Câmara aprova mudança no custeio da fundação CuritibaPrev

por José Lázaro Jr. — publicado 19/05/2026 12h04, última modificação 19/05/2026 12h04
Projeto atualiza lei municipal para alinhar fundação às normas federais de previdência complementar
Câmara aprova mudança no custeio da fundação CuritibaPrev

Proposta foi defendida em plenário pela liderança do governo na CMC: Serginho do Posto, Rafaela Lupion e Jasson Goulart. (Foto: Rodrigo Fonseca/CMC)

A Câmara Municipal de Curitiba (CMC) aprovou, nesta terça-feira (19), em primeiro turno, o projeto de lei do Executivo que altera a regra de custeio administrativo da CuritibaPrev, fundação responsável pela previdência complementar dos servidores municipais. A votação teve 25 votos favoráveis, nenhum contrário e nenhuma abstenção. “Não estamos alterando a alíquota de cobrança, não estamos onerando nenhum aporte financeiro que o Município hoje dispõe para a CuritibaPrev”, afirmou Serginho do Posto (PSD), líder do governo, durante a discussão em plenário.

A proposta modifica o artigo 20 da lei municipal 15.072/2017, que instituiu o regime de previdência complementar em Curitiba. Pela redação atual, a CuritibaPrev é mantida por uma taxa de administração definida anualmente no Plano de Gestão Administrativa e aprovada pelo Conselho Deliberativo, limitada a 1% ao ano, conforme a legislação federal. Com o projeto, a lei passa a dizer que a fundação será mantida por fontes de financiamento destinadas à cobertura de suas despesas administrativas, também definidas no Plano de Gestão Administrativa e aprovadas pelo Conselho Deliberativo, observadas a legislação federal e as normas da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc).

Na mensagem encaminhada à Câmara, o prefeito Eduardo Pimentel afirma que a alteração busca alinhar a legislação municipal à regulação federal e evitar “limitações legais excessivas e desnecessárias” ao custeio administrativo da CuritibaPrev. O Executivo também sustenta que a mudança não elimina controles, pois o custeio segue submetido ao Conselho Deliberativo da entidade e à fiscalização da Previc. A justificativa acrescenta que a medida não acarreta impacto financeiro para o Tesouro Municipal (005.00087.2026).

Mudança foi aprovada pelo Conselho Deliberativo da CuritibaPrev

A proposta foi aprovada por unanimidade pelo Conselho Deliberativo da CuritibaPrev em reunião ordinária de 29 de janeiro. Segundo a ata, o objetivo foi aperfeiçoar a redação do artigo 20 da lei municipal, deixando o texto “mais fluido e amplo”, para evitar o “engessamento” da norma local e permitir que futuras inovações da Previc ou de outros órgãos reguladores sejam incorporadas sem nova alteração legislativa municipal.

Em plenário, Serginho do Posto defendeu que a alteração dá mais flexibilidade à gestão administrativa da fundação sem retirar os mecanismos de controle. Ele afirmou que a CuritibaPrev tem cerca de 10 mil servidores participantes e vem se consolidando desde sua criação. “A CuritibaPrev tem tido uma boa performance. Ela não está sob o risco que alguns municípios correram recentemente com o escândalo financeiro do banco [Master]", disse. Também  comparou Curitiba a outras entidades de previdência complementar que ainda cobram taxa de carregamento, modalidade que incide antes da entrada dos recursos no fundo. “Curitiba não cobra desde 2017", afirmou.

Custeio da CuritibaPrev: comissões deram parecer favorável

Antes de chegar ao plenário, o projeto recebeu pareceres favoráveis à tramitação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), na Comissão de Economia, Finanças e Fiscalização e na Comissão de Serviço Público. A tramitação nas comissões foi citada por Rafaela Lupion (PSD), que fez um aparte durante a fala de Serginho do Posto para defender a aprovação da matéria.

“Todos os colegiados que apreciaram esse projeto manifestaram o voto favorável, haja vista que essa alteração legislativa não elimina o controle sobre o custeio da CuritibaPrev, mas evita a sobreposição normativa e corrige uma incongruência legislativa”, afirmou Rafaela. Para a vereadora, a proposta garante “segurança jurídica, aderência técnica e alinhamento às boas práticas de governança no sistema fechado de previdência complementar”.

Camilla Gonda (PSB) também encaminhou voto favorável, mas chamou a atenção para a necessidade de acompanhamento permanente da Câmara. A vereadora diferenciou o regime próprio de previdência social, obrigatório aos servidores, da previdência complementar, voltada a benefícios acima do teto e dependente da acumulação de recursos e dos rendimentos financeiros do fundo. “O nosso registro aqui não visa, obviamente, obstruir a aprovação do projeto, mas ressaltar a importância da vigilância contínua e técnica do Poder Legislativo”, afirmou.

Segundo Camilla, a revogação do limite municipal e a remissão às normas federais reduzem a densidade normativa local, o que exige fiscalização da execução do Plano de Gestão Administrativa, da aplicação dos recursos e da observância dos princípios da administração pública. “O nosso encaminhamento será favorável, por entender que, por apenas se tratar de uma harmonização, não temos muitos outros quesitos que influenciem ou ultrapassem a nossa capacidade aqui”, disse.

Vereadoras criticam desconto de 14% de aposentados

Após a aprovação, Camilla Gonda justificou o voto favorável e aproveitou o debate previdenciário para criticar a cobrança da contribuição de 14% sobre aposentados e pensionistas do Município. O tema não é objeto do projeto aprovado, que trata da previdência complementar da CuritibaPrev, mas foi associado pela vereadora à necessidade de fiscalização da política previdenciária municipal. “A gente tem acompanhado de perto essa questão, o impacto que esse confisco, esse desconto, tem na vida de milhares de aposentados, de servidores que já contribuíram durante toda a sua vida”, afirmou. Camilla disse que seu mandato apresentou representações ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas para apurar possíveis irregularidades jurídicas relacionadas à manutenção da cobrança.

A contribuição de 14% sobre aposentados e pensionistas foi incluída no debate municipal após a aplicação da Emenda Constitucional 103/2019 à Lei Orgânica do Município, aprovada pela Câmara em 26 de outubro de 2021, e a reforma previdenciária discutida no fim daquele ano. Na justificativa de voto, Giorgia Prates - Mandata Preta (PT) também defendeu a adequação técnica da proposta da CuritibaPrev, mas reforçou a crítica ao desconto. “Eu votei favorável porque esse projeto, de fato, faz uma adequação da legislação municipal à federal e também às normas da Previc”, disse. “Mas também é importante dizer que não dá para continuar confiscando 14% dos servidores aposentados desse município”, completou.

O projeto retorna à pauta para votação em segundo turno amanhã. Se aprovado novamente, seguirá para sanção do Executivo.