{"provider_url": "https://www.curitiba.pr.leg.br", "title": "Migu\u00e9News: a psicologia por tr\u00e1s das fake news", "html": "<p dir=\"ltr\">Se a mentira tem perna curta, como ela corre t\u00e3o r\u00e1pido? E, se todo mundo j\u00e1 sabe o que s\u00e3o fake news, por que elas s\u00e3o ainda t\u00e3o compartilhadas? Um estudo, de 2018, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, em ingl\u00eas) apontou que, nos Estados Unidos, as not\u00edcias falsas se espalhavam 70% mais r\u00e1pido do que as informa\u00e7\u00f5es verdadeiras.</p>\r\n<p dir=\"ltr\"><span>Dando continuidade \u00e0 s\u00e9rie de mat\u00e9rias do Migu\u00e9News, a C\u00e2mara Municipal de Curitiba (CMC) quer entender o porqu\u00ea - mesmo com todas as informa\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis - de as not\u00edcias falsas ainda apresentarem uma amea\u00e7a. Afinal, o que leva algu\u00e9m a compartilhar algo, muitas vezes, t\u00e3o absurdo?</span></p>\r\n<p dir=\"ltr\"><span>Conversando com a CMC, o psic\u00f3logo e professor universit\u00e1rio Willian Mac-Cormick Maron explica que as fake news s\u00e3o produzidas para evocar uma paix\u00e3o naquele que l\u00ea, ou seja, provocar sensa\u00e7\u00f5es irracionais. \u201cEssas fake news movimentam paix\u00f5es, quest\u00f5es nossas, que j\u00e1 estavam l\u00e1 aprofundadas, e ganham pot\u00eancia assim\u201d, conta Maron.</span></p>\r\n<p dir=\"ltr\"><span>\u00c9 importante ressaltar que, tecnicamente falando, quando tratamos de uma paix\u00e3o do indiv\u00edduo, n\u00e3o \u00e9 no sentido rom\u00e2ntico da palavra, mas sim no sentido de sentimentos e convic\u00e7\u00f5es. Assim, conta o professor, quando vemos uma figura de lideran\u00e7a ou de respeito que representa e reafirma nossas convic\u00e7\u00f5es, tendemos a apoi\u00e1-la.</span></p>\r\n<p dir=\"ltr\"><span>Ent\u00e3o, o discurso reproduzido pelas informa\u00e7\u00f5es falsas - independente de suas origens - apenas legitimam quest\u00f5es pessoais. Por isso, o indiv\u00edduo acreditaria nas fake news: pois deseja que elas sejam verdade por reafirmarem o que ele cr\u00ea, por justificarem suas paix\u00f5es.</span></p>\r\n<p dir=\"ltr\"><span>Um estudo publicado pela revista </span><span>Science</span><span>, em 2018, refor\u00e7a a fala do professor Maron, afirmando que o c\u00e9rebro tende a absorver com mais facilidade ideias que confirmem suas opini\u00f5es, enquanto repele aquelas que s\u00e3o mais desafiadoras. Nas ci\u00eancias humanas, Sigmund Freud e \u00c9mile Durkheim falam sobre uma \u201cpsicologia das massas\u201d, que tamb\u00e9m pode ser usada para explicar o fen\u00f4meno das fake news, uma vez que certos grupos sociais s\u00f3 funcionam por serem completamente coesos - ou homog\u00eaneos - como uma massa.</span></p>\r\n<p dir=\"ltr\"><span>J\u00e1 Georg Simmel coloca que, em grandes aglomera\u00e7\u00f5es, o indiv\u00edduo se sente tomado por uma for\u00e7a independente do seu querer individual. De forma similar, Elisabeth Neumann explica o fen\u00f4meno em sua teoria sobre a Espiral do Sil\u00eancio, no qual a predomin\u00e2ncia de determinada informa\u00e7\u00e3o faz com que ideias opostas n\u00e3o sejam expressas, seja por medo ou vergonha.</span></p>\r\n<p dir=\"ltr\"><span>Tamb\u00e9m entrevistado pela CMC, o psic\u00f3logo Akim Neto fala sobre uma explica\u00e7\u00e3o que remete \u00e0s teorias citadas: a necessidade de o indiv\u00edduo estar inserido em um \u201ctecido social de informa\u00e7\u00f5es\u201d. Neto fala sobre a pr\u00e1tica da fofoca e o quanto ela est\u00e1 enraizada em nossa sociedade. \u201cEste comportamento mostra nossa necessidade de compartilharmos informa\u00e7\u00f5es - mesmo sem averiguar sua veracidade\u201d, explica.</span></p>\r\n<p dir=\"ltr\"><span>\u201cEstas duas informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o importantes para lembrarmos que a nossa esp\u00e9cie \u00e9 social, ou seja, a manuten\u00e7\u00e3o de uma estrutura social, seja ela qual for, \u00e9 um fator de sobreviv\u00eancia para n\u00f3s\u201d, disse o psic\u00f3logo. Assim, quando compartilhamos uma not\u00edcia falsa, estar\u00edamos alimentando esse tecido de informa\u00e7\u00f5es.</span></p>\r\n<p dir=\"ltr\"><span>De forma individual, ent\u00e3o, a pessoa que compartilha uma fake news sente que est\u00e1 \u201ccumprindo seu papel\u201d como um emiss\u00e1rio da verdade ou um soldado em uma guerra. Novamente, percebe-se que as pessoas que compartilham informa\u00e7\u00f5es falsas o fazem por quererem que sejam verdade.</span></p>\r\n<p dir=\"ltr\"><span>\u201c\u00c9 importante entender que a pessoa que divulga a fake news est\u00e1 em algum lugar dentro de um certo 'espectro': de um lado ela acredita na fake news, pois ela vai ao encontro ao seu discurso explicativo do mundo; de outro, ela tem consci\u00eancia da mentira ou desinforma\u00e7\u00e3o e a usa como uma arma\u201d, ressalta Akim Neto. Por isso, dificilmente quem espalha fake news se arrepende, por acreditar estar fazendo o bem.</span></p>\r\n<p dir=\"ltr\"><span>Neto ainda traz um conceito diferente dos j\u00e1 citados: a modernidade l\u00edquida, de Zygmunt Bauman. \u201cEu creio que o cen\u00e1rio atual fica melhor contemplado dentro da ideia de \u2018guerra cultural\u2019 e dentro da perspectiva de modernidade l\u00edquida. Atualmente, o cen\u00e1rio pol\u00edtico e ideol\u00f3gico se mostra polarizado entre o 'bem' e o 'mal'. Nesse sentido, cada vez mais as pessoas assumem uma atitude de soldados a favor do bem e contra o mal\u201d, afirma. \u201cJunto com isso, a modernidade l\u00edquida \u00e9 um cen\u00e1rio de incertezas constantes nas quais vivemos. O desmantelamento das estruturas antigas nas quais a sociedade estava alicer\u00e7ada trouxeram muita incerteza e inseguran\u00e7a \u00e0 pessoa comum\u201d, completa o entrevistado.</span></p>\r\n<p dir=\"ltr\"><strong>Convivendo com as fake news<br /></strong>Apenas arranhando a superf\u00edcie da psicologia e da sociologia, j\u00e1 \u00e9 percept\u00edvel o qu\u00e3o enraizada a pr\u00e1tica de inventar e espalhar boatos est\u00e1 na sociedade. Ent\u00e3o, n\u00e3o, as fake news n\u00e3o v\u00e3o sumir ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es ou quando o cen\u00e1rio de incerteza passar; elas vieram para ficar.</p>\r\n<p dir=\"ltr\"><span>Isso n\u00e3o quer dizer que est\u00e1 tudo perdido; existem meios de combater a desinforma\u00e7\u00e3o no dia a dia. Assim como a C\u00e2mara tem o Migu\u00e9News, existem dezenas de outras iniciativas que trabalham diariamente na checagem de fatos e na produ\u00e7\u00e3o de desmentidos.\u00a0</span><span>E \u00e9 atrav\u00e9s da divulga\u00e7\u00e3o dessas iniciativas, da democratiza\u00e7\u00e3o do acesso e, principalmente, da educa\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica que ser\u00e1 poss\u00edvel reduzir os malef\u00edcios com as fake news.</span></p>\r\n<p dir=\"ltr\"><strong>Gralha Confere<br /></strong>Uma das iniciativas de combate \u00e0 desinforma\u00e7\u00e3o no Paran\u00e1 \u00e9 o Gralha Confere, do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-PR), projeto em que a CMC \u00e9 parceira. O objetivo do Gralha \u00e9 checar e desmentir informa\u00e7\u00f5es a respeito do processo eleitoral (<a href=\"https://www.curitiba.pr.leg.br/informacao/noticias/cmc-se-junta-ao-tre-pr-no-projeto-gralha-confere\">leia mais</a>).</p>\r\n<p dir=\"ltr\"><strong>Nossa Mem\u00f3ria<br /></strong>O <a href=\"https://www.curitiba.pr.leg.br/informacao/nossa-memoria\">Nossa Mem\u00f3ria</a> \u00e9 uma iniciativa da Diretoria de Comunica\u00e7\u00e3o da CMC para preservar e recordar as hist\u00f3rias de Curitiba, do Paran\u00e1 e tamb\u00e9m do Brasil. As reportagens sobre as Fake News s\u00e3o parte de uma s\u00e9rie especial para ajudar a divulgar a parceria da C\u00e2mara com o projeto Gralha Confere, assim como espalhar o conhecimento sobre o assunto.</p>\r\n<p dir=\"ltr\"><strong>Restri\u00e7\u00f5es eleitorais<br /></strong>Em <a href=\"http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9504.htm\">respeito \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o eleitoral</a>, a comunica\u00e7\u00e3o institucional da CMC ser\u00e1 controlada editorialmente at\u00e9 o dia 2 de outubro. Nesse per\u00edodo, n\u00e3o ser\u00e3o divulgadas informa\u00e7\u00f5es que possam caracterizar uso promocional de candidato, fotografias individuais dos parlamentares e declara\u00e7\u00f5es relacionadas a partidos pol\u00edticos, entre outros cuidados. As refer\u00eancias nominais ser\u00e3o reduzidas ao m\u00ednimo razo\u00e1vel, de forma a evitar somente a descaracteriza\u00e7\u00e3o do debate legislativo.</p>\r\n<p dir=\"ltr\"><span>Ainda que a C\u00e2mara de Curitiba j\u00e1 respeite o princ\u00edpio constitucional da impessoalidade, h\u00e1 dez anos, na sua divulga\u00e7\u00e3o do Poder Legislativo, publicando somente as not\u00edcias dos fatos com v\u00ednculo institucional e com interesse p\u00fablico, esses cuidados s\u00e3o redobrados durante o per\u00edodo eleitoral. A cobertura jornal\u00edstica dos atos do Legislativo ser\u00e1 mantida, sem interrup\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os de utilidade p\u00fablica e de transpar\u00eancia p\u00fablica, por\u00e9m com condicionantes (</span><a href=\"https://www.curitiba.pr.leg.br/informacao/noticias/divulgacao-institucional-da-cmc-tera-restricoes-no-periodo-eleitoral\"><span>saiba mais</span></a><span>).<br /></span></p>\r\n<p dir=\"ltr\"><span><strong>Refer\u00eancias<br /></strong></span><a href=\"https://mittechreview.com.br/fake-news-o-que-pode-ser-feito/\">https://mittechreview.com.br/fake-news-o-que-pode-ser-feito/</a></p>\r\n<p dir=\"ltr\"><a href=\"https://periodicos.ufpe.br/revistas/estudosuniversitarios/article/view/253131/41219\"><span>https://periodicos.ufpe.br/revistas/estudosuniversitarios/article/view/253131/41219</span></a></p>\r\n<p dir=\"ltr\"><a href=\"https://veja.abril.com.br/saude/por-que-o-cerebro-tem-facilidade-para-aceitar-fake-news/\"><span>https://veja.abril.com.br/saude/por-que-o-cerebro-tem-facilidade-para-aceitar-fake-news/</span></a></p>\r\n<p><em>*Not\u00edcia elaborada pela estudante de Jornalismo Sophia Gama*, especial para a CMC, e Claudia Kr\u00fcger.</em><br /><em>Supervis\u00e3o do est\u00e1gio: Fernanda Foggiato</em><br /><em>Revis\u00e3o: Alex Gruba</em></p>", "author_name": "Sophia Gama*, especial para a CMC", "version": "1.0", "author_url": "https://www.curitiba.pr.leg.br/author/Sophia Gama*, especial para a CMC", "provider_name": "Portal da C\u00e2mara Municipal de Curitiba", "type": "rich"}