Vereadora propõe atendimento psicológico nas escolas de Curitiba

por Pedritta Marihá Garcia | Revisão: Ricardo Marques — publicado 17/04/2026 10h35, última modificação 17/04/2026 10h55
Projeto de lei prevê ações de atenção psicossocial nas escolas da rede municipal de ensino.
Vereadora propõe atendimento psicológico nas escolas de Curitiba

Uma das diretrizes da política pública proposta é a promoção do bem-estar emocional dos estudantes. (Foto: Carlos Costa/CMC)

A Câmara Municipal de Curitiba (CMC) analisa um projeto de lei que estabelece diretrizes para a oferta de atendimento psicológico a estudantes do Ensino Fundamental da rede municipal. A matéria tramita desde julho do ano passado e já passou pela análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). O intuito é fortalecer a política de saúde mental no ambiente escolar. 

De autoria da vereadora Camilla Gonda (PSB), o texto propõe a organização de ações de atenção psicossocial voltadas ao bem-estar emocional dos alunos, com possibilidade de atendimento psicológico individual, conforme o planejamento da rede e a disponibilidade orçamentária (005.00557.2025). A matéria tramita com um substitutivo geral (031.00335.2025) que sugere uma abordagem mais ampla, ao tratar o atendimento psicológico como parte de uma política de atenção psicossocial nas escolas.

Entre as diretrizes previstas estão: promoção do bem-estar emocional dos estudantes; possibilidade de atendimento psicológico individual; articulação entre escolas, equipes multiprofissionais e serviços públicos; e realização de atendimentos em ambiente seguro, acolhedor e sigiloso. A proposta também incentiva a participação da comunidade escolar e o fortalecimento da rede de apoio aos estudantes.

Texto exige base científica e veda práticas sem respaldo técnico

A matéria estabelece que os atendimentos devem seguir práticas baseadas em evidências científicas e referenciais reconhecidos pelos órgãos competentes. Além disso, o texto veda expressamente o uso de métodos sem respaldo técnico, como práticas de coaching ou abordagens de desenvolvimento pessoal que não estejam alinhadas às diretrizes da Psicologia e da Saúde. Camilla Gonda argumenta que a medida busca preservar “a integridade técnica do serviço prestado” e garantir o respeito aos princípios éticos da Psicologia e à laicidade do Estado.

Execução dependerá de planejamento e recursos disponíveis

A implementação das ações previstas no projeto de lei ficará condicionada à disponibilidade orçamentária e à regulamentação do Poder Executivo. A proposta não cria cargos, funções ou despesas obrigatórias, e se aprovada pela CMC deverá ser executada conforme as estruturas já existentes na rede municipal de ensino. A autora também justifica que a proposta se limita a definir diretrizes de política pública, sendo um “instrumento legítimo de promoção da saúde mental na escola”, sem interferir na organização administrativa do Executivo.

Proposta prevê integração com serviços já existentes

O texto incentiva a articulação entre unidades escolares, equipes multiprofissionais e serviços públicos disponíveis, com o objetivo de ampliar o alcance das ações de atenção psicossocial. Segundo a parlamentar, a iniciativa contribui para a construção de “um sistema mais humano, protetivo e efetivo”, ao valorizar a escuta qualificada e o cuidado com a saúde mental no ambiente educacional.

A proposta foi protocolada em julho de 2025 e já passou pelo crivo da Comissão de Constituição e Justiça. Atualmente, encontra-se no gabinete parlamentar da vereadora, após ter sido analisado pelo colegiado de Economia, Finanças e Fiscalização e devolvido para ajustes. Clique na imagem abaixo para entender como funciona a tramitação de um projeto de lei na CMC: 

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