Concurso da nova sede da Câmara escolhe 5 finalistas; jurados elogiam propostas
Comissão Julgadora selecionou 5 dos 32 projetos; finalistas têm prazo para revisar projetos. (Foto: Divulgação/Ippuc)
O concurso nacional de arquitetura que vai escolher o anteprojeto do Complexo da Nova Sede da Câmara Municipal de Curitiba (CMC) chegou à fase final. Nesta quarta-feira, 13 de maio, a Comissão Julgadora selecionou 5 finalistas entre os 32 projetos protocolados para a restauração do Palácio Rio Branco e a construção do novo plenário e dos anexos do Legislativo. Também foram definidas 3 menções honrosas, que serão divulgadas em etapa própria do concurso.
A identidade dos finalistas permanece sob sigilo até o encerramento da seleção, conforme a lógica do concurso, que preserva o anonimato das equipes durante o julgamento. Os cinco trabalhos escolhidos seguem agora para a segunda etapa, ainda sem ordem de classificação. A disputa que começou com 46 inscrições dentro do prazo. Após a análise de recursos, 44 inscrições foram efetivadas. Dessas, 32 equipes protocolaram projetos e se habilitaram à etapa de julgamento.
Jurados destacam qualidade dos projetos
Os integrantes da Comissão Julgadora avaliaram positivamente o nível dos trabalhos apresentados. Para o arquiteto e urbanista Fernando Canalli, de Curitiba, a qualidade das propostas tornou a seleção mais difícil. “Me surpreendeu positivamente, muito positivamente. Foram inúmeros candidatos, a gente até se surpreendeu com o número de candidatos que entregou trabalhos. Os trabalhos são de muito bom nível e tivemos uma certa dificuldade em selecionar cinco, tamanho foi o nível dos trabalhos”, afirmou.
Canalli também avaliou que os cinco projetos escolhidos conseguiram responder ao desafio de integrar a nova sede ao entorno urbano e histórico. “A praça, o local, o edifício antigo, o Palácio, a Visconde de Guarapuava, a Lourenço Pinto, todos estão muito bem representados e integrados com os cinco projetos que nós elencamos para a segunda etapa”, disse.
Para Dalmo Vieira Filho, arquiteto de Florianópolis, a junção entre o Palácio Rio Branco e uma nova edificação é um desafio complexo, mas próprio da arquitetura. “Essa junção de arquiteturas, as novas funções, as adaptações, o crescimento que as construções muitas vezes precisam para continuar em uso, que é essencial para toda construção antiga ou nova”, afirmou. Segundo ele, uma boa relação com a cidade foi um dos pontos observados no julgamento. “Essa adaptabilidade da arquitetura ao espaço existente, às construções que já existem, aos lugares que a população usa, é essencial numa arquitetura que pretenda dialogar com a cidade.”
Projetos miram integração com a cidade
A arquiteta Maria Luiza Marques Dias afirmou que o programa do concurso é “bastante complexo e difícil de resolver”, mas considerou muito boa a qualidade dos trabalhos. Segundo ela, o volume de propostas demonstra o interesse dos profissionais em contribuir para uma edificação capaz de transformar não apenas a estrutura da Câmara, mas também a relação do Legislativo com o Centro de Curitiba.
“Ele demonstra que há um grande interesse em contribuir para uma edificação que venha a transformar, não apenas dar melhores condições para a Câmara, mas transformar a vida da cidade aqui nesse contexto onde ela está inserida”, disse Maria Luiza. Ela citou a presença da praça tombada, a dinâmica viária e o sistema de transporte como elementos que tornam o local “muito particular”.
A presidente da Comissão Julgadora, Ana Jayme Zornig, do Ippuc, afirmou que o concurso nacional lançou um desafio a escritórios brasileiros e que esse desafio foi bem aceito. Segundo ela, as propostas compreenderam que a nova sede não deveria ser apenas um edifício administrativo, mas também um elemento de ativação urbana.
“Todos [concorrentes] captaram bem, eu acho, a intenção maior do concurso, que não era apenas ser a nova Câmara Municipal, mas principalmente ser um elemento para ativação da cidade, tendo em vista a proximidade com o nosso centro, com a nossa área central, que está em processo de requalificação”, disse Ana Jayme. “Tem sido desafiador, mas há boas propostas que, sem dúvida, vão trazer valor para Curitiba.”
Desafio é unir patrimônio e arquitetura contemporânea
O concurso tem como objeto a seleção de anteprojeto arquitetônico, em nível de estudo preliminar, para restaurar e adaptar o Palácio Rio Branco e construir o novo plenário e os anexos da CMC. O edital define que o julgamento será feito por critérios de natureza qualitativa, entre eles contextualização, implantação, atendimento ao programa de necessidades, organização do conjunto, técnica construtiva, ecoeficiência, conforto, flexibilidade, acessibilidade, planejamento e viabilidade.
Ana Jayme afirmou que as propostas enfrentaram o desafio de equilibrar o prédio histórico, onde hoje funciona o plenário da Câmara, com novas estruturas capazes de dar mais funcionalidade ao Legislativo. “A gente tem excelentes exemplos pelo mundo de coexistência e de convivência da história com o novo. E aqui não será diferente. As propostas abraçaram esse desafio e trouxeram boas soluções para essa coexistência harmoniosa”, afirmou.
Gilberto Belleza, arquiteto de São Paulo e ex-presidente do IAB nacional e do IAB-SP, também destacou a decisão da Câmara de realizar um concurso público para a nova sede. “Tenho certeza que a decisão de realizar um concurso para a ampliação da Câmara Municipal foi a melhor decisão tomada”, disse. Para ele, a disputa permitiu que profissionais de diferentes regiões contribuíssem com soluções para Curitiba. “Nós tivemos participantes do Brasil inteiro. A oportunidade do concurso é uma rica oportunidade de ter quase o país todo contribuindo com a necessidade aqui da Câmara Municipal.”
Segunda etapa definirá a classificação final
Os cinco finalistas seguem agora para a segunda etapa do concurso. Nessa fase, as notas da primeira etapa serão desconsideradas e a Comissão Julgadora fará nova avaliação dos trabalhos selecionados, levando em conta as recomendações feitas aos finalistas. Ao fim do processo, os projetos serão classificados por ordem de melhor técnica ou conteúdo artístico.
O concurso prevê R$ 200 mil em premiação, divididos entre os cinco trabalhos melhor colocados na segunda etapa. Cada finalista premiado receberá R$ 40 mil. O edital também prevê que todos os concorrentes habilitados, finalistas e vencedores receberão certificados emitidos pelo IAB-PR e assinados por representantes do Instituto e da Câmara, inclusive nos casos de menção honrosa.
Para Ceça Guimarães, a qualidade das propostas mostra que a nova sede poderá representar um ganho para a Câmara e para a cidade. “Fiquei muito contente pela expressão e pela qualidade dos projetos, as informações acerca do lugar com relação à história, com relação à função, com relação à espacialidade pública do espaço e, claro, também com relação à forma arquitetônica”, afirmou. Segundo ela, o resultado deve contribuir para que a população se veja representada “nessa modernidade, nessa integração com a história”.
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