Proposta infraestrutura verde contra eventos climáticos extremos

por Pedritta Marihá Garcia | Revisão: Gabriel Kummer* — publicado 19/05/2026 09h40, última modificação 19/05/2026 09h49
Projeto de Nori Seto institui em Curitiba o uso de Soluções Baseadas na Natureza para reduzir enchentes, ilhas de calor e impactos ambientais urbanos.
Proposta infraestrutura verde contra eventos climáticos extremos

Entre os objetivos da política estão: reduzir impactos de enchentes e eventos extremos; mitigar ilhas de calor; aumentar a permeabilidade do solo urbano; ampliar áreas verdes; e melhorar a qualidade do ar, da água e do solo. (Foto: Rodrigo Fonseca/CMC)

A Câmara Municipal de Curitiba (CMC) analisa um projeto de lei que cria a Política Municipal de Soluções Baseadas na Natureza (SbN), com foco na adaptação às mudanças climáticas e no uso de infraestrutura verde para enfrentar problemas urbanos como enchentes, ondas de calor e impermeabilização do solo. A matéria foi protocolada em abril e aguarda a instrução jurídica para iniciar sua tramitação nas comissões temáticas.

De autoria do vereador Nori Seto (PP), a proposta institui diretrizes para que o Município utilize processos ecológicos e elementos naturais no planejamento urbano, integrando ações ambientais às políticas de drenagem, mobilidade, habitação e recuperação de áreas degradadas. O texto define as SbN como ações que protegem, restauram ou manejam ecossistemas de forma sustentável para enfrentar desafios sociais, ambientais e climáticos.

Entre os objetivos da política estão: reduzir impactos de enchentes e eventos extremos; mitigar ilhas de calor; aumentar a permeabilidade do solo urbano; ampliar áreas verdes; melhorar a qualidade do ar, da água e do solo; fortalecer a biodiversidade e a conectividade ecológica. A proposta também prioriza a recuperação de ecossistemas degradados, especialmente das matas ciliares dos rios Belém, Barigui, Iguaçu e Atuba (005.00143.2026).

Telhados verdes, jardins de chuva e rios renaturalizados estão entre as medidas previstas

Para implementar a política, o projeto autoriza o Município a incentivar diferentes tipos de infraestrutura verde, como: telhados verdes; jardins de chuva; valas verdes; pavimentos permeáveis; renaturalização de cursos d’água; e recuperação de áreas degradadas. O texto também prevê parcerias com universidades, organizações da sociedade civil e iniciativa privada, além da possibilidade de incentivos urbanísticos, fiscais e ambientais para empreendimentos que adotem soluções sustentáveis.

Exemplos de Soluções Baseadas na Natureza previstas no projeto:

MEDIDAOBJETIVO
Telhados verdes Reduzir calor e ampliar áreas vegetadas
Jardins de chuva Melhorar drenagem urbana
Pavimentos permeáveis Aumentar infiltração da água no solo
Valas verdes Reduzir escoamento superficial
Renaturalização de rios Recuperar funções ecológicas
Recuperação de áreas degradadas Fortalecer biodiversidade

Na justificativa, o vereador afirma que Curitiba vem registrando aumento na frequência e intensidade de eventos extremos, como chuvas torrenciais, enxurradas e ondas de calor, cenário que exige novas estratégias de adaptação urbana. Nori Seto cita estudos do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), do Banco Mundial e do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) para sustentar que soluções naturais podem reduzir riscos ambientais com custos inferiores aos da infraestrutura tradicional.

Segundo o parlamentar, “intervenções baseadas na natureza podem ser até 50% mais baratas do que a infraestrutura tradicional”, além de contribuírem para a valorização urbana e melhoria da qualidade ambiental. A proposta também utiliza estudo da Fundação Grupo Boticário segundo o qual, para cada R$ 1 investido no parque Barigui, são gerados R$ 12,50 em benefícios econômicos à população.

Política será integrada ao PlanClima e ao Plano Diretor

O projeto determina que a nova política seja compatível com instrumentos já existentes, como: Plano Diretor de Curitiba; Plano Municipal de Saneamento Básico; Plano de Ação Climática (PlanClima); e demais normas ambientais municipais. A matéria também prevê mapeamento de áreas prioritárias, capacitação de servidores, definição de indicadores e publicação de relatórios anuais de monitoramento.

A proposta foi protocolada em 6 de abril e aguarda o parecer técnico da Procuradoria Jurídica. Após essa etapa, seguirá para a análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). E se sua constitucionalidade for constatada pelo colegiado, seguirá tramitando nas demais comissões permanentes da Câmara de Curitiba. Se aprovada e sancionada, a lei entrará em vigor no dia da sua publicação no Diário Oficial do Município.

Clique na imagem abaixo para entender como funciona a tramitação de um projeto de lei na CMC:

Boiler tramitação projetos

*Notícia revisada pelo estudante de Letras Gabriel Kummer
Supervisão do estágio: Ricardo Marques