{"provider_url": "https://www.curitiba.pr.leg.br", "title": "O pr\u00e9dio da Santa Casa de Miseric\u00f3rdia ", "html": "<p align=\"justify\"><span><em>No dia 22 de maio de 1880, Dom Pedro II inaugurou o pr\u00e9dio que viria a ser a nova sede da Santa Casa de Miseric\u00f3rdia de Curitiba. Marco da influ\u00eancia alem\u00e3 na engenharia curitibana, o pr\u00e9dio da Santa Casa tamb\u00e9m foi decisivo para a urbaniza\u00e7\u00e3o do Campo do Olho d\u00c1gua, local hoje conhecido como Pra\u00e7a Rui Barbosa. H\u00e1 quatro anos a Assessoria de Imprensa da C\u00e2mara publica textos referentes a pessoas, fatos e eventos que marcaram a hist\u00f3ria de Curitiba.</em> <br /><br />Quando o engenheiro ingl\u00eas Bigg-Wither passou por Curitiba, avistou um pr\u00e9dio ainda em constru\u00e7\u00e3o, situado a uma certa dist\u00e2ncia do n\u00facleo da cidade. Em seus registros de viagem, revelou que ficou surpreso ao saber que se tratava de um hospital. Sua impress\u00e3o, pela apar\u00eancia do edif\u00edcio, era a de que ele guardava mais semelhan\u00e7as com os modernos hot\u00e9is ingleses daquele per\u00edodo. Para Wither, nem no Rio de Janeiro haveria pr\u00e9dios similares. O historiador Marcelo Sutil entende que o coment\u00e1rio de Bigg-Wither (um engenheiro atualizado em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s novidades construtivas europeias) demonstra o arrojo empregado na edifica\u00e7\u00e3o da nova sede da Santa Casa de Miseric\u00f3rdia. <br /><br />N\u00e3o poderia ser diferente: o engenheiro respons\u00e1vel pela obra era o alem\u00e3o Gottlieb Wieland, radicado em Curitiba h\u00e1 alguns anos e autor da igreja g\u00f3tica luterana, templo que por vinte anos marcou a paisagem da cidade, at\u00e9 ser atingido por um raio. Wieland distribuiu as tarefas referentes ao pr\u00e9dio da Santa Casa (ou Hospital de Caridade, como tamb\u00e9m era chamado) entre profissionais igualmente oriundos da Alemanha, como Frederico Warnecke, respons\u00e1vel pelos trabalhos em alvenaria, e Christian Strobel, incumbido das partes em madeira. Um pouco antes do t\u00e9rmino do pr\u00e9dio, Wieland contratou Henrique Henning, mestre-de-obras alem\u00e3o rec\u00e9m-instalado em Curitiba. Posteriormente, Henning teria papel fundamental na constru\u00e7\u00e3o da Catedral de Curitiba. <br /><br />Para Sutil, a arquitetura do pr\u00e9dio da Santa Casa se enquadra na chamada Escola Ecl\u00e9tica, que com sua mistura de elementos arquitet\u00f4nicos de etnias diversas se tornou a refer\u00eancia para todos os construtores que, naquele momento desejassem se distanciar do estilo colonial (luso-brasileiro). A caracter\u00edstica essencial do pr\u00e9dio \u00e9 a monumentalidade. \u201cNuma \u00e9poca em que o local era um descampado com algumas esparsas e pequenas casas, o pr\u00e9dio dominava a paisagem. (...) Wieland utilizou-se de platibandas em relevo, aproveitou o s\u00f3t\u00e3o - como fica vis\u00edvel pelas mansardas -, dotou a fachada de frisos decorativos na passagem do t\u00e9rreo ao piso superior e anexou ao conjunto torre\u00f5es, semelhantes a pequenos minaretes\u201d, esclarece o pesquisador em seu livro \u201cO Espelho e a Miragem\u201d.<br /><br /><strong>Dr. Murici</strong><br />O processo de constru\u00e7\u00e3o foi gradual e se estendeu de 1868 a 1880, mas a necessidade de uma nova sede para as atividades da Irmandade da Miseric\u00f3rdia era mais antiga. Sua sede anterior, localizada na rua Direita (hoje chamada de Rua 13 de Maio) desde 1855, j\u00e1 n\u00e3o era suficiente para comportar as demandas da cidade. A doa\u00e7\u00e3o do terreno para a constru\u00e7\u00e3o do pr\u00e9dio foi feita pela C\u00e2mara Municipal e datava de 1861. O documento cedia o terreno \u201cpor tr\u00e1s da Rua da Entrada (Emiliano Perneta) entre as casas de Dona Carlota Franco e Ant\u00f4nio de Paula na extens\u00e3o de 400 palmos de frente e os fundos correspondentes, fazendo frente a um largo\u201d. <br /><br />Segundo o texto do Boletim Informativo da Casa Rom\u00e1rio Martins referente \u00e0 Pra\u00e7a Rui Barbosa, o local \u201capresentava todas as condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis para abrigar um hospital: pelo acesso facilitado por novas vias que estavam sendo definidas, ou mesmo por quest\u00f5es sanit\u00e1rias, uma vez que, longe da aglomera\u00e7\u00e3o dos pr\u00e9dios existentes na Rua Direita, garantia-se a ventila\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria a um estabelecimento de sa\u00fade\u201d. <br /><br />Ary de Christan (1930-2010), membro fundador da Academia Paranaense de Medicina e provedor da Santa Casa, relatou o esfor\u00e7o de muitos em prol da conclus\u00e3o da obra, mas deu destaque \u00e0 atua\u00e7\u00e3o do ent\u00e3o provedor da Irmandade da Miseric\u00f3rdia, Jos\u00e9 C\u00e2ndido de Andrade Murici, que com s\u00f3lidos argumentos conseguiu impedir a edi\u00e7\u00e3o de uma lei que pretendia transferir os bens da Irmandade para o tesouro da Prov\u00edncia\u00a0 \u201csitua\u00e7\u00e3o que dificultaria a finaliza\u00e7\u00e3o do hospital\u201d. Dr Murici (cujo nome passou a ser grafado equivocadamente com \u201cy\u201d a partir do s\u00e9culo XX) morreu um ano antes do fim das obras.<br /><br />A inaugura\u00e7\u00e3o do pr\u00e9dio da Santa Casa foi tamb\u00e9m a primeira cerim\u00f4nia realizada no largo que depois viria a ser a Pra\u00e7a Rui Barbosa. David Carneiro relata que \u201cforam montados dois coretos e uma alameda de pinheiros e outras \u00e1rvores, ligadas por arcos de fl\u00e2mulas e vistosos ramalhetes de flores, levantados a espa\u00e7os intercalados, que acompanhavam o percurso que o imperador seguiria\u201d. Acredita-se que mais de duas mil pessoas tenham acompanhado a chegada do casal imperial (Dom Pedro II e Dona Teresa Cristina). Ao lado do Passeio P\u00fablico, o pr\u00e9dio da Santa Casa impactou os curitibanos que gradualmente passaram a adotar as t\u00e9cnicas construtivas alem\u00e3s. <br /><br /><strong>Miseric\u00f3rdia</strong><br />As Santas Casas de Miseric\u00f3rdia t\u00eam origens portuguesas e sempre primaram pela pr\u00e1tica da caridade. No Brasil, as primeiras unidades surgiram logo ap\u00f3s o descobrimento, como a de Olinda em Pernambuco, inaugurada em 1539 ou as de S\u00e3o Vicente e Santos em 1543. No Paran\u00e1 a ideia da institui\u00e7\u00e3o surgiu em 1843, mas seu surgimento apenas se concretizou em 1852, com a cria\u00e7\u00e3o de um grupo denominado Fraternidade Curitibana (que depois se tornaria a Irmandade da Santa Casa de Miseric\u00f3rdia de Curitiba). A primeira sede, inaugurada na Rua 13 de maio, em 1855, servia de apoio \u00e0 Santa Casa de Miseric\u00f3rdia de Paranagu\u00e1 (que permanecia lotada em raz\u00e3o da epidemia de c\u00f3lera).<br /><br />Al\u00e9m de ter sido o \u00fanico hospital de Curitiba durante muitos anos, a Santa Casa de Miseric\u00f3rdia tamb\u00e9m foi pioneira na ado\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicas m\u00e9dicas ao longo de toda a sua hist\u00f3ria. Atualmente o hospital atua em conv\u00eanio com a Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica. O Dr. Muricy hoje \u00e9 nome de uma alameda, que vai da Pra\u00e7a Garibaldi (Largo da Ordem) at\u00e9 a Avenida Visconde de Guarapuava.</span></p>\r\n<p align=\"justify\"><span><em>Por Jo\u00e3o C\u00e2ndido Martins</em></span><br /><span><em><br /></em><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas</strong><br /><br />\u201cRui Barbosa, a Pra\u00e7a na Trilha do Tempo\u201d. Texto de Antonio Paulo Benatti e Marcelo Saldanha Sutil, publicado no Boletim Informativo da Casa Rom\u00e1rio Martins. Editado pela Funda\u00e7\u00e3o Cultural de Curitiba (v. 23, n. 119), dezembro de 1996. <br /><br />\u201cO Espelho e a Miragem\u201d, de Marcelo Sutil. Disserta\u00e7\u00e3o de Mestrado apresentada na P\u00f3s Gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria da Universidade Federal do Paran\u00e1, em 1996 (cita\u00e7\u00e3o nas p\u00e1ginas 30 e 31).<br /><br />\u201cO cuidar na atua\u00e7\u00e3o das Irm\u00e3s de S\u00e3o Jos\u00e9 de Moutiers na Santa Casa de Miseric\u00f3rdia de Curitiba (1896-1937)\u201d, de Maria Ang\u00e9lica Pinto Nunes Pizani. Tese de Doutorado apresentada na P\u00f3s Gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria da Universidade Federal do Paran\u00e1, em 2005.<br /><br />\u201cSanta Casa de Miseric\u00f3rdia de Curitiba\u201d, de Ary de Christan. Texto publicado no jornal digital Paran\u00e1 Online, no dia 13/08/2006. Link <a href=\"http://www.paranaonline.com.br/colunistas/236/38463/?postagem=SANTA+CASA+DE+MISERICORDIA+DE+CURITIBA\">aqui</a>. <br /></span></p>", "author_name": "", "version": "1.0", "author_url": "https://www.curitiba.pr.leg.br/author/assessoria.comunicacao", "provider_name": "Portal da C\u00e2mara Municipal de Curitiba", "type": "rich"}