{"provider_url": "https://www.curitiba.pr.leg.br", "title": "As cores de Violeta Franco (1931-2006)", "html": "<div align=\"justify\"><em><span><span>Violeta Franco foi personagem fundamental para a incorpora\u00e7\u00e3o de concep\u00e7\u00f5es e pr\u00e1ticas modernistas na arte paranaense da segunda metade do s\u00e9culo XX. Em agosto de 2008, a C\u00e2mara Municipal homenageou a artista indicando que um logradouro da cidade passasse a se chamar Maria Violeta Franco de Carvalho (Lei 12.869, de 28 de agosto de 2008). A proposi\u00e7\u00e3o foi da vereadora Julieta Reis, mesma parlamentar que, dois anos antes registrou o anivers\u00e1rio de 80 anos de Violeta aprovando em plen\u00e1rio Votos de Louvor e Congratula\u00e7\u00f5es \u00e0 artista.</span></span></em><br /><br /><span><span>\u201cEra uma garagem grande, dividida em tr\u00eas partes. Eu tinha uma parte dessa garagem, meu tio me deu pra fazer... Porque era uma forma que a minha fam\u00edlia via de eu n\u00e3o sair de casa... Eu era rebelde (risos), andava com telas embaixo do bra\u00e7o, andava pra l\u00e1 e pra c\u00e1. Eles acharam que assim seria melhor\u201d, declarou Violeta Franco numa entrevista concedida em 2001 para a pesquisadora Katiucya P\u00e9rigo. A garagem ficava no interior de uma ch\u00e1cara na Avenida Igua\u00e7u, que pertencia ao av\u00f4 de Violeta, o advogado Manoel Vieira Barreto de Alencar \u2013 um dos fundadores da UFPR. A partir de 1949, passou a ser o ateli\u00ea da jovem que, aos 17 anos, j\u00e1 fora aluna do mestre Guido Viaro e tamb\u00e9m receberia instru\u00e7\u00f5es de Poty Lazarotto sobre a gravura e suas t\u00e9cnicas.</span></span></div>\r\n<div align=\"justify\"></div>\r\n<div align=\"justify\"><dl style=\"width:400px;\" class=\"image-left captioned\">\n<dt><a rel=\"lightbox\" href=\"/informacao/noticias/imagens-de-noticias/violeta2.jpg\"><img src=\"https://www.curitiba.pr.leg.br/informacao/noticias/imagens-de-noticias/violeta2.jpg/@@images/54704ec7-6f9b-4d0e-8473-00838910df65.jpeg\" alt=\"Violeta Franco\" title=\"Violeta Franco\" height=\"250\" width=\"400\" /></a></dt>\n <dd class=\"image-caption\" style=\"width:400px;\">No centro da foto, a artista Violeta Franco. Ela est\u00e1 acompanhada por Francisco Souto Neto e Nely Almeida. A imagem foi originalmente publicada no jornal Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio, na coluna Express\u00e3o e Arte, assinada por Souto Neto. (Foto \u2013 Reprodu\u00e7\u00e3o Acervo Digital Francisco Souto Neto).</dd>\n</dl><span><span></span></span></div>\r\n<div align=\"justify\"><span><span>Aos poucos o local se tornou uma refer\u00eancia para conversas informais sobre os caminhos da arte. Se na Europa o movimento abstracionista j\u00e1 amea\u00e7ava o modernismo, em Curitiba, a influ\u00eancia acad\u00eamica de Alfredo Andersen (o \u201cpai da pintura paranaense\u201d) era imperiosa. Quem pretendesse ser levado a s\u00e9rio como pintor ou escultor em Curitiba, deveria estar enquadrado no modelo legado pelo pintor noruegu\u00eas, radicado em Curitiba no ano de 1906 e falecido em 1935. Foi nesse clima de ruptura que surgiu a \u201cGaraginha\u201d de Violeta Franco.</span></span><br /><br /><span><span>\u201cA Garaginha passou a ser o ponto de encontro de intelectuais, de artistas, de pessoas que passavam por aqui como M\u00e1rio Cravo, S\u00e9rgio Milliet e uma s\u00e9rie de outras pessoas que traziam luzes \u00e0 escurid\u00e3o, porque volta e meia vinham e conversavam, e mostravam o que faziam. (...) Alguns amigos tamb\u00e9m (...) passaram a freq\u00fcentar aquele local onde a gente tinha um coquetelzinho e todo um charme, porque o ch\u00e3o e as paredes eram forrados de esteira \u2013 que era uma coisa absolutamente escandalosa para a \u00e9poca \u2013 e a gente ficava descal\u00e7o e sentado no ch\u00e3o em almofadas; tudo isso era um clima muito agrad\u00e1vel, muito interessante e diferente de Curitiba\u201d, diz o tamb\u00e9m artista pl\u00e1stico Fernando Velloso, em depoimento para estudo do pesquisador Artur Freitas.</span></span><br /><br /><span><span>At\u00e9 indiv\u00edduos que n\u00e3o pertenciam ao ambiente art\u00edstico iam \u00e0 Garaginha para se inteirar das novas ideias, ou mesmo apresent\u00e1-las aos jovens iconoclastas. Era esse o caso do industrial M\u00e1rio Romani, que sempre voltava de suas viagens \u00e0 Europa munido de revistas e livros sobre arte moderna, que eram consumidos avidamente pelos frequentadores da Garaginha.</span></span><br /><br /><span><span>Segundo Violeta, a Garaginha n\u00e3o durou mais que tr\u00eas anos e, apesar da informalidade, serviu para gestar projetos importantes como o Clube de Gravura de Curitiba, organizado por Violeta e por Alcy Xavier nos subterr\u00e2neos da ent\u00e3o rec\u00e9m-fundada Escola de M\u00fasica e Belas Artes do Paran\u00e1 (EMBAP). O projeto tinha por molde o Clube de Gravura de Porto Alegre, dirigido por Carlos Scliar. Posteriormente, em 1951, o Clube se tornaria o Centro de Gravura de Curitiba, entidade de utilidade p\u00fablica que tinha a participa\u00e7\u00e3o dos artistas Nilo Previdi, Loio P\u00e9rsio (ent\u00e3o casado com Violeta), Violeta Franco, Alcy Xavier, Blasi Jr, Gast\u00e3o de Alencar, Jiomar Jos\u00e9 Turim, Osmann Caldas e Emma Koch.</span></span><br /><br /><strong><span><span>Ruptura</span></span></strong><br /><span><span>O clima de ruptura entre tradicionalistas da arte paranaense e modernistas estava instalado e vozes descontentes se manifestavam de modo mais direto, como foi o caso do ent\u00e3o jovem Dalton Trevisan (21 anos), que \u00e0 frente da revista Joaquim, desferiu fortes golpes contra nomes consagrados da cultura paranaense como o poeta Emiliano Perneta e o pr\u00f3prio Alfredo Andersen.</span></span><br /><br /><span><span>Andersen foi o vetor para que muitos outros talentos se consolidassem no Paran\u00e1 do come\u00e7o do s\u00e9culo XX. Jo\u00e3o Turin, Zaco Paran\u00e1, Lange de Morretes, Maria Am\u00e9lia D\u2019Assump\u00e7\u00e3o, Miguel Bakun e os pr\u00f3prios Guido Viaro e Poty trabalharam, de alguma forma, sob a perspectiva que Andersen criou para a arte no Paran\u00e1. A influ\u00eancia foi t\u00e3o forte e duradoura, que por anos freou a inser\u00e7\u00e3o de outras escolas e formatos art\u00edsticos, da\u00ed a import\u00e2ncia de iniciativas como a Garaginha e como a galeria \u201cCocaco\u201d (nome de um form\u00e3o de origem alem\u00e3), a primeira galeria de Curitiba, criada pelos mesmos propriet\u00e1rios de uma fabriqueta de molduras na rua \u00c9bano Pereira.</span></span><br /><br /><span><span>Se as ideias modernistas na arquitetura foram bem aceitas e incorporadas at\u00e9 na constru\u00e7\u00e3o de edif\u00edcios p\u00fablicos, o mesmo n\u00e3o se pode dizer de outras manifesta\u00e7\u00f5es como as artes pl\u00e1sticas e a literatura. O clima de conflagra\u00e7\u00e3o atingiu o \u00e1pice em 1957, quando os respons\u00e1veis pela organiza\u00e7\u00e3o do XIV Sal\u00e3o Paranaense exclu\u00edram da mostra e das premia\u00e7\u00f5es as pinturas com vi\u00e9s modernista.</span></span><br /><br /><span><span>Foram classificadas apenas as tradicionais paisagens e retratos paranistas. Paul Garfunkel, pintor que pertencia \u00e0 gera\u00e7\u00e3o anterior, mas que simpatizava com os jovens, rasgou sua premia\u00e7\u00e3o e retirou seus quadros da parede, gesto que foi seguido por muitos outros que tamb\u00e9m n\u00e3o concordavam com as diretrizes do j\u00fari. Loio P\u00e9rsio, um dos participantes, chegou a publicar naquela mesma semana um manifesto intitulado \u201cXIV Sal\u00e3o Paranaense, ou a burrice oficializada\u201d. As obras modernistas preteridas pelo j\u00fari foram expostas como protesto no hall de entrada da Biblioteca P\u00fablica do Paran\u00e1, sob o t\u00edtulo \u201cSal\u00e3o dos Pr\u00e9-Julgados\u201d.</span></span><br /><br /><span><span>Violeta neste momento estava em S\u00e3o Paulo, estudando, participando de mostras coletivas e individuais. Colaborou com a artista Miriam Xavier Fragoso numa escola experimental, pr\u00e1tica que anos depois desenvolveria no Centro de Criatividade no Parque S\u00e3o Louren\u00e7o em Curitiba. Esse ac\u00famulo de viv\u00eancias e experi\u00eancias profissionais possibilitou \u00e0 Violeta condi\u00e7\u00f5es para dirigir o setor de gravuras da Funda\u00e7\u00e3o Cultural de Curitiba ao longo dos anos 1970 e meados dos 1980. Esteve envolvida inclusive com a cria\u00e7\u00e3o do n\u00facleo de gravura instalado no Solar do Bar\u00e3o.</span></span><br /><br /><strong><span><span>Cores</span></span></strong><br /><span><span>Em depoimento para a Revista de Arte (Curitiba, 2001), o estudioso Fernando Bini fez algumas considera\u00e7\u00f5es sobre a pintura de Violeta Franco. \u201cO tema do quadro passado para o segundo plano, Violeta vai em busca das massas coloridas, dos ritmos das cores, ao encontro da luminosidade. A coer\u00eancia expressionista se mant\u00e9m mas o seu esp\u00edrito irrequieto leva sua obra a se fundamentar na mudan\u00e7a, nas muta\u00e7\u00f5es, nas metamorfoses. As texturas densas e as cores soturnas se tornam mais simples, mais chapadas, mais planas, mais luminosas e, com Delaunay, ela descobre o papel fundamental da cor na pr\u00e1tica pictural, que guardam do expressionismo a gestualidade: as vezes s\u00e3o pictogramas circulares ou el\u00edpticos outras vezes formas geometrizadas pr\u00f3ximas do graffiti, pinceladas transl\u00facidas e cromatismo sutil com um intenso sentimento de natureza\u201d.</span></span><br /><br /><span><span>Al\u00e9m da sua presen\u00e7a na hist\u00f3ria das artes pl\u00e1sticas em Curitiba e no Paran\u00e1, Violeta tamb\u00e9m marcou presen\u00e7a pelo seu comportamento simples e despojado. Na mesma entrevista concedida em 2001 ela declarou: \u201ceu era desse jeito que eu sou at\u00e9 hoje, mas... (rindo) os outros \u00e9 que eram mais quietos, mais enquadrados, eu era at\u00e9 t\u00edmida... Agora, sempre tentei fazer aquilo que eu achava que devia fazer\u201d.</span></span></div>\r\n<p><span><span><br /><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas</strong></span></span></p>\r\n<p><span><em>\u201cSer visto \u00e9 estar morto: Miguel Bakun e o meio art\u00edstico Paranaense (1940-1960)\u201d, disserta\u00e7\u00e3o de mestrado apresentada por Katiucya P\u00e9rigo na P\u00f3s Gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria da UFPR, em 2003.</em></span></p>\r\n<p><span><em></em></span><span><em>\u201cA consolida\u00e7\u00e3o do moderno na hist\u00f3ria da arte do Paran\u00e1, anos 50 e 60\u201d, artigo escrito por Artur Freitas para a Revista de Hist\u00f3ria Regional, n\u00b0 8. Publicada pela UEPG, em\u00a0 2003.</em></span><span><em>(<a href=\"http://www.academia.edu/188167/A_consolidacao_do_moderno_na_historia_da_arte_do_Parana\" target=\"_blank\">Link aqui</a>)</em></span></p>\r\n<p><span><em><br />Enciclop\u00e9dia Ita\u00fa Cultural \u2013 Artes Visuais. Verbete: Franco, Violeta.\u00a0</em></span><span><em>(<a href=\"http://www.itaucultural.org.br/aplicExternas/enciclopedia_IC/index.cfm?fuseaction=artistas_biografia&amp;cd_verbete=3515&amp;cd_idioma=28555\" target=\"_blank\">Link aqui</a>)</em></span><br /><span><em><br />\u201cArtes e amores de Violeta, a rebelde\u201d, artigo de Aramis Millarch, publicado originalmente no Jornal O Estado do Paran\u00e1, em 02/04/1991.\u00a0</em></span><span><em>(<a href=\"http://www.millarch.org/artigo/artes-amores-de-violeta-rebelde\" target=\"_blank\">Link aqui</a>)</em></span></p>\r\n<p><span><em>\u201cVioleta Franco, a natureza por express\u00e3o\u201d, artigo de Fernando Bini publicado na se\u00e7\u00e3o Lendo Arte, do Museu Virtual (Muvi).</em></span><br /><span><em><br />\u201cOs Mo\u00e7os na Prov\u00edncia: a revista Joaquim e o campo liter\u00e1rio no Paran\u00e1\u201d, de Nat\u00e1lia Romanovski. Trabalho de conclus\u00e3o de curso apresentado na Gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria, da UFPR, em 2008.\u00a0</em></span><span><em>(<a href=\"http://www.humanas.ufpr.br/portal/antropologia/files/2012/11/ROMANOVISKI-Nat%C3%A1lia-Romanovski.pdf\" target=\"_blank\">Link aqui</a>)</em></span></p>", "author_name": "Jo\u00e3o C\u00e2ndido Martins", "version": "1.0", "author_url": "https://www.curitiba.pr.leg.br/author/Jo\u00e3o C\u00e2ndido Martins", "provider_name": "Portal da C\u00e2mara Municipal de Curitiba", "type": "rich"}