“Já salvamos vidas!”: secretário estadual apresenta Programa Mulher Segura

por José Lázaro Jr. | Revisão: Gabriel Kummer* — publicado 04/03/2026 16h20, última modificação 04/03/2026 18h24
Convidado pela Procuradoria da Mulher da Câmara de Curitiba, coronel Hudson atualizou dados de combate ao feminicídio no Paraná.
“Já salvamos vidas!”: secretário estadual apresenta Programa Mulher Segura

Coronel Hudson Teixeira foi o convidado da Tribuna Livre desta quarta-feira na Câmara de Curitiba. (Fotos: Rodrigo Fonseca/CMC)

O Paraná registrou redução de 20% no número de feminicídios em 2025 e ampliou as ações do Programa Mulher Segura, obtendo a marca de 337 dos 399 municípios do estado sem registros deste crime no ano passado. “Nós colocamos o dedo na ferida, mostramos os dados, comprovamos os dados; eles são todos auditados”, declarou o secretário de Estado da Segurança Pública do Paraná, coronel Hudson Leôncio Teixeira, nesta quarta-feira (4), na Câmara Municipal de Curitiba (CMC).

Convidado pela Procuradoria da Mulher da CMC para a Tribuna Livre, coronel Hudson informou que o Programa Mulher Segura somou 2.924 palestras e 223.807 pessoas alcançadas nos dois últimos anos, com ações em escolas, comunidades e eventos públicos para orientar sobre direitos, rede de proteção e formas de denúncia. Outro indicador destacado foi o crescimento das visitas comunitárias da Patrulha Maria da Penha, que passaram de 54.495 (2024) para 83.833 (2025), alta de 54%.

Ele defendeu que o enfrentamento à violência doméstica exige ações específicas, para além das operações tradicionais contra o crime organizado. “A violência doméstica tem uma dinâmica própria: você pode não ter índice elevado de criminalidade e, por cultura machista, ter mais mulher agredida e até feminicídio”, disse. A Tribuna Livre foi coordenada por Indiara Barbosa (Novo), segunda secretária da Mesa, e transmitida ao vivo pelo canal da CMC no YouTube.

Na saudação, a vereadora Carlise Kwiatkowski (PL) afirmou que “não existe liberdade sem segurança” e destacou que a violência contra a mulher pode ser “psicológica, moral, patrimonial ou sexual”, incluindo formas digitais, como perseguição e invasões. À frente da Procuradoria da Mulher na CMC, ao lado das adjuntas Rafaela Lupion (PSD) e Vanda de Assis (PT), Kwiatkowski quis trazer ao plenário os dados do Programa Mulher Segura, criado em 2023, para enfrentar e prevenir violências de gênero, com ênfase em feminicídio, estupro e violência doméstica.

A atividade foi acompanhada pela deputada estadual Cloara Pinheiro (PSD), atual procuradora da Mulher da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), que destacou a circulação nacional e internacional de materiais e experiências do Paraná na pauta de proteção às mulheres. Ela confirmou que o estado é o que mais criou procuradorias da Mulher nas câmaras de vereadores e que vai levar essa experiência de sucesso, mais as ações da Secretaria de Segurança Pública, para atividade na ONU, em Nova Iorque (EUA), neste semestre.

Como funciona a monitoração por tornozeleira e celular

Falando aos vereadores, coronel Hudson Teixeira justificou a criação do Programa Mulher Segura em razão do cenário nacional que, segundo ele, chegou a registrar “um aumento de 25% no número de feminicídios no Brasil” e a média de “uma mulher morta a cada seis horas”. Ele afirmou que o Paraná buscou seguir na direção oposta, com redução no número de feminicídios e recorte mais expressivo em municípios priorizados pela campanha. 

Ao detalhar o mecanismo de monitoramento das medidas de proteção, o secretário de Segurança explicou que o sistema combina tornozeleira eletrônica no agressor e smartphone para a vítima com medida protetiva. Segundo ele, a tecnologia amplia o alcance do modelo tradicional, que depende de pontos fixos de segurança, e permite alertas independentemente do local em que a mulher esteja.

Pelo desenho descrito, ao entrar em um raio de 1 km, o agressor é advertido e a vítima recebe aviso; se a aproximação chega a 500 metros, o telefone da vítima exibe a localização do agressor e as forças de segurança também são acionadas. Hudson Teixeira afirmou que a ferramenta tem efeito preventivo: “quando ele é advertido e sabe que está sendo monitorado, ele recua”, disse o secretário.

Durante a Tribuna Livre, Hudson Teixeira respondeu a perguntas de Sargento Tânia Guerreiro (Pode), Sidnei Toaldo (PRD), Tico Kuzma (PSD), Giorgia Prates - Mandata Preta (PT), João 5 Irmãos (MDB), Meri Martins (Republicanos), Vanda de Assis (PT), Pier Petruzziello (PP), Renan Ceschin (Pode), Camilla Gonda (PSB), Da Costa (Pode), Rafaela Lupion (PSD) e Andressa Bianchessi (União).

Três frentes: prevenção, repressão e atendimento especializado

Os dados apresentados pela Secretaria de Segurança indicam que, em 2024 e 2025, foram realizadas 2.924 palestras e alcançadas 223.807 pessoas, em ações educativas voltadas a direitos, rede de proteção e prevenção de crimes. Hudson Teixeira vinculou esse esforço a uma estratégia de multiplicação: “mais de 200 mil pessoas, que elas repliquem isso para outras duas ou pra três pessoas, vejam o público que a gente alcança!”.

Outro indicador destacado foi o crescimento das visitas comunitárias da Patrulha Maria da Penha, que passaram de 54.495 (2024) para 83.833 (2025), alta de 54%. Na avaliação do secretário, “às vezes tão grave quanto o dia da agressão é o pós”, e a patrulha tem papel de orientar e conectar a mulher a serviços e benefícios já existentes.

Hudson detalhou a estrutura do programa em frentes complementares. A primeira é preventiva, com palestras e ações educativas; a segunda, repressiva, envolve monitoramento eletrônico simultâneo do agressor e da vítima com medida protetiva; e a terceira é a instalação da Sala Mulher Segura em delegacias, em ambientes preparados para atendimento mais qualificado.

*Notícia revisada pelo estudante de Letras Gabriel Kummer
Supervisão do estágio: Ricardo Marques