{"provider_url": "https://www.curitiba.pr.leg.br", "title": "Francisco Negr\u00e3o e as Atas da C\u00e2mara ", "html": "<p><em><span><span><span>Francisco Negr\u00e3o foi pesquisador que se debru\u00e7ou sobre um grande conjunto de documentos da institui\u00e7\u00e3o e publicou obras fundamentais para quem deseja compreender a trajet\u00f3ria das pessoas que moraram na cidade. O texto tamb\u00e9m \u00e9 um convite aos interessados em estudar o Legislativo, pois a biblioteca da C\u00e2mara de Curitiba est\u00e1 aberta a estudantes, docentes universit\u00e1rios e pesquisadores.</span></span></span></em><br /><br /><span><span><span>Gra\u00e7as a Francisco de Paula Dias Negr\u00e3o (1871-1937), o patrim\u00f4nio documental da C\u00e2mara Municipal \u00e9 hoje um dos mais completos e conservados do pa\u00eds. Ao longo de 26 anos, o pesquisador transcreveu manualmente o conte\u00fado de toda a documenta\u00e7\u00e3o p\u00fablica produzida em Curitiba, da funda\u00e7\u00e3o em 1693 at\u00e9 o ano de 1932, quando encerrou as pesquisas. Desse esfor\u00e7o surgiram 60 livros manuscritos, totalizando 3.000 p\u00e1ginas que cont\u00e9m termos de verean\u00e7a, provimentos, alvar\u00e1s, resolu\u00e7\u00f5es, cartas-r\u00e9gias, presta\u00e7\u00f5es de contas e mais uma infinidade de registros. Quando tomou posse como diretor do Arquivo P\u00fablico do Paran\u00e1, em 1906, Negr\u00e3o encontrou os originais de toda essa documenta\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica em salas da Secretaria de Via\u00e7\u00e3o e Obras P\u00fablicas (\u00f3rg\u00e3o a que estava subordinado o Arquivo P\u00fablico).</span></span></span><br /><br /><span><span><span>Na virada do s\u00e9culo XIX para o XX, v\u00e1rios intelectuais paranaenses se engajaram em torno da valoriza\u00e7\u00e3o da cultura local, mais especificamente em torno da cria\u00e7\u00e3o de uma identidade local \u2013 sentimento coletivo que inexistia at\u00e9 aquele momento pelo simples fato de que, durante d\u00e9cadas, o Paran\u00e1 foi um ap\u00eandice da Prov\u00edncia de S\u00e3o Paulo, desprovido de recursos e repleto de desafios como o clima e a geografia.</span></span></span><br /><br /><span><span><span>Escritores, pintores, m\u00fasicos e, principalmente, historiadores passaram a exaltar o Paran\u00e1, num movimento que ficou conhecido como \u201cParanismo\u201d e agregava muito das ideias ent\u00e3o reinantes (como o positivismo). Francisco Negr\u00e3o estava entre eles, mas sua contribui\u00e7\u00e3o extrapolou o Paranismo e acabou se transformando numa refer\u00eancia obrigat\u00f3ria para todo o povo paranaense, em especial, o curitibano.</span></span></span><br /><span><span><span>\u00a0</span></span></span><br /><strong><span><span><span>Genealogia</span></span></span></strong><br /><span><span><span>De forma simult\u00e2nea ao seu trabalho com a transcri\u00e7\u00e3o das Atas da C\u00e2mara, Negr\u00e3o se dedicou \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o de um cat\u00e1logo de nomes que compuseram a forma\u00e7\u00e3o de Curitiba desde seus tempos mais remotos. Essa alentada pesquisa gerou seis volumes conhecidos como Genealogia Paranaense. Nas palavras do pesquisador Ricardo Oliveira, em sua participa\u00e7\u00e3o no Congresso Internacional Pequena Nobreza nos Imp\u00e9rios Ib\u00e9ricos de Antigo Regime (Lisboa, 2011), a Genealogia Paranaense \u00e9 \u201cuma prosopografia do senhoriato das vilas de Paranagu\u00e1 e Curitiba, um grande invent\u00e1rio demogr\u00e1fico e geneal\u00f3gico da regi\u00e3o\u201d.</span></span></span></p>\r\n<p><span><span><span> O livro segue os moldes da Genealogia Paulistana, de autoria de Luiz Gonzaga da Silva Leme (1852-1919). Conforme esclarece Oliveira, \u201ca obra est\u00e1 dividida em t\u00edtulos geneal\u00f3gicos e cada um representa a descend\u00eancia de um personagem importante para o Paran\u00e1. O t\u00edtulo \u00e9 o retrato da evolu\u00e7\u00e3o de uma rede de parentesco, a partir da fam\u00edlia do titular, em um efeito progressivo em cascata. Todos os personagens de um t\u00edtulo t\u00eam v\u00ednculos de parentesco, ou ancestrais em comum, por mais remotos que sejam. Trata-se de uma formid\u00e1vel visualiza\u00e7\u00e3o da classe dominante no Paran\u00e1\u201d.</span></span></span><br /><br /><span><span><span>Em artigo publicado no jornal O Estado do Paran\u00e1 em 1974, o jornalista Aramis Millarch explicou que \u201co primeiro volume da \"Genealogia Paranaense\" saiu em 1926, aparecendo at\u00e9 1929 um novo volume a cada ano. A morte do historiador, oito anos depois, interrompeu a publica\u00e7\u00e3o da volumosa obra. Gra\u00e7as a iniciativa do deputado Caio Machado (1885-1954), tamb\u00e9m jornalista e historiador, o Congresso Estadual, na legislatura de 1937, autorizou o Governo do Estado a auxiliar a conclus\u00e3o da impress\u00e3o do trabalho. A vi\u00fava Astrogilda de SantAna Negr\u00e3o solicitou ao ent\u00e3o interventor Manoel Ribas a abertura do cr\u00e9dito necess\u00e1rio para cobrir as despesas de edi\u00e7\u00e3o dos dois \u00faltimos volumes, escritos em 1930 mas que s\u00f3 sa\u00edram de 1946 a 1950.</span></span></span></p>\r\n<p><span><span><span> Dez anos depois, 1960-61, o genealogista paulista Salvador de Moya, por sua pr\u00f3pria iniciativa, resolveu publicar como suplementos da Revista Geneal\u00f3gica Latina, em S\u00e3o Paulo, na cole\u00e7\u00e3o \u00cdndices Geneal\u00f3gicos Brasileiros os volumes de Batismo e Apelido (onde podem ser encontrados nos nomes das fam\u00edlias paranaenses pesquisadas at\u00e9 1930\u201d.</span></span></span><br /><br /><span><span><span>Ricardo Oliveira lembra que \u201dGenealogia Paranaense compreende aproximadamente 35 mil indiv\u00edduos listados. Estiando-se que cerca de um milh\u00e3o de indiv\u00edduos viveram no Paran\u00e1 entre a segunda metade do s\u00e9culo XIX e meados da d\u00e9cada de 20,quando Negr\u00e3o ainda pesquisava os \u00faltimos nascimentos, a obra cobre algo entre 3 e 5% de todos os paranaenses vivos entre mais ou menos 1640 e 1925\u201d.</span></span></span><br /><span><span><span>\u00a0</span></span></span><br /><strong><span><span><span>Alfarr\u00e1bios</span></span></span></strong><br /><span><span><span>Francisco Negr\u00e3o era natural de Morretes, filho e neto de pol\u00edticos com alguma proemin\u00eancia (ambos foram deputados estaduais e empres\u00e1rios da erva-mate). O pai de Francisco, Jo\u00e3o de Souza Dias Negr\u00e3o (Filho), teve suficiente destaque para ser homenageado com o emprego de seu nome na nomea\u00e7\u00e3o de uma importante via do centro da cidade. Sua morte s\u00fabita aos 54 anos obrigou o jovem Francisco a trabalhar pelo sustento da fam\u00edlia. Embora tenha conseguido se estabelecer no servi\u00e7o p\u00fablico, o futuro historiador nunca chegou a acumular fortuna. A maior parte da sua vida era devotada aos alfarr\u00e1bios (documentos antigos), o que lhe garantiu reconhecimento intelectual e participa\u00e7\u00e3o ativa na vida cultural curitibana (publica\u00e7\u00e3o de artigos, etc.), mas pouco ou nenhum dinheiro.</span></span></span><br /><br /><span><span><span>Al\u00e9m de ser um dos fundadores do Instituto Hist\u00f3rico e Geogr\u00e1fico do Paran\u00e1, Francisco Negr\u00e3o tamb\u00e9m colaborou com a Revista do C\u00edrculo de Estudos Bandeirantes, na qual publicava a coluna Ephem\u00e9rides Paranaenses. Al\u00e9m disso, foi membro da Academia Paranaense de Letras (Cadeira 10) e patrono do Col\u00e9gio Brasileiro de Genealogia.</span></span></span><br /><br /><span><span><span>Seu envolvimento com a pesquisa foi t\u00e3o intenso que lhe custou a vis\u00e3o, perdida gradualmente ao longo dos trinta anos em que esteve debru\u00e7ado sobre textos antigos. Embora n\u00e3o tenha abordado negros e ind\u00edgenas, o resultado do seu trabalho ainda vai servir durante muito tempo como base para toda sorte de estudos sobre a sociedade paranaense. A Genealogia Paranaense foi reeditada pela Imprensa oficial do Estado, em 2005 (edi\u00e7\u00e3o limitada). Em sebos a edi\u00e7\u00e3o original completa pode chegar a tr\u00eas mil reais.</span></span></span><br /><br /><strong><span><span><span>Obras de Francisco Negr\u00e3o</span></span></span></strong><br /><span><span><span>Boletim do Arquivo P\u00fablico Municipal (1906-1932), A conjura separatista de 1821 (1916), O guarda-m\u00f3r Francisco Lustosa (1917), As minas de ouro e prata da Capitania de Paranagu\u00e1 (1920), Efem\u00e9rides Paranaenses (1920/21), A viagem de Dom Pedro II atrav\u00e9s do Paran\u00e1 (1925), Mem\u00f3ria da Santa Casa de Miseric\u00f3rdia (1926), O centen\u00e1rio da coloniza\u00e7\u00e3o alem\u00e3 de Rio Negro (1929), Mem\u00f3ria sobre os monumentos hist\u00f3ricos e art\u00edsticos do Paran\u00e1 (1932), Mem\u00f3ria Hist\u00f3rica Paranaense (1934), Mem\u00f3ria sobre o ensino e a educa\u00e7\u00e3o no Paran\u00e1 (1935). Restaram inacabados: Esbo\u00e7o para a Hist\u00f3ria do Paran\u00e1, Vultos not\u00e1veis do Paran\u00e1 e Biografia de Ermelino de Le\u00e3o.</span></span></span><br /><span><em><span><span><br />Por Jo\u00e3o C\u00e2ndido Martins</span></span></em></span></p>\r\n<p><span><em><span><span>\u00a0<br /></span></span></em><strong><span><span>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas</span></span></strong><br /><br />\u201cO Sil\u00eancio das Genealogias \u2013 Classe Dominante e Estado no Paran\u00e1 (1853-1930)\u201d, de Ricardo Costa de Oliveira. Tese de Doutorado no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias Sociais da Universidade Estadual de Campinas, em 2000. Link <a href=\"http://observatory-elites.org/wp-content/uploads/2011/11/Oliveira-Genealogias-Paran%C3%A1-Unicamp.pdf\" target=\"_blank\">aqui</a>.<br /><br />\u201cExperi\u00eancia docente no s\u00e9culo XIX: trajet\u00f3rias de professores de primeiras letras da prov\u00edncia de S\u00e3o Paulo e da prov\u00edncia do Paran\u00e1\u201d, de Fabiana Garcia Munhoz. Disserta\u00e7\u00e3o de Mestrado no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Educa\u00e7\u00e3o da USP, em 2012. Link <a href=\"http://www.usp.br/niephe/publicacoes/docs/FABIANA_GARCIA_MUNHOZ_rev.pdf\">aqui</a>.<br />\u00a0<br />\u201cBoletins do Arquivo Municipal de Curitiba (1906-1932)\u201d, do Arquivo P\u00fablico do Paran\u00e1. Link <a href=\"http://www.arquivopublico.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=98\" target=\"_blank\">aqui</a>.<br /><br />Projeto Genealogia Paulistana. Link <a href=\"http://www.arvore.net.br/Paulistana/index.htm\" target=\"_blank\">aqui</a>.<br /><br />Biografia de Francisco Negr\u00e3o, escrita por Wilson B\u00f3ia e disponibilizada pela Academia Paranaense de Letras. Link <a href=\"http://www.academiapr.org.br/academicos/cadeira-10/\">aqui</a>.<br /><br />Biografia de Francisco Negr\u00e3o, dispon\u00edvel no Col\u00e9gio Brasileiro de Genealogia. Link <a href=\"http://www.cbg.org.br/novo/colegio/historia/patronos/francisco-dias-negrao/\">aqui</a>.<br /><br />Artigo de Aramis Millarch, publicado no jornal O Estado do Paran\u00e1, em 1974. Link <a href=\"http://www.millarch.org/artigo/genealogia-paranaense-0\" target=\"_blank\">aqui</a>.<br /><br />Artigo sobre genealogia paranaense (litoral do Estado), apresentado pelo pesquisador Ricardo Oliveira no F\u00f3rum sobre Genealogia. Link <a href=\"http://www.geneall.net/P/forum_msg.php?id=143567&amp;fview=e\" target=\"_blank\">aqui</a>. <br /><br /></span></p>", "author_name": "", "version": "1.0", "author_url": "https://www.curitiba.pr.leg.br/author/assessoria.comunicacao", "provider_name": "Portal da C\u00e2mara Municipal de Curitiba", "type": "rich"}