{"provider_url": "https://www.curitiba.pr.leg.br", "title": "Audi\u00eancia p\u00fablica alerta ao racismo em Curitiba", "html": "<div align=\"justify\"><span>A C\u00e2mara Municipal debateu, em audi\u00eancia p\u00fablica realizada nesta quinta-feira (27), a efetiva\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas p\u00fablicas de igualdade racial e o combate ao preconceito e ao racismo em Curitiba. Proposto pelo vereador Jorge Bernardi (PDT), o evento ter\u00e1 os encaminhamentos analisados por uma comiss\u00e3o, com representantes de diversas entidades e do Poder P\u00fablico, e sintetizados em uma carta.<br /><br />\u201cA audi\u00eancia p\u00fablica faz parte das comemora\u00e7\u00f5es pelo Dia da Consci\u00eancia Negra. A ideia \u00e9 ampliar a discuss\u00e3o sobre pol\u00edticas p\u00fablicas afirmativas, leis existentes e a situa\u00e7\u00e3o dos migrantes\u201d, disse Bernardi. \u201cA partir da carta poder\u00e3o surgir encaminhamentos a autoridades e a realiza\u00e7\u00e3o de outros debates, como sobre o preconceito aos haitianos e a efetiva\u00e7\u00e3o, na rede municipal, da lei federal que torna obrigat\u00f3rio o ensino da hist\u00f3ria e cultura afro-brasileira.\u201d<br /><br />\u201cEsta C\u00e2mara Municipal tem feito esfor\u00e7os para resgatar uma d\u00edvida hist\u00f3rica. O feriado \u00e9 um ato simb\u00f3lico de repara\u00e7\u00e3o\u201d, declarou o presidente da Casa, Paulo Salamuni (PV). \u201cEu me pergunto por que 1.177 munic\u00edpios brasileiros, sendo 11 capitais, t\u00eam o feriado do Dia da Consci\u00eancia Negra institu\u00eddo por lei. Vamos lutar para que reconhe\u00e7am o direito de Curitiba de legislar\u201d, acrescentou, sobre a reclama\u00e7\u00e3o junto ao Supremo Tribunal Federal (STF). A vereadora Professora Josete (PT) tamb\u00e9m acompanhou a audi\u00eancia p\u00fablica. <br /><br />O presidente do Centro Cultural Humait\u00e1 e um dos organizadores da atividade, Adegmar Silva, o Candieiro, avaliou que a cidade possui um \u201cracismo institucional\u201d, evidenciado pela a\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Comercial do Paran\u00e1 (por questionar a constitucionalidade do feriado). Ele alertou que a maior parte dos assassinatos de jovens \u00e9 de negros, assim como de viciados em crack. <br /><br />Al\u00e9m de apontar a dificuldade das escolas municipais cumprirem a lei federal <a href=\"http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/l10.639.htm\" target=\"_blank\">10.639/2003</a>, Candieiro afirmou que o Estatuto da Igualdade Racial (<a href=\"http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Lei/L12288.htm\" target=\"_blank\">12.288/2010</a>) determina que o racismo \u00e9 crime, mas \u201cningu\u00e9m vai preso\u201d. Ele chamou a aten\u00e7\u00e3o para outras quest\u00f5es que tamb\u00e9m precisam de mais aten\u00e7\u00e3o, como as comunidades quilombolas da Regi\u00e3o Metropolitana e a perman\u00eancia na universidade dos alunos aprovados por meio do sistema de cotas raciais.<br /><br />\u201cEu represento 21% de uma popula\u00e7\u00e3o esquecida, que sofre. Se considerarmos a Regi\u00e3o Metropolitana de Curitiba, teremos mais de 30% de negros. N\u00e3o vejo meus direitos representados na C\u00e2mara ou na prefeitura\u201d, disse o presidente do Conselho Municipal de Pol\u00edtica \u00c9tnico-Racial (Comper) e da Uni\u00e3o de Negros pela Igualdade (Unegro), Denis Denilto. Ele sugeriu a forma\u00e7\u00e3o de uma comiss\u00e3o de vereadores para acompanhar os encaminhamentos da confer\u00eancia realizada pelo conselho no ano passado.<br /><br />Ex-presidente e conselheiro do Comper, Saul Dorval da Silva reiterou o alerta ao racismo institucional. \u201cA iniciativa privada acha que nossa luta n\u00e3o \u00e9 importante. Que n\u00e3o houve escravid\u00e3o, racismo\u201d, declarou. Ele apresentou propostas de lei e falou sobre o projeto de Bernardi e Mestre Pop (PSC), em tramita\u00e7\u00e3o na Casa, que pretende reservar vagas a afrodescendentes, pardos e ind\u00edgenas em concursos municipais (<a href=\"http://www.cmc.pr.gov.br/wspl/sistema/ProposicaoDetalhesForm.do?select_action=&amp;popup=s&amp;chamado_por_link&amp;pro_id=221946&amp;pesquisa=cotas\" target=\"_blank\">005.00088.2013</a>). <br /><br />O c\u00f4nsul-geral do Senegal para o Paran\u00e1 e Santa Catarina, Ozeil Moura dos Santos, citou casos de racismo e pediu uni\u00e3o aos grupos que defendem a igualdade racial. \u201cSem educa\u00e7\u00e3o e cultura dificilmente vamos atingir nossos objetivos. O afrodescendente n\u00e3o pode mais vender o bilhete, porque quem vende o bilhete n\u00e3o assiste ao espet\u00e1culo\u201d, avaliou. <br /><br />O presidente da Comiss\u00e3o de Igualdade Racial e de G\u00eanero da OAB Paran\u00e1, Mesael Caetano dos Santos, concorda que Curitiba \u00e9 uma cidade com \u201cvi\u00e9s racista\u201d. \u201cDa escravid\u00e3o restou o preconceito e o racismo. O processo foi longo, ardiloso. O sistema canalizou uma riqueza poderosa e cravou um abismo\u201d, afirmou. Um dos problemas apontados pelo advogado \u00e9 que o negro ganha, em m\u00e9dia, metade do sal\u00e1rio do branco, mesmo entre os cargos de n\u00edvel superior.<br /><br />L\u00edder da Associa\u00e7\u00e3o de Haitianos em Curitiba, Laurette Bernardin pediu apoio \u00e0 entidade: \u201cN\u00f3s enfrentamos um momento muito dif\u00edcil. Para trabalhar, alugar casa... Temos coragem para batalhar\u201d. A advogada da associa\u00e7\u00e3o, Ana Railene Siqueira, lamentou que a capital tem sido not\u00edcia na imprensa nacional devido \u00e0s agress\u00f5es aos haitianos. \u201cOs relatos que ou\u00e7o d\u00e3o a impress\u00e3o que vivemos no per\u00edodo anterior \u00e0 Lei \u00c1urea, quando n\u00f3s, os negros, \u00e9ramos considerados objetos. O racismo \u00e9 uma ferida aberta, que precisa ser combatida\u201d, completou. <br /><br />\u201cTemos que quebrar o sil\u00eancio, que \u00e9 uma das grandes estrat\u00e9gias do racismo. Acho que precisamos (os brancos) pedir desculpas pelos nossos ancestrais pela constru\u00e7\u00e3o do contexto que vivemos hoje\u201d, disse a antrop\u00f3loga Liliana Porto, professora da Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR). \u201cN\u00e3o s\u00e3o os negros que precisam da universidade, n\u00f3s \u00e9 que precisamos de um espa\u00e7o plural. Nossa busca \u00e9 pela igualdade de direitos\u201d, acrescentou, sobre o sistema de cotas.<br /><br />A professora Let\u00edcia de Lima, da Secretaria Municipal da Educa\u00e7\u00e3o (SME), defendeu a educa\u00e7\u00e3o, desde o ensino infantil, para o respeito \u00e0 diversidade. \u201cNos CMEIs, h\u00e1 a preocupa\u00e7\u00e3o desde os livros e brinquedos, como as bonecas, para que a reflitam. Temos a miss\u00e3o de combater o racismo\u201d, defendeu. <br /><br />O presidente da Funda\u00e7\u00e3o Cultural de Curitiba, Marcos Cordiolli, foi representado por Jorge Rangel. A promotora Mariana Seifert Bazzo, do N\u00facleo da Promo\u00e7\u00e3o da Igualdade \u00c9tnico-Racial do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Paran\u00e1 (MP-PR), acompanhou a audi\u00eancia p\u00fablica. Ap\u00f3s os encaminhamentos dos membros da mesa, o p\u00fablico participou do debate.<br /><br />Confira mais fotografias do evento no <a href=\"https://www.flickr.com/photos/camaracuritiba\" target=\"_blank\">Flickr da C\u00e2mara Municipal de Curitiba</a>. <br /><br />Mat\u00e9rias relacionadas:<br /><br /><a href=\"http://www.cmc.pr.gov.br/ass_det.php?not=23804\" target=\"_blank\">Conselheiros protestam contra a suspens\u00e3o de feriado</a><br /><a href=\"http://www.cmc.pr.gov.br/ass_det.php?not=23799\" target=\"_blank\">A C\u00e2mara e a escravid\u00e3o: registros hist\u00f3ricos da injusti\u00e7a</a></span></div>", "author_name": "", "version": "1.0", "author_url": "https://www.curitiba.pr.leg.br/author/assessoria.comunicacao", "provider_name": "Portal da C\u00e2mara Municipal de Curitiba", "type": "rich"}