Dosimetria no Congresso: CMC debate 8 de janeiro antes da votação

por José Lázaro Jr. | Revisão: Ricardo Marques — publicado 29/04/2026 12h05, última modificação 29/04/2026 12h14
Audiência pública proposta pela vereadora Delegada Tathiana reuniu parlamentares e lideranças conservadoras no auditório da Câmara.
Dosimetria no Congresso: CMC debate 8 de janeiro antes da votação

Audiência pública foi transmitida ao vivo pelo canal da CMC no YouTube. (Foto: Carlos Costa/CMC)

Às vésperas da votação, pelo Congresso Nacional, do veto presidencial ao projeto da dosimetria das penas aplicadas aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, a Câmara Municipal de Curitiba (CMC) realizou audiência pública com o tema “Democracia, patriotismo e participação popular”. O encontro foi na noite desta terça-feira (28), no auditório do Anexo 2, por iniciativa da vereadora Delegada Tathiana Guzella (PL).

>> Confira a cobertura fotográfica da audiência pública

O Congresso deve analisar, nesta quinta-feira (30), o veto ao Projeto de Lei 2.162/2023, que altera regras de cálculo e progressão de pena para condenados por envolvimento nos atos de 8 de janeiro. Na CMC, o tema foi abordado por vereadores, parlamentares, lideranças políticas e participantes de manifestações realizadas em Curitiba e em Brasília.

No requerimento aprovado pela Câmara para a realização da audiência, a justificativa afirma que o encontro buscava fortalecer as instituições democráticas, ampliar o diálogo entre poder público e sociedade e tratar o patriotismo como compromisso com o bem comum, os princípios constitucionais e o desenvolvimento do país (407.00007.2026).

Delegada Tathiana defendeu apoio popular a pautas conservadoras

Ao abrir a audiência, Delegada Tathiana relacionou a participação política à defesa de valores conservadores, da família e da liberdade de manifestação, citando projetos com essas temáticas em tramitação na Câmara de Curitiba. A vereadora também criticou decisões judiciais sobre os atos de 8 de janeiro e afirmou que o país vive um momento decisivo.

“Hoje vivemos um momento de decisão no Brasil. Este ano é um ano que não tem precedentes na sua importância”, disse Tathiana. Para a vereadora, a audiência também teve o objetivo de reconhecer pessoas que, segundo ela, mantiveram coerência entre discurso e ação política. “O que estamos querendo aqui é homenagear aqueles que fazem e dizem a mesma coisa, que não há choque entre o fazer e o dizer”, afirmou.

A parlamentar citou, entre outros temas, o projeto que propõe declarar Curitiba como capital pró-vida, a defesa das escolas cívico-militares, a obrigatoriedade de aulas de educação financeira e civismo e críticas à participação de crianças em eventos ligados à pauta LGBT+ e à Marcha da Maconha.

Deputado Barichello pede mobilização nas redes sociais

O deputado estadual Delegado Tito Barrichello (PL) também relacionou o debate sobre democracia à mobilização política de grupos conservadores. Em sua fala, ele criticou o Governo Federal, o Supremo Tribunal Federal (STF) e o inquérito das fake news, além de defender a união da direita nas eleições de 2026.

“Temos que nos unir, estar fortes e compreender que temos uma luta dentro de regras democráticas, porque nós, mais do que nunca, respeitamos a democracia”, afirmou. O deputado pediu que os participantes atuem como multiplicadores de opinião, especialmente pelas redes sociais e pelo WhatsApp.

Ele também tratou da votação da dosimetria no Congresso ao defender a revisão das penas impostas aos participantes dos atos de 8 de janeiro. Segundo ele, a atuação política deve ocorrer “dentro das quatro linhas” e com uso dos instrumentos democráticos disponíveis.

Participantes relatam mobilizações no 20º BIB e em Brasília

Gil Gera, liderança social de Colombo, relembrou as manifestações realizadas no entorno do 20º Batalhão de Infantaria Blindado (20º BIB), no Bacacheri, após as eleições de 2022. Segundo ele, o movimento começou com apoio a caminhoneiros e passou a reunir pessoas mobilizadas por pautas conservadoras.

“Desistir não é uma opção para aqueles que Deus escolheu para falar sobre aquilo que para nós é muito caro e inegociável, que é a nossa liberdade”, afirmou Gil. Ele também disse que a direita precisa se manter unida em torno das pautas de “Deus, pátria, família e liberdade”.

O advogado Levi de Andrade, ex-agente da Polícia Federal e ex-vereador de Paranaguá, concentrou sua fala nos investigados e condenados pelos atos de 8 de janeiro. Ele afirmou ter atuado na defesa de cerca de 100 pessoas que classificou como “presos políticos” ou “perseguidos políticos”, parte delas sem cobrança de honorários.

Levi relatou ter estado em Brasília depois dos atos e criticou as condições em que, segundo ele, os manifestantes foram mantidos. “Pessoas idosas, mulheres idosas, estavam numa fila, 22h, cansadas já, dois dias sem comer praticamente, comida azeda. Foi horrível, desumano”, declarou.

Audiência também abordou redes de apoio e engajamento político

Daniel Amorese, apresentado como especialista em tecnologia de sistemas e integrante de grupos conservadores, falou sobre o que chamou de “despertar do patriotismo”. Ele disse que antes via a política como algo distante, mas passou a se envolver em manifestações a partir dos atos pelo impeachment de Dilma Rousseff e, depois, durante o governo Jair Bolsonaro.

“Eu era um alienado, que pensava que política era coisa suja, não era coisa para gente de bem”, afirmou. Amorese relatou experiências de mobilização no Pinheirinho e disse que grupos conservadores criaram relações de amizade e confiança entre pessoas que não se conheciam antes das manifestações.

Genaro Vela, cientista político e especialista em desenvolvimento humano, afirmou ter sido preso em razão do 8 de janeiro e relatou impactos emocionais e familiares da prisão. Em sua fala, pediu que os apoiadores mantenham contato com pessoas presas ou investigadas. “Nunca levem desesperança a quem está preso e que só tem você para olhar por ele. Alimentem sempre a fé”, disse.

A mesa também contou com Thiago Prado, empresário do setor moveleiro em Curitiba. Ele foi apresentado como representante da visão do cidadão empreendedor e da iniciativa privada no debate sobre participação popular e patriotismo.