmando que a proposta do Executivo atende apenas metade dos inscritos, e não a totalidade dos que têm direito. “Vir aqui celebrar que o Tribunal suspendeu a greve é lamentável. Greve é direito e a categoria precisa de mais para manter-se em sala de aula”, afirmou, anunciando que marcharia ao lado dos professores após a sessão.
Liderança contesta críticas e nega desrespeito
Diante do posicionamento da Oposição, o líder Serginho do Posto voltou à tribuna para contestar a tese de desrespeito aos profissionais. “Não podemos admitir que digam que os professores estão sendo desrespeitados. O apreço desta Casa e da administração pela categoria é muito grande”, afirmou.
O líder destacou que a rede municipal não sofreu interrupção de aulas por falta de pessoal, já que a falta pontual de 110 professores será suprida nos próximos dias por novos concursados e PSS. “A Procuradoria Geral do Município acionou a liminar porque entende que os avanços foram colocados de forma concreta e responsável”, finalizou.
*Notícia revisada pelo estudante de Letras Gabriel Kummer
Supervisão do estágio: Ricardo Marques
Reprodução do texto autorizada mediante citação da Câmara Municipal de Curitiba