{"provider_url": "https://www.curitiba.pr.leg.br", "title": "A hist\u00f3ria do tr\u00e2nsito em Curitiba, dos \u201cpingentes\u201d \u00e0 \u201crabeira\u201d", "html": "<p>O <b>Maio Amarelo</b> \u00e9 um<b> movimento internacional</b> <strong>de conscientiza\u00e7\u00e3o para a</strong> <b>seguran\u00e7a no tr\u00e2nsito</b>, presente em mais de 20 pa\u00edses. A campanha une esfor\u00e7os do poder p\u00fablico e da sociedade civil para <strong>salvar vidas</strong>. Em <b>Curitiba</b>, reconhecida por seu sistema inovador de <b>transporte coletivo com canaletas exclusivas</b>, um dos temas em destaque \u00e9 o combate \u00e0 pr\u00e1tica conhecida como <b>\u201crabeira\u201d</b> \u2013 quando ciclistas se penduram na traseira de \u00f4nibus em movimento.</p>\r\n<blockquote class=\"pullquote\"><strong>N\u00e3o perca!</strong><br /><strong>\ud83c\udfa7\u00a0\u00a0<a title=\"\" href=\"https://www.curitiba.pr.leg.br/informacao/noticias/maio-amarelo-como-curitiba-pode-zerar-as-mortes-no-transito\" class=\"external-link\" target=\"_blank\">CMC Podcasts:\u00a0</a><a title=\"\" href=\"https://www.curitiba.pr.leg.br/informacao/noticias/maio-amarelo-como-curitiba-pode-zerar-as-mortes-no-transito\" class=\"external-link\" target=\"_blank\">como Curitiba pode zerar as mortes no tr\u00e2nsito?</a></strong></blockquote>\r\n<p>O que muita gente n\u00e3o sabe \u00e9 que essa <strong>pr\u00e1tica perigosa</strong> tem <strong>ra\u00edzes hist\u00f3ricas</strong>. Desde o <strong>fim do s\u00e9culo 19</strong>, quando <b>bondes puxados por mulas</b> circulavam pela cidade, j\u00e1 se alertava sobre a imprud\u00eancia dos chamados <b>\u201cpingentes\u201d</b> ou <b>\u201cpula-bondes\u201d</b> \u2013 passageiros que se arriscavam pendurados nos estribos ou para-choques traseiros dos ve\u00edculos.</p>\r\n<p class=\" \">Nesta reportagem especial da <b>C\u00e2mara Municipal de Curitiba (CMC)</b>, relembramos <b>cinco fatos hist\u00f3ricos do transporte curitibano</b> que ajudam a entender a evolu\u00e7\u00e3o do modal e a refletir sobre o tr\u00e2nsito de ontem e os desafios de hoje, em busca de um <strong>tr\u00e2nsito mais seguro</strong>.\u00a0</p>\r\n<h2><strong><a title=\"\" href=\"https://www.curitiba.pr.leg.br/informacao/noticias/antes-dos-primeiros-201comnibus201d-os-bondes-puxados-por-mulas\" class=\"external-link\" target=\"_blank\">A chegada dos bondes de mulas, em 1887</a></strong></h2>\r\n<p><img src=\"https://www.curitiba.pr.leg.br/informacao/noticias/imagens-de-noticias/BondedemulasCuritiba_Arquivo_FCC.JPG\" alt=\"\" class=\"image-right\" title=\"\" />At\u00e9 a chegada dos bondes de mulas, o transporte era feito por <strong>carro\u00e7as</strong>. Com um <strong>atraso de 28 anos</strong> em rela\u00e7\u00e3o ao Rio de Janeiro, a capital do Imp\u00e9rio, os <strong>bondes sobre trilhos, puxados por mulas</strong>, come\u00e7aram a circular em Curitiba em <strong>novembro de 1887</strong>. A cidade ficou em festa para a <strong>viagem inaugural</strong>, entre a esta\u00e7\u00e3o central da empresa Ferro Carril Curitibana (hoje, o anexo 3 da C\u00e2mara Municipal) e o bairro Batel.<span>\u00a0</span></p>\r\n<p>Nos <strong>bondes por tra\u00e7\u00e3o animal</strong>, estavam pol\u00edticos, industriais e jornalistas, al\u00e9m de \u201cdistintas senhoras de nossa sociedade\u201d, conforme o relato da \u201cGazeta Paranaense\u201d. Durante a passagem dos bondes, a popula\u00e7\u00e3o lan\u00e7ava flores. \u201cA <strong>recep\u00e7\u00e3o que tiveram os bondes no Batel</strong> foi gloriosa, soberba, digna, [...] <strong>flores, bandeiras, arcos, m\u00fasica, foguetes e aclama\u00e7\u00f5es</strong> delirantes formavam um espl\u00eandido concerto de alegrias\u201d, registrou o extinto jornal.</p>\r\n<p><a title=\"\" href=\"https://www.curitiba.pr.leg.br/informacao/noticias/historia-do-transporte-publico-de-curitiba-a-pau-e-pedras-a-revolta-dos-carroceiros\" class=\"external-link\" target=\"_blank\"><b>Os carroceiros de Curitiba, por outro lado, n\u00e3o gostaram da novidade</b></a><b>. </b>Preocupados com a <strong>concorr\u00eancia</strong> dos bondes de mulas, eles tentaram, desde o primeiro dia, <strong>sabotar o novo modal</strong> de transporte. Segundo reportagens daquele per\u00edodo, os carroceiros costumavam agir \u201cna calada da noite\u201d, <strong>bloqueando os trilhos com paus e pedras</strong>. A pol\u00edcia precisou agir para evitar acidentes como o <strong>descarrilamento</strong> dos bondes.</p>\r\n<h2><a title=\"\" href=\"https://www.curitiba.pr.leg.br/informacao/noticias/historia-do-transporte-publico-de-curitiba-fura-catracas-de-hoje-sao-pula-bondes-de-ontem\" class=\"external-link\" target=\"_blank\">O primeiro acidente de bonde de Curitiba<span>\u00a0</span></a></h2>\r\n<p><img src=\"https://www.curitiba.pr.leg.br/informacao/noticias/imagens-de-noticias/OprimeiroacidentedebondedeCuritiba_Arte_DiogoFukushima_CMC.png\" alt=\"\" class=\"image-right\" title=\"\" />A chegada dos <b>bondes de mulas</b> foi motivo de festa em <b>Curitiba</b>, mas logo os jornais da cidade passaram a registrar <b>acidentes</b>. O <b>primeiro deles</b> foi noticiado em <b>dezembro de 1887</b>. Segundo o jornal \u201cGazeta Paranaense\u201d, o bonde n\u00ba 3 seguia \u201ccom tanta<b> velocidade</b> que n\u00e3o obedeceu \u00e0 curva\u201d e <b>perdeu o controle</b>, na descida da Rua da Assembleia (atual Alameda Doutor Muricy). O ve\u00edculo ent\u00e3o descarrilou e <b>tombou</b> na entrada da Rua da Imperatriz (atual <b>rua XV de Novembro</b>).\u00a0<span>\u00a0</span></p>\r\n<p>O jornal atribuiu o acidente ao \u201cpouco cuidado\u201d do <b>cocheiro</b> \u2013 como eram chamados os <b>motoristas</b> dos ve\u00edculos de tra\u00e7\u00e3o animal at\u00e9 a chegada do bonde el\u00e9trico, em 1913, quando a fun\u00e7\u00e3o passou a ser de <b>motorneiro</b>. J\u00e1 os<b> cobradores</b> da passagem dos bondes eram conhecidos como <b>condutores</b>.</p>\r\n<p>\u00a0</p>\r\n<h2><a title=\"\" href=\"https://www.curitiba.pr.leg.br/informacao/noticias/maio-amarelo-a-historia-do-primeiro-acidente-de-carro-em-curitiba\" class=\"external-link\" target=\"_blank\">O primeiro acidente de carro da capital do Paran\u00e1</a></h2>\r\n<p><b><img src=\"https://www.curitiba.pr.leg.br/informacao/noticias/imagens-de-noticias/FidoFontana_PrimeirocarrodeCuritiba.JPG\" alt=\"\" class=\"image-right\" title=\"\" />Curitiba</b><span> conta, hoje, com uma </span><b>frota de mais de 1,8 milh\u00e3o de ve\u00edculos</b><span>, sendo 1,1 milh\u00e3o de autom\u00f3veis. J\u00e1 o cen\u00e1rio nas ruas da cidade, no come\u00e7o do s\u00e9culo passado, era bem diferente. O </span><b>primeiro carro </b><span>da capital paranaense, da fabricante francesa </span><b>Peugeot</b><span>, foi importado de Paris por um jovem industrial ervateiro curitibano, </span><b>Francisco Fido Fontana</b><span>.\u00a0</span><span>\u00a0</span></p>\r\n<p>O ve\u00edculo chegou ao Porto de Paranagu\u00e1 no dia 20 de <b>mar\u00e7o de</b> <b>1903</b>. \u201c\u00c9 o primeiro importado para o nosso estado\u201d, registrou o jornal \u201cDi\u00e1rio do Paran\u00e1\u201d. Apenas dois meses depois, o jornal \u201cA Rep\u00fablica\u201d noticiou que o carro que pertencia a Fido<b> circulava \u201ca toda velocidade </b>pela rua Campos Gerais\u201d e que duas crian\u00e7as, \u201cfilhas do sr. Braga, que brincavam na porta de sua resid\u00eancia\u201d, quase foram atropeladas. \u201cA custo escaparam, sendo, por\u00e9m, morto um cachorrinho pertencente \u00e0quele senhor\u201d, alertou a publica\u00e7\u00e3o.<span>\u00a0</span></p>\r\n<p>\u201cLament\u00e1vel ocorr\u00eancia num autom\u00f3vel\u201d, escreveu, tr\u00eas meses depois do quase atropelamento, o \u201cDi\u00e1rio da Tarde\u201d. O <b>primeiro acidente de carro</b> com pessoas feridas, na cidade de Curitiba, aconteceu num s\u00e1bado \u00e0 tarde, <b>dia 15 de agosto de 1903</b>, na regi\u00e3o onde fica, hoje, o bairro de <b>Santa Felicidade</b>. \u201cEm uma <b>rampa bastante \u00edngreme</b>, demandando [dirigindo-se para] a ch\u00e1cara Schemelfeng, o break [freio] deixou de funcionar, n\u00e3o sendo poss\u00edvel sofrear [parar] o autom\u00f3vel, que em carreira vertiginosa descia a ladeira\u201d, citou o jornal.<span>\u00a0</span></p>\r\n<h2><a title=\"\" href=\"https://www.curitiba.pr.leg.br/informacao/noticias/historia-do-transporte-publico-de-curitiba-fura-catracas-de-hoje-sao-pula-bondes-de-ontem\" class=\"external-link\" target=\"_blank\"><b>\u201cPingentes\u201d e \u201cmorcegar o bonde\u201d: a imprud\u00eancia antes dos \u00f4nibus</b></a></h2>\r\n<p class=\" \"><span><img src=\"https://www.curitiba.pr.leg.br/informacao/noticias/imagens-de-noticias/Pingentesemorcegarobonde_aimprudnciaantesdosnibus_Arte_DiogoFukushima_CMC.png\" alt=\"\" class=\"image-right\" title=\"\" />Muito antes das canaletas e dos biarticulados, os curitibanos j\u00e1 arriscavam a vida pendurados nos bondes. Conhecidos como </span><b>\u201cpingentes\u201d</b><span> ou </span><b>\u201cpula\u2011bondes\u201d</b><span>, eles viajavam nos </span><b>estribos (degraus)</b><span> e </span><b>para\u2011choques traseiros</b><span> para evitar o pagamento da passagem (chamada de \u201ccoupon\u201d) ou simplesmente por \u201caventura\u201d. Apesar de proibida, a pr\u00e1tica era comum e resultava em </span><b>graves</b><span> </span><b>acidentes</b><span>, noticiados por jornais da \u00e9poca.\u00a0</span></p>\r\n<p>Devido aos \u201cpingentes\u201d, os bondes chegaram a ser apelidados de\u00a0<b>\u201cbalangand\u00e3s\u201d </b>(esp\u00e9cie de joia afro-brasileira). As pr\u00e1ticas de <b>\u201cmorcegar o bonde\u201d</b> ou <b>\u201ctom\u00e1-lo de assalto\u201d</b>, isto \u00e9, <b>descer ou subir no vag\u00e3o em movimento</b>, tamb\u00e9m estavam entre os principais fatores dos acidentes registrados <b>mais de 100 anos atr\u00e1s</b>.</p>\r\n<p>Em outubro de <b>1905</b>, por exemplo, o jornal \u201cA Republica\u201d noticiou o acidente com o condutor (cobrador) da linha Semin\u00e1rio. De acordo com a mat\u00e9ria, o <b>homem estava no estribo e</b> <b>\u201cfoi de encontro com o poste de ferro</b>, ficando preso entre este e o bonde, caindo depois no a\u00e7ude marginal \u00e0 estrada, de onde o levantaram sem sentidos, com o rosto horrivelmente ferido e o corpo cheio de contus\u00f5es\u201d.\u00a0<span>\u00a0</span></p>\r\n<blockquote class=\"pullquote\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<br /></strong><strong><a title=\"\" href=\"https://www.curitiba.pr.leg.br/informacao/noticias/agora-e-lei-201crabeira201d-resultara-em-multa-e-apreensao-da-bike\" class=\"external-link\" target=\"_blank\">Agora \u00e9 lei! \u201cRabeira\u201d resultar\u00e1 em multa e apreens\u00e3o da bicicleta<br /><br /></a></strong></blockquote>\r\n<p>\u201c<b>Homem esmagado</b>\u201d \u00e9 o t\u00edtulo de outra not\u00edcia do \u201cA Republica\u201d, em janeiro de <b>1915</b>, sobre a morte de um passageiro que caiu do bonde, na rua Comendador Ara\u00fajo. Em outro exemplo de imprud\u00eancia, <b>antes mesmo da era dos \u00f4nibus</b>, o jornal \u201cCorreio do Paran\u00e1\u201d informou, em julho de <b>1938</b>, o grave acidente com um <b>jovem de 15 anos</b> que se arriscava como <b>\u201cpingente\u201d</b>, caiu e bateu a cabe\u00e7a.\u00a0</p>\r\n<h2><a title=\"\" href=\"https://www.curitiba.pr.leg.br/informacao/noticias/a-historia-da-garagem-de-bondes-de-curitiba\" class=\"external-link\" target=\"_blank\"><b>Da transi\u00e7\u00e3o el\u00e9trica aos primeiros \u201comnibus\u201d</b></a></h2>\r\n<p><span><img src=\"https://www.curitiba.pr.leg.br/informacao/noticias/imagens-de-noticias/EstaodebondesPraaTiradentes_dcadade1920.jpg\" alt=\"\" class=\"image-right\" title=\"\" />No come\u00e7o do s\u00e9culo 20, o </span><b>crescimento de Curitiba</b><span> foi impulsionado pelo ciclo da erva-mate e </span><b>fez com que os bondes com tra\u00e7\u00e3o animal se tornassem obsoletos</b><span>. Os registros mostram que, entre 1903 e 1913, o n\u00famero de passageiros aumentou 179%, saltando de 680 mil para 1,9 milh\u00e3o por ano. A</span><b> moderniza\u00e7\u00e3o do sistema </b><span>era discutida pela C\u00e2mara Municipal desde </span><b>1907, </b><span>mas levou alguns anos para se tornar realidade.</span></p>\r\n<p>Os <b>primeiros bondes el\u00e9tricos</b> come\u00e7aram a ser <b>testados</b> em dezembro de<b> 1912 </b>e entraram em <b>opera\u00e7\u00e3o </b>a partir de <b>1913</b>. Entretanto, como a demanda continuou crescendo, <b>em 1928 surgiram os primeiros \u00f4nibus</b> (ou \u201comnibus\u201d, na grafia da \u00e9poca). Em <b>1952</b>, os <b>bondes el\u00e9tricos</b>, j\u00e1 escassos, foram <b>definitivamente desativados</b>.</p>\r\n<p>Hoje, <b>parte desse legado hist\u00f3rico est\u00e1 preservado no anexo\u202f3 da C\u00e2mara Municipal de Curitiba</b>, onde podem ser vistos trilhos originais e a estrutura met\u00e1lica do telhado da garagem hist\u00f3rica de bondes \u2013 testemunho de uma <b>\u00e9poca que pavimentou o caminho para o sistema BRT </b>que conhecemos hoje.</p>", "author_name": "Fernanda Foggiato | Revis\u00e3o: Ricardo Marques", "version": "1.0", "author_url": "https://www.curitiba.pr.leg.br/author/Fernanda Foggiato | Revis\u00e3o: Ricardo Marques", "provider_name": "Portal da C\u00e2mara Municipal de Curitiba", "type": "rich"}