CMC debate avanço da pandemia e “fechamento” de UPAs gera debate

por Pedritta Marihá Garcia — publicado 30/11/2020 18h46, última modificação 30/11/2020 18h46
Critérios do novo decreto laranja, protocolo sanitário, sobrecarga de trabalho e outras questões relacionadas à pandemia foram abordados em plenário hoje.

Com 970 novos casos e 18 novos óbitos (sendo 17 nas últimas 48 horas), Curitiba já soma 77.506 casos confirmados da covid-19 e 1.729 mortes decorridas da doença – dados atualizados neste domingo (29), pela Prefeitura de Curitiba. O avanço da pandemia na capital, que levou o Executivo a decretar o retorno da bandeira laranja na última sexta-feira (27), motivou um intenso debate no plenário da Câmara Municipal desta segunda-feira (30), que tomou todo o pequeno expediente, grande expediente e horário das lideranças. 

A discussão foi levantada logo no começo da sessão por Professora Josete (PT), ao comentar que prefeitura e Secretaria Municipal de Saúde (SMS) tomaram medidas “tardias” em relação à expansão da pandemia na capital. Para a vereadora, os critérios definidos no primeiro decreto da bandeira laranja deveriam ter sido mantidos no decreto da semana passada. “A prefeitura tem que tomar medidas mais restritivas. Se não tomarmos mais medidas restritivas, não sei o que acontecerá no período das festas [de fim de ano]. No mínimo, deveríamos retomar aos critérios da bandeira laranja do primeiro decreto. A pandemia não acabou”, frisou. 

Ao relatar ter visitado as unidades de pronto atendimento (UPAs) Pinheirinho, Tatuquara e Sítio Cercado neste fim de semana, Josete reclamou da superlotação nos setores que atendem exclusivamente pacientes com covid-19 e disse ter recebido relatos sobre falta de macas e tubos de oxigênio. “[Vi] um esforço enorme de todos os profissionais da saúde para poder conseguir atender as pessoas com qualidade. As medidas que têm sido tomadas não são dialogadas, conversadas com quem está na ponta, no atendimento diário”, completou ao também criticar o que classificou de “acúmulo e sobrecarga de trabalho dos profissionais que trabalham no Sítio Cercado, porque a demanda do Boqueirão foi transferida para a unidade, sem aumento do quadro de funcionários”.

Para Ezequias Barros (PMB), a SMS deveria rever o protocolo de enfrentamento à pandemia, a exemplo de outras cidades, como Paranaguá (PR) e Itajaí (SC), para evitar com que a pessoa que faz o exame e volta para casa, retorne à UPA com sintomas graves da doença. “Eu já fiz uso do medicamento. Na minha casa, todos tiveram covid. Fomos atendidos e usamos os remédios precocemente e estamos bem. Eu sou o único lá em casa que não tive covid. Posso falar com experiência do que aconteceu na minha casa. Está na hora de mudarmos o protocolo da cidade”, defendeu, ao sugerir que a pasta adote o uso de remédios preventivos, como a hidrocloroquina. 

“Quando ouço um vereador da base falando em mudança de protocolo, acho que é o momento de chamarmos a secretária aqui para entendermos por que ela não está usando o novo protocolo”, corroborou da opinião de Ezequias Barros, a vereadora Noemia Rocha (MDB). Ela, que tem uma filha que é profissional de saúde e está em casa isolada, com diagnóstico positivo da doença, também manifestou preocupação com o aumento significativo de infectados, uma potencial falta de leitos, a lotação das UPAs e um possível “colapso na saúde da cidade”. 

Além de reiterar os problemas apontados pelos vereadores acima, Maria Leticia (PV) defendeu sua aflição com o outro lado da pandemia: com aqueles que precisam ser atendidos pelo SUS devido a outros problemas de saúde e correm o risco de não encontrar a assistência necessária. Conforme a parlamentar, o índice de condições sensíveis de atenção primária da população “tem piorado desde o início da gestão Rafael [Greca]”, somado a isto estão as notícias sobre unidades de saúde que vão atender somente consultas de emergência e outras que serão fechadas para reformas. 

O risco de colapso, complementou Maria Leticia, é maior porque as pessoas continuam tendo patologias crônicas e precisam ser atendidas. “Como proceder visto que não temos o controle da situação? Agora é oficial o fechamento de unidades de saúde por questões de enfrentamento à covid. De que forma serão atendidas as pessoas que têm doenças crônicas e que morrem em decorrência destas doenças? Para piorar, não há uma divulgação clara para a população. Para piorar, duas UPAs estão fechadas”, questionou.

Conscientização e solidariedade 

Contrário às críticas ao enfrentamento da pandemia, Toninho da Farmácia (DEM) defendeu que a contingência do vírus passa pela conscientização da população e que os vereadores têm seu papel social nisso. “É normal a gente sair pra rua e encontrarmos as pessoas sem máscara, como se nada estivesse acontecendo na cidade. Agora a culpa é da Marcia Huçulak [secretária municipal de Saúde]? Ela tem como fiscalizar cada cidadão? Não tem. Nós temos que conscientizar o povo”, afirmou. Para ele, vereadores da base e oposição podem usar suas ferramentas de comunicação para sensibilizar sobre a importância do uso de máscaras. Enquanto a prefeitura poderia reforçar a fiscalização.

“É preciso sensibilidade para com a secretária de Saúde”, completou o líder do prefeito na CMC, Pier Petruzziello (PTB), em apoio à fala de Toninho. “Vereadora Josete, não confere a informação de que falta oxigênio nas unidades de saúde. Não faltam medicamentos, não faltam leitos. É muito importante que os vereadores leiam o plano de contingência elaborado pela Secretaria de Saúde. O remanejamento das UPAs não é fechamento. Precisamos levar uma mensagem de segurança e otimismo”, defendeu o vereador. Para ele, a cidade vive um “cenário de guerra” e “grave e sério”. 

“Não há sistema de saúde universal, no planeta, que sustente, se não houver a conscientização da população. Quero pedir consciência, conscientização aos vereadores. Não vamos agredir a secretária de Saúde. Não morreu ninguém em Curitiba por falta de medicamento. Faço um apelo, pelo amor de Deus, respeitem uns aos outros. Usem a bendita máscara. Coloquem o bendito do álcool gel. E não vão no boteco beber, pelo menos por enquanto. Eu amo cerveja, tomo em casa. Gosto de beber, gosto de festa. Mas gosto também de cuidar das pessoas”, finalizou o líder do governo, que ainda pediu a todos os demais 36 parlamentares orações, independente de qualquer crença, pela pronta reabilitação do vereador Cristiano Santos (PV), que está internado em tratamento contra a covid-19.