Tribuna Livre alerta à saúde e à alimentação dos celíacos

por Fernanda Foggiato — publicado 03/02/2021 16h59, última modificação 03/02/2021 16h59
Por iniciativa de Herivelto Oliveira, a presidente da Associação dos Celíacos do Paraná participou do espaço democrático de debates da CMC.
Tribuna Livre alerta à saúde e à alimentação dos celíacos

Ana Claudia Cendofanti foi a 1ª oradora da Tribuna Livre na 18ª legislatura da CMC. (Foto: Rodrigo Fonseca/CMC)

As dificuldades para o diagnóstico da doença celíaca e as implicações da restrição ao glúten na rotina dos pacientes, da infância à terceira idade, foram tema da retomada da Tribuna Livre no Legislativo, na sessão desta quarta-feira (3). “O que o celíaco precisa é ter visibilidade e ser tratado com inclusão. O celíaco é excluído dos eventos sociais e do dia a dia Fazer uma dieta alimentar para o resto da vida não é fácil”, alertou a presidente da Associação dos Celíacos do Paraná (Acelpar), Ana Claudia Cendofanti. Ela participou do espaço democrático de debates da Câmara Municipal de Curitiba (CMC) a convite de Herivelto Oliveira (Cidadania).

Os celíacos, explicou o propositor da atividade, são as pessoas com alergia ao glúten, “a principal proteína da farinha de trigo”, presente em boa parte dos alimentos. “Eu convivo com esse problema há mais de 15 anos, porque minha esposa é celíaca, e a gente tem que adaptar a dieta”, relatou Herivelto Oliveira.

“Muitos conhecem alguém com a doença celíaca mas não as implicações no dia a dia”, afirmou Ana Claudia. Autoimune, a doença provoca um processo inflamatório na parede interna do intestino delgado e pode levar à atrofia das vilosidades intestinais. Consequentemente, acrescentou a convidada, o celíaco sem diagnóstico ou fora da dieta sofre uma perda na diminuição de nutrientes e está suscetível a dezenas de outras enfermidades.

A estimativa é que 1% da população mundial tenha a doença celíaca – em Curitiba, seriam cerca de 20 mil pessoas. No entanto, muitos não são diagnosticados. No Brasil, apenas 15% teriam a confirmação, com uma demora média de 10 anos. Os principais problemas, relatou Ana Claudia, são a ampla gama de sintomas, sendo que muitas pessoas não apresentam manifestações gastrointestinais, e a dificuldade de acesso à biópsia prevista pelo protocolo do SUS.

“O glúten está presente no trigo, no centeio e na cevada. Pode estar presente na aveia também. Mas você tem que tirar os traços também do glúten da dieta”, acrescentou, sobre o risco da contaminação cruzada. Isso faz com que a pessoa precise trocar os utensílios domésticos e dificulta a alimentação fora de casa.

“A dieta é o único tratamento. Não existe remédio. O custo da doença celíaca é do paciente. Não é nem do Estado, nem do Município”, continuou. O valor do quilo da farinha sem glúten, segundo ela, varia entre R$ 15 e R$ 20. Apesar da Semana Municipal de Conscientização à Doença Celíaca (lei 15.648/2020), Ana Claudia reforça que o debate precisa ser ampliado, “para que ele [celíaco] pare de ouvir que é 'mimimi', que está fazendo a dieta da moda”.

Não é só em restaurantes que o celíaco se depara com restrições: “Não existe em Curitiba nenhum hospital, pelo menos que a gente conheça, que tenha dieta para celíacos”. Nos asilos, o mesmo problema. Na rede municipal de educação, já que a empresa responsável pelo fornecimento da merenda possui uma cozinha separada, sem o risco da contaminação cruzada, os desafios são outros, como alertar os professores que a massa de modelar, por exemplo, leva trigo na composição.

A Acelpar, explicou a oradora da Tribuna Livre, faz um trabalho de “inclusão social”, como na orientação dos celíacos e familiares. “Todo nosso trabalho é voluntário, não temos renda, não temos sede. O que queremos é incluir o celíaco como uma pessoa qualquer”, declarou Ana Claudia. “O celíaco é uma pessoa normal, com toda sua habilidade profissional, técnica e intelectual, desde que faça a dieta.”

Herivelto Oliveira lembrou que os celíacos podem se cadastrar no programa Armazém da Família, da Prefeitura de Curitiba. “Vamos buscar mecanismos para popularizar a discussão do tema e alternativas para facilitar o acesso das pessoas ao consumo dos produtos [sem glúten]”, finalizou. “Três anos atrás eu tive o resultado que também sou celíaca. Tive que me adaptar a essa nova rotina. Sei que não é fácil”, completou a primeira-secretária da CMC, Flávia Francischini (PSL).