Mesmo com tarifaço, Curitiba exportou quase 20% mais em 2025

por José Lázaro Jr. | Revisão: Ricardo Marques — publicado 25/02/2026 17h40, última modificação 26/02/2026 08h51
Secretário diz que queda nas vendas aos EUA no 2º semestre foi compensada com redirecionamento para outros mercados.
Mesmo com tarifaço, Curitiba exportou quase 20% mais em 2025

A audiência pública de Finanças foi transmitida ao vivo pelo canal da CMC no YouTube. (Foto: Rodrigo Fonseca/CMC)

Durante a prestação de contas do 3º quadrimestre na Câmara Municipal de Curitiba (CMC), nesta quarta-feira (25), o secretário municipal de Planejamento, Finanças e Orçamento, Vitor Puppi, afirmou que o tarifaço adotado pelos Estados Unidos da América (EUA) mudou o ritmo das exportações ao longo de 2025, com impacto mais visível no segundo semestre. “Quando entra o tarifaço [dos EUA sobre os produtos brasileiros] no quarto bimestre, [a exportação] começa a cair”, disse, ao apresentar a série que compara as vendas para o mercado estadunidense entre 2024 e 2025.

O secretário de Finanças afirmou que o tarifaço dos EUA não impediu que Curitiba fechasse o ano com crescimento de quase 20% nas vendas externas. Ao explicar o movimento, ele atribuiu o saldo positivo ao ajuste do setor exportador, “seja por redirecionamento do setor ou mesmo movimentação da economia”. O tema foi um dos assuntos debatidos hoje, na audiência coordenada pelo vereador Serginho do Posto (PSD), presidente da Comissão de Economia, Finanças e Fiscalização.

Curitiba foi o 4º município do Paraná mais afetado nas vendas aos EUA

No diagnóstico apresentado pelo secretário, Curitiba foi o quarto município paranaense mais afetado pelo tarifaço na comparação entre 2024 e 2025, com queda de US$ 44 milhões nas exportações para os Estados Unidos. No ranking exibido na audiência, a capital aparece atrás de Mandaguari (US$ 79 milhões), Campo Largo (US$ 52 milhões) e Telêmaco Borba (US$ 49 milhões).

Os segmentos que mais perderam espaço nas exportações de Curitiba em 2025, após o tarifaço foram os de partes e acessórios de veículos (US$ 17 milhões; -9,4%), artigos e aparelhos ortopédicos (US$ 16 milhões; -28%), cabos e outros condutores (US$ 12 milhões; -10%), motores de pistão (US$ 7,6 milhões; -25%) e obras de carpintaria para construção (US$ 6,3 milhões; -39%). Segundo o secretário, a compensação veio principalmente de produtos que avançaram fora do eixo EUA. Ele resumiu o movimento com a frase: “Se perde de um lado, ganha de outro”.

Na abertura dos dados por itens, a alta foi puxada por tratores (US$ 448 milhões; +25%), soja triturada (US$ 323 milhões; +37%), veículos para transporte (US$ 287 milhões; +15%) e energia elétrica (US$ 95 milhões; +42%). Ao comentar o caso dos tratores, Puppi citou que Curitiba tem empresas do setor instaladas na Cidade Industrial e mencionou “um acréscimo” relevante nas exportações ao mundo.

Exportações se concentram na América Latina e na Ásia

Puppi afirmou que, em 2025, os destinos das exportações das empresas localizadas em Curitiba estiveram concentrados sobretudo na América Latina e na Ásia, com Argentina na liderança, seguida por Peru, China e Chile. Ele observou que os Estados Unidos ficaram em quinto na lista de destinos, “mesmo com o tarifaço”.

No detalhamento apresentado na audiência, o ranking de 2025 foi liderado por Argentina (US$ 453 milhões; 20% do total), Peru (US$ 331 milhões; 14,9%), China (US$ 320 milhões; 14,4%) e Chile (US$ 232 milhões; 10,4%). Os EUA aparecem como quinto destino, com US$ 124 milhões (5,6%), seguidos por México (US$ 98 milhões), Uruguai (US$ 71 milhões), Paraguai (US$ 70 milhões), Colômbia (US$ 55 milhões) e Suíça (US$ 46 milhões).