{"provider_url": "https://www.curitiba.pr.leg.br", "title": "Jer\u00f4nimo Durski e a Col\u00f4nia Orleans ", "html": "<p align=\"justify\"><span><span><span><em>A Rua Jer\u00f4nimo Durski liga a Pracinha do Batel (P\u00e7. Miguel Couto) at\u00e9 o Largo do Ter\u00e7o, no Bigorrilho, passando pelo Terminal do Campina do Siqueira. S\u00e3o aproximadamente 2 quil\u00f4metros, que demandariam cerca de 25 minutos para serem percorridos por um pedestre. O texto a seguir conta a hist\u00f3ria da pessoa\u00a0 homenageada nesse logradouro p\u00fablico e de seus v\u00ednculos com a comunidade polonesa de Curitiba. </em></span></span></span><br /><br /><span><span><span>Em 1880, Dom Pedro II esteve de passagem por Curitiba. Ap\u00f3s visitas a Paranagu\u00e1, Antonina e Rio do Meio, a comitiva chegou a Curitiba pela estrada de S\u00e3o Jo\u00e3o da Graciosa. J\u00e1 no caminho para Campo Largo, Palmeira e Ponta Grossa pela antiga Estrada do Mato Grosso (atual BR 376), o imperador e sua comitiva foram recebidos de forma efusiva pelos colonos moradores da Col\u00f4nia Orleans a dez quil\u00f4metros do centro da cidade, mas \u00e9 poss\u00edvel que entre eles houvesse ao menos um descontente: o professor polon\u00eas Jer\u00f4nimo Durski, mestre-escola local.</span></span></span><br /><br /><span><span><span>Com um atraso de quatro meses em seu sal\u00e1rio, Durski requereu junto ao imperador o pagamento do que lhe seria devido em fun\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os prestados na Col\u00f4nia, mas n\u00e3o obteve sucesso. Com um n\u00famero cada vez menor de alunos, o professor que foi considerado o \u201cpai da escola polonesa no Brasil\u201d, assistia os colonos enviarem seus filhos para a escola do padre Ludovico Przytarski, capel\u00e3o da col\u00f4nia. </span></span></span><br /><br /><span><span><span>A comunidade aproveitou a passagem do monarca para solicitar ajuda na conclus\u00e3o da capela que fora iniciada por iniciativa do padre Ludovico. Dom Pedro II prometeu o envio de uma imagem de Santo Ant\u00f4nio e dois sinos. Os presentes chegaram alguns meses depois e passaram a ornar a capela, que foi conclu\u00edda naquele mesmo ano de 1880. Muito sacrif\u00edcio ela custou aos colonos. O historiador Ruy Wachowicz comenta que, segundo a tradi\u00e7\u00e3o oral da regi\u00e3o, os tijolos usados na constru\u00e7\u00e3o foram amassados com os p\u00e9s, pois n\u00e3o havia maquin\u00e1rio nem animais de tra\u00e7\u00e3o. Muitos destes tijolos foram utilizados na constru\u00e7\u00e3o de uma casa para o uso do padre Ludovico Przytarski. </span></span></span><br /><span><span><span>\u00a0\u00a0\u00a0 </span></span></span><br /><strong><span><span><span>Hieronim</span></span></span></strong><br /><span><span><span>Insatisfeito com as circunst\u00e2ncias pol\u00edticas na Pol\u00f4nia, Hieronim Durski resolve mudar-se com a fam\u00edlia para o Brasil muito antes das levas imigrat\u00f3rias do per\u00edodo Lamenha Lins. O professor desembarcou no Porto de Itaja\u00ed em 1851 e, nos anos seguintes, aprendeu sozinho o portugu\u00eas e passou a acumular experi\u00eancias que resultaram na sua efetiva\u00e7\u00e3o como mestre-escola. Durski era professor de primeiras letras diplomado pelo Semin\u00e1rio Real Cat\u00f3lico do Reino da Pr\u00fassia. Em 1876, foi nomeado para a vaga na primeira escola polonesa de Curitiba, localizada justamente na Col\u00f4nia Orleans, convite prontamente aceito.</span></span></span><br /><br /><span><span><span>De in\u00edcio, tudo transcorreu bem, com exce\u00e7\u00e3o do fato de que alguns pais negligenciavam a educa\u00e7\u00e3o dos filhos. A julgar pelas cartas envidas por Durski a algumas autoridades, essa situa\u00e7\u00e3o o deixava bastante perturbado. Em 1878, o Minist\u00e9rio da Agricultura (respons\u00e1vel pelo pagamento dos professores) promoveu uma redu\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica nos vencimentos. Naquele mesmo ano, com a chegada do padre Ludovico Przytarski a situa\u00e7\u00e3o tomou outra configura\u00e7\u00e3o para Durski. O historiador Ruy Wachowicz comenta que o padre acusou o professor de ser o respons\u00e1vel pelo atraso nos pagamentos. Al\u00e9m disso, fez exig\u00eancias vexat\u00f3rias, como por exemplo, a de que uma das filhas de Durski trabalhasse na limpeza e administra\u00e7\u00e3o da resid\u00eancia do padre, proposta que foi repudiada por Durski.</span></span></span><br /><br /><span><span><span>O pior de tudo residia no fato de que o capel\u00e3o convencer\u00e1 os fi\u00e9is de que n\u00e3o era apropriado aprender sobre religi\u00e3o na l\u00edngua portuguesa, a exemplo do que realizava Jer\u00f4nimo Durski. Como o padre tamb\u00e9m ensinou que n\u00e3o haveria assunto fora da religiosidade, sua l\u00f3gica conduziu a um afastamento daqueles colonos da escola do professor Durski. A pr\u00f3pria escola acabou por encerrar suas atividades e o professor foi transferido para outra escola, no Batel. O padre Ludovico Przytarski passou a receber o dinheiro que seria destinado a Durski como pagamento pelas aulas, mas a empolga\u00e7\u00e3o esmoreceu e a escola que Ludovico mantinha n\u00e3o durou mais do que dois anos. A Col\u00f4nia Orleans permaneceu desprovida de ensino formal por um longo per\u00edodo. Anos depois, j\u00e1 em 1899, a antiga Casa Paroquial constru\u00edda pela comunidade para o conforto do padre Przytarski foi demolida.</span></span></span><br /><br /><strong><span><span><span>\u201cElementarz\u201d</span></span></span></strong><br /><span><span><span>Ao aposentar-se em raz\u00e3o de defici\u00eancia auditiva, Durski passou a receber um sal\u00e1rio menor do que esperava. Isso n\u00e3o o impediu de escrever uma obra fundamental para a consolida\u00e7\u00e3o da coloniza\u00e7\u00e3o polonesa no Paran\u00e1: \u201cElementarz\u201d, livro bil\u00edngue impresso na Pol\u00f4nia em 1893, e divulgado no Brasil a partir do ano seguinte. Na obra, Durski exp\u00f5e ao imigrante as carater\u00edsticas e costumes brasileiros, bem como fornece uma breve explica\u00e7\u00e3o sobre a l\u00edngua portuguesa para falantes de polon\u00eas. A chamada \u201ccartilha polaca\u201d - livro de cabeceira de muitas gera\u00e7\u00f5es de imigrantes, foi um dos fatores que embasaram a escolha por parte da C\u00e2mara Municipal de Curitiba do nome de Jer\u00f4nimo Durski em 1954, para nomear uma pista vicinal que inicia no fim da rua Gabriel de Lara, no Semin\u00e1rio, e acaba nas imedia\u00e7\u00f5es do Parque Barig\u00fci, no Bairro Campina do Siqueira.</span></span></span><br /><span><span><em><span><br />Por Jo\u00e3o C\u00e2ndido Martins</span></em></span></span></p>\r\n<p><span><strong>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas</strong><br /><br />\u201cOrleans, um s\u00e9culo de subsist\u00eancia\u201d, do historiador Ruy Christovam Wachowicz. Editado pela Funda\u00e7\u00e3o Cultural de Curitiba (Edi\u00e7\u00f5es Paiol, FCC), em 1976. <br /><br />\u201cA Par\u00f3quia de Santo Ant\u00f4nio de Orleans \u2013 1879/1973\u201d, disserta\u00e7\u00e3o de Marta de Souza Lima Brodbek, redigida em 1983 para o Mestrado em Hist\u00f3ria da Universidade Federal do Paran\u00e1. Para ler esse texto, <a href=\"http://dspace.c3sl.ufpr.br/dspace/bitstream/handle/1884/29708/D%20-%20MARTA%20DE%20SOUZA%20LIMA%20BRODBECK.pdf?sequence=1\" target=\"_blank\">clique aqui</a>. </span></p>", "author_name": "", "version": "1.0", "author_url": "https://www.curitiba.pr.leg.br/author/assessoria.comunicacao", "provider_name": "Portal da C\u00e2mara Municipal de Curitiba", "type": "rich"}