Temporal causa alagamentos em Curitiba e reacende debate sobre drenagem
Lórens Nogueira foi o primeiro vereador a falar sobre o temporal ocorrido em Curitiba. (Fotos: Rodrigo Fonseca/CMC)
As fortes chuvas registradas no fim da tarde e na noite desta terça-feira (3) mobilizaram a Prefeitura de Curitiba e repercutiram na Câmara Municipal de Curitiba (CMC), onde o líder do Governo, Serginho do Posto (PSD), atribuiu os transtornos ao alto volume concentrado. Segundo ele, foram 55 mm em poucas horas, volume estimado para 10 dias, e ressaltou que a resposta das equipes do Executivo se estendeu até a madrugada, sem registro de desabrigados ou fatalidades, segundo informações repassadas por ele em plenário.
Na manhã desta quarta-feira (4), a Prefeitura informou que colocou mais de 60 equipes nas ruas para atender os bairros mais atingidos pelo temporal, com frentes concentradas em serviços como limpeza e desobstrução de bocas de lobo, conserto de galerias, inspeções e sondagens na rede de drenagem. O Executivo detalhou que estavam em campo 33 equipes da Secretaria de Obras Públicas e 32 da Secretaria de Governo, que é a responsável pelas Regionais, além da mobilização de áreas como Defesa Civil, Defesa Social, Trânsito e Meio Ambiente.
Alagamentos em bairros de Curitiba e quedas de árvores
Os impactos apareceram em diferentes pontos de Curitiba. Relatos publicados pela imprensa registraram alagamentos no cruzamento das ruas Visconde de Nácar e Vicente Machado, além de situação semelhante no terminal do Boqueirão; em bairros como Rebouças e Alto Boqueirão, houve casos de água invadindo casas. No balanço divulgado pelo Município, também foram apontados pontos de erosão — como na rua Desembargador Westphalen, no Centro — e 42 solicitações para retirada de árvores e galhos após o episódio.
A líder da Oposição, Camilla Gonda (PSB), concordou com a necessidade de resposta rápida e medidas paliativas, mas fez contraponto ao argumento de “chuva excepcional” ao afirmar que episódios recorrentes expõem falhas de prevenção. Ela defendeu encaminhamentos de caráter reparatório, como a votação de um projeto de lei, em tramitação na Câmara Municipal de Curitiba (CMC), que prevê isenção de IPTU para imóveis atingidos por enchentes.
“Cidade-esponja”, Xaxim e CIC: pressão por obras e cronogramas
Desde o início da sessão, outros vereadores também conectaram as consequências do temporal a decisões de infraestrutura. Laís Leão (PDT) descreveu a repetição anual de alagamentos e cobrou um pacote de soluções, mencionando conceitos como “cidade-esponja” e jardins de chuva, além de manutenção contínua e cronogramas transparentes de obras. “Me sinto em 2025, [quando] subi nesta tribuna pra falar exatamente da mesma coisa”, apontou, cobrando “estratégias de cidade-esponja na cidade inteira”.
Lórens Nogueira (PP) pediu ajuda ao Xaxim e ao Ribeirão dos Padilhas, com foco na resposta às famílias. Ele afirmou que a culpa do ocorrido não é do atual prefeito Eduardo Pimentel, mas disse que a cidade precisa “estudar, avançar e executar”, porque ações pontuais “não têm bastado”, além de defender reunião com moradores para pactuar medidas que evitem mais perdas residenciais e nos comércios atingidos pelas fortes chuvas.
Já Toninho da Farmácia (PSD) destacou intervenções que, segundo ele, reduziram alagamentos em pontos do bairro CIC e poderiam ser replicadas em outras áreas de Curitiba. Sobre um dos gargalos mais citados no debate, informou que a trincheira do Sabará deve receber obra de drenagem: “está em licitação, porque terá que fazer uma nova drenagem”, acrescentando a expectativa de que “não haverá mais alagamento na entrada do Sabará” após essa intervenção.
*Notícia revisada pelo estudante de Letras Gabriel Kummer
Supervisão do estágio: Ricardo Marques
Reprodução do texto autorizada mediante citação da Câmara Municipal de Curitiba