É vina ou salsicha? Vinada Cultural pode ser oficializada

por Pedritta Marihá Garcia | Revisão: Gabriel Kummer* — publicado 06/04/2026 14h10, última modificação 06/04/2026 14h10
Nori Seto (PP) quer reconhecer o evento que celebra a vina e valoriza a cultura popular e a ocupação do espaço urbano.
É vina ou salsicha? Vinada Cultural pode ser oficializada

Criada em 2013, a Vinada Cultural teve seis edições realizadas até 2019, e após a interrupção durante a pandemia, o evento foi retomado em 2025. (Foto: Brunno Covello)

Símbolo da cultura alimentar e da memória afetiva de Curitiba, a tradicional “vina” pode ganhar ainda mais reconhecimento institucional. Um projeto de lei em tramitação na Câmara Municipal de Curitiba (CMC) propõe incluir a Vinada Cultural no Calendário Oficial de Eventos, com realização preferencial no mês de maio.

De autoria do vereador Nori Seto (PP), a proposta busca consolidar o evento como parte permanente da agenda cultural da cidade, reconhecendo seu papel na valorização da identidade local e na ocupação dos espaços públicos (005.00120.2026).

A vina como identidade curitibana

Mais do que um alimento, a vina é tratada no projeto de lei como um elemento simbólico da cultura da cidade. Na justificativa, o parlamentar destaca que o cachorro-quente curitibano “foi incorporado de forma única à cultura alimentar da cidade, tornando-se parte do seu vocabulário e da sua memória afetiva”. A proposta resgata a origem da iguaria, ligada à tradição germânica, e reforça sua adaptação ao cotidiano curitibano como um dos traços mais reconhecíveis da identidade local.

Nori Seto também destaca o papel dos trabalhadores que ajudaram a consolidar essa tradição. Ao reunir os chamados dogueiros, a Vinada Cultural reconhece trajetórias que começaram nas ruas e se transformaram em iniciativas empreendedoras. Segundo a justificativa da matéria, esses profissionais atuam como “guardiões da cultura popular e da economia de base comunitária”, conectando gastronomia, trabalho e identidade urbana.

Evento aberto e ocupação do espaço público

Criada em 2013, a Vinada Cultural teve seis edições realizadas até 2019, ocupando espaços emblemáticos de Curitiba, como o Passeio Público, a Praça Afonso Botelho e a Pedreira Paulo Leminski. Após a interrupção durante a pandemia, o evento foi retomado em 2025, reunindo cerca de 2,5 mil pessoas e marcando o retorno de uma iniciativa já consolidada no calendário cultural da cidade.

Para Nori Seto, a Vinada se diferencia por promover um encontro gratuito e acessível, que valoriza a convivência e o uso qualificado dos espaços urbanos. “Mais do que um evento gastronômico, a Vinada Cultural é uma celebração do modo de viver curitibano, que valoriza a rua, o convívio e a comida simples feita com história”, afirma o autor. A programação inclui atividades culturais, musicais e educativas, com perfil voltado ao público familiar e à diversidade cultural da cidade.

Ao propor a inclusão da Vinada Cultural no calendário oficial, o projeto busca assegurar a continuidade do evento e fortalecer seu papel como instrumento de valorização da cultura local. Nori Seto reforça que a iniciativa contribui para o fortalecimento do sentimento de pertencimento e para a formação de um público cultural diverso, ao mesmo tempo em que estimula a economia criativa e a ocupação positiva dos espaços urbanos.

A proposta foi protocolada em 20 de março e aguarda o parecer técnico da Procuradoria Jurídica. Após essa etapa, seguirá para a análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). E se sua constitucionalidade for constatada pelo colegiado, seguirá tramitando nas demais comissões permanentes da Câmara de Curitiba. Se aprovada e sancionada, a lei entrará em vigor 90 dias após a sua publicação no Diário Oficial do Município.

Clique na imagem abaixo para entender como funciona a tramitação de um projeto de lei na CMC: 

Boiler tramitação projetos

*Notícia revisada pelo estudante de Letras Gabriel Kummer
Supervisão do estágio: Ricardo Marques