Câmara de Curitiba reconhece Turma da Sopa com Utilidade Pública
A autora, Camilla Gonda, disse que voluntários servem, semanalmente, cerca de 400 litros de sopa. (Foto: Rodrigo Fonseca/CMC)
Nesta terça-feira (19), em primeiro turno unânime, o Plenário da Câmara Municipal de Curitiba (CMC) concordou com projeto de lei para conceder a Declaração de Utilidade Pública à Associação Turma da Sopa. Proposto pela vereadora Camilla Gonda (PSB), o título pode ser comparado a um atestado de bons antecedentes das organizações da sociedade civil. O reconhecimento oficial do trabalho das entidades facilita a celebração de parcerias e convênios com o poder público, bem como a renovação de certidões.
A autora explicou que o trabalho é desenvolvido graças à dedicação de voluntários. São preparados, semanalmente, cerca de 400 litros de sopa para garantir ao menos uma refeição quente para aproximadamente 600 pessoas. “No frio de Curitiba, isso não é apenas sobre alimentação, isso é sobre sobrevivência e também sobre humanidade”, pontuou.
De acordo com Gonda, ao entrar em comunidades como a 29 de Março e a Dona Cida, no bairro Cidade Industrial de Curitiba (CIC), a Turma da Sopa também leva roupas, calçados, cestas básicas, itens de higiene e outras doações à população vulnerável. Com sede no bairro Pilarzinho, a associação foi oficialmente fundada em 2007, mas já soma cerca de 35 anos de trabalho social. Além de atender comunidades da capital paranaense, possui atividades na Região Metropolitana de Curitiba (RMC).
Com 20 votos favoráveis, a proposição submetida ao Plenário foi o substitutivo geral ao projeto original (respectivamente, 031.00042.2026 e 014.00106.2025). A iniciativa retorna à pauta, na sessão desta quarta (20), para a confirmação em segundo turno. A concessão da Utilidade Pública é regulamentada pela lei complementar municipal 117/2020, que coloca como condições a prestação de serviços de interesse da população, a sede da entidade em Curitiba, a documentação em dia e a apresentação de relatório de atividades.
Trabalho de entidades sociais é debatido por vereadores
“Curitiba, se é conhecida como a cidade modelo, não pode ser cidade modelo só para alguns, sem olhar para as pessoas que estão na ponta, sem olhar para as pessoas que estão na rua, sem olhar para as pessoas que vivem em situação de extrema vulnerabilidade. E é exatamente aí, onde o Estado nem sempre chega, que a Turma da Sopa está toda semana, sem falhar”, argumentou Camilla Gonda, durante a discussão da matéria. “A verdade é que a Turma da Sopa faz o que o poder público, sozinho, não consegue fazer”, declarou.
Com a Utilidade Pública, observou a autora, “muda o respeito institucional, mudo o reconhecimento desta Casa e muda a possibilidade de parcerias futuras com mais segurança jurídica, mais credibilidade e mais força para ampliar um trabalho que já é muito bonito”. O título, acrescentou ela, atesta que “esta entidade é séria, transparente e essencial para Curitiba”.
“Este reconhecimento não é só simbólico, ele fortalece a atuação da entidade. Combater tanto o frio quanto a fome é defender direitos humanos”, reforçou a Professora Angela (PSOL). Para Vanda de Assis (PT), “o mínimo que esta Casa pode fazer é reconhecer o trabalho de vocês e conceder esta Utilidade Pública”. “Ainda falta muito a ser feito para a cidade tratar a população em situação de rua com dignidade, com cidadania”, completou.
Criticando a “marginalização do debate”, a vereadora Giorgia Prates - Mandata Preta (PT) pontuou que são diversas as situações que levam pessoas à situação de rua e de vulnerabilidade. “Vocês vêm para somar e essa soma é muito importante, são pessoas tratando de pessoas e isso não têm preço”, pontuou ela, que preside a Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos da População em Situação de Rua.
Vice-presidente da frente parlamentar, Marcos Vieira (PDT) observou que muitas vezes há questionamentos a este tipo de serviço, mas que o trabalho “é humano, realmente atende aqueles que sabem o que é ter fome, não ter o que comer”. “Eu não tenho como não votar em pessoas que se importam com pessoas”, disse Fernando Klinger (PL). As vereadoras Sargento Tânia Guerreiro (Pode) e Meri Martins (Republicanos) também reforçaram a importância do voluntariado e das organizações sem fins lucrativos. Dirigentes da Turma da Sopa acompanharam a votação em Plenário.
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