{"provider_url": "https://www.curitiba.pr.leg.br", "title": "A hist\u00f3ria da Guarda Civil do Paran\u00e1 (1911-1970)", "html": "<p><span>Em 1831 a seguran\u00e7a p\u00fablica no Brasil passou por uma grande reforma. Seu autor foi Diogo Ant\u00f4nio Feij\u00f3, um dos regentes que governaram o pa\u00eds ap\u00f3s o retorno de Dom Pedro I a Portugal. O sucessor natural, Dom Pedro II, n\u00e3o tinha idade para assumir o trono, o que determinou esse hiato regencial durante o Brasil Imp\u00e9rio.\u00a0 Padre Feij\u00f3, quando ainda era ministro da justi\u00e7a, extinguiu as antigas For\u00e7as Armadas das Capitanias, que eram compostas pela Tropas de Linha das Mil\u00edcias e pelos Corpos de Ordenan\u00e7as, criando em substitui\u00e7\u00e3o a Guarda Nacional (lei de 18 de agosto de 1831) que deveria ter representa\u00e7\u00f5es em todos os munic\u00edpios do pa\u00eds.<br /></span></p>\r\n<p><span>Outra lei, de 10 de outubro do mesmo ano, altera o nome das rec\u00e9m-criadas corpora\u00e7\u00f5es locais para \u201cGuardas Municipais\u201d. A regulamenta\u00e7\u00e3o dessa lei foi estabelecida 12 dias depois, por meio de um decreto. Conforme esclarece Alci Romero em sua pesquisa \u201cA G\u00eanese da Pol\u00edcia Militar no Estado do Paran\u00e1 (1831-1874)\u201d, esta regulamenta\u00e7\u00e3o das Guardas Municipais estipulava caracter\u00edsticas gen\u00e9ricas e disciplinares que a nova corpora\u00e7\u00e3o deveria assumir nas cidades em que fosse adotada. Seu molde foi a Guarda Municipal de S\u00e3o Paulo, que se tornou o n\u00facleo fundador da futura Pol\u00edcia Militar daquele estado.</span></p>\r\n<p><span></span><span>Curitiba, que era a 5\u00aa Comarca da Prov\u00edncia de S\u00e3o Paulo, s\u00f3 foi contemplada com um destacamento em 25 de junho de 1834. O inspetor Cl\u00e1udio Frederico, atual comandante da Guarda Municipal de Curitiba, aponta o fato de que entre os livros pertencentes ao acervo hist\u00f3rico da C\u00e2mara Municipal, de fato encontra-se a \u201cQualifica\u00e7\u00e3o dos Guardas Municipais 1835-1846\u201d, o que demonstraria a exist\u00eancia dessa corpora\u00e7\u00e3o militar.<br /></span></p>\r\n<p><span>Alci Romero, entretanto, lembra que dois anos depois seria criada, novamente por meio de lei provincial (10 de mar\u00e7o de 1836), outra entidade para a defesa de Curitiba: a \u201cCompanhia de Municipais Permanentes\u201d. De acordo com o pesquisador, a atua\u00e7\u00e3o dos permanentes tamb\u00e9m se mostrou irregular, espor\u00e1dica e essa situa\u00e7\u00e3o se prolongou at\u00e9 a Emancipa\u00e7\u00e3o do Paran\u00e1, em 1853.<br /></span></p>\r\n<p><span>Este evento possibilitou que o primeiro presidente da prov\u00edncia, Zacarias de G\u00f3es e Vasconcellos, assinasse a cria\u00e7\u00e3o da \u201cCompanhia de For\u00e7a Policial\u201d (lei n\u00ba. 7/1854), embri\u00e3o da atual Pol\u00edcia Militar do Paran\u00e1. O regimento era constitu\u00eddo inicialmente por 67 homens e 33 armas de fogo. A entidade, de acordo com Romero, \u201cn\u00e3o desempenhou uma atividade ativa junto \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, exatamente porque os presidentes provinciais aos quais estava subordinada preferiram deix\u00e1-la nos quart\u00e9is\u201d.<br /></span></p>\r\n<p><span>A Guerra do Paraguai acentuou essa aus\u00eancia, mas ao t\u00e9rmino do conflito, em 1870, a corpora\u00e7\u00e3o contava com 140 integrantes e, em 1874, seu efetivo havia aumentado para 202 pra\u00e7as. Nesse mesmo ano seu nome foi substitu\u00eddo para \u201cCorpo Policial da Prov\u00edncia do Paran\u00e1\u201d.<br /><br /><strong>Pol\u00edcia Cient\u00edfica</strong><br />Conforme o pesquisador Cl\u00f3vis Gruner em sua tese de doutorado \u201cPaix\u00f5es torpes, ambi\u00e7\u00f5es s\u00f3rdidas...\u201d a Proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica trouxe novidades em todas as \u00e1reas da sociedade, sendo que uma delas foi a da seguran\u00e7a p\u00fablica, com a aprova\u00e7\u00e3o do \u201cC\u00f3digo Penal Brazileiro\u201d, em 1890. A nova legisla\u00e7\u00e3o possibilitou a ado\u00e7\u00e3o de metodologias e inova\u00e7\u00f5es cient\u00edficas que estavam revolucionando as for\u00e7as policiais em pa\u00edses da Europa e na Am\u00e9rica.</span></p>\r\n<p><span>Exames dactilosc\u00f3picos (impress\u00f5es digitais) passaram a ser praticados no Gabinete de Identifica\u00e7\u00e3o e Estat\u00edstica (inaugurado em Curitiba no ano de 1895). Cinco anos depois, a Pol\u00edcia do Paran\u00e1 passou a usar a fotografia para a identifica\u00e7\u00e3o de presos e tamb\u00e9m para o registro de cenas de crimes. Em 1914, foi inaugurado o Laborat\u00f3rio de An\u00e1lises que realizava exames de sangue e de esperma, entre outros. Este \u00f3rg\u00e3o se somou ao Servi\u00e7o M\u00e9dico Legal (necrot\u00e9rio) para conferir \u00e0 atividade policial um car\u00e1ter mais cient\u00edfico, em acordo com as aspira\u00e7\u00f5es positivistas da \u00e9poca.</span></p>\r\n<p><span>Nesse contexto de renova\u00e7\u00e3o, havia, tamb\u00e9m, a necessidade de uma melhor conviv\u00eancia entre a pol\u00edcia e a popula\u00e7\u00e3o, o que s\u00f3 seria poss\u00edvel com patrulheiros de rua cordatos e gentis. Essa necessidade gerou, em 1904, a cria\u00e7\u00e3o da primeira Guarda Civil de uma cidade brasileira [Rio de Janeiro, ent\u00e3o Distrito Federal].</span></p>\r\n<p><span>No Paran\u00e1, o artigo 8\u00ba da lei estadual 1041/1911 autorizou o presidente do estado [Francisco Xavier da Silva] a criar a Guarda Civil. Ela foi institu\u00edda pelo decreto estadual 262 de 17 de junho de 1911 e passou a atuar com sede num dos pr\u00e9dios do entorno da Pra\u00e7a Zacarias. A inaugura\u00e7\u00e3o deste local se deu em 25 de novembro daquele ano e foi descrita pelo jornal \u201cA Rep\u00fablica\u201d daquele mesmo dia.</span></p>\r\n<p><span>Conforme o peri\u00f3dico, as instala\u00e7\u00f5es da Guarda Civil estavam ornamentadas por buqu\u00eas de flores naturais e, nas paredes, quadros com m\u00e1ximas morais. O evento inaugural contou com a presen\u00e7a de autoridades civis e militares, representantes da imprensa e outros convidados que puderam ouvir as palavras do doutor Stanislau Cardoso, Chefe de Pol\u00edcia. Ele lembrou como a corpora\u00e7\u00e3o foi criada e enalteceu seus objetivos. Outros discursos foram proferidos. Os 60 guardas-civis (confira abaixo o anexo \u201cpdf 1\u201d) que compunham aquele primeiro regimento permaneceram enfileirados na entrada do pr\u00e9dio e, ap\u00f3s a inaugura\u00e7\u00e3o, desfilaram pelas ruas da cidade recebendo muitos aplausos. \u201cEram os novos agentes da lei que o povo saudava em nome da pr\u00f3pria seguran\u00e7a\u201d, observou o jornalista Cid Destefani em mat\u00e9ria sobre a Guarda Civil publicada pela Gazeta do Povo em 1992.<br /><br /><strong>Progresso</strong><br />A cria\u00e7\u00e3o da Guarda Civil tamb\u00e9m estava em conson\u00e2ncia com a ideia de modernidade e progresso que Curitiba almejava desde que se tornou capital da Prov\u00edncia. Pa\u00edses da Europa, sobretudo a Fran\u00e7a, exportavam tend\u00eancias que eram adotadas (com maior ou menor grau de ades\u00e3o) pelo resto do mundo, ent\u00e3o n\u00e3o seria de todo equivocado encontrar elementos de \u201cgendarmerie\u201d na apresenta\u00e7\u00e3o e na conduta daqueles novos policiais curitibanos. \u201cGens d\u2019armes\u201d (Homens de Armas) eram os integrantes das mil\u00edcias surgidas em Paris durante a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa (1789) com a finalidade de tentar preservar a seguran\u00e7a da cidade. Com o tempo, a express\u00e3o ganhou outros contornos e se expandiu pelo mundo como sin\u00f4nimo de pol\u00edcia de elite.</span></p>\r\n<p><span>Os uniformes cor azul-marinho utilizados pelos guardas-civis de Curitiba inspiravam confian\u00e7a, sentimento que o povo n\u00e3o nutria, naquele momento, em rela\u00e7\u00e3o ao Regimento de Seguran\u00e7a. A institui\u00e7\u00e3o, desde 1908 sofria os reflexos de uma tentativa de insurrei\u00e7\u00e3o interna que resultou na morte de um dos revoltosos.</span></p>\r\n<p><span>A defini\u00e7\u00e3o da Guarda Civil como uma guarda de elite j\u00e1 estava presente na imprensa ( confira abaixo o anexo \u201cpdf 2\u201d) e nas discuss\u00f5es parlamentares que antecederam sua cria\u00e7\u00e3o, como se pode depreender do debate havido entre os deputados estaduais Benjamim Pessoa e Jayme Reis [registrado no jornal \u201cA Rep\u00fablica\u201d de 27 de junho de 1911]. Reis defendia que a medida seria desnecess\u00e1ria, pois a solu\u00e7\u00e3o do problema da criminalidade em Curitiba consistiria em aumentar o efetivo do Regimento de Seguran\u00e7a.</span></p>\r\n<p><span>Pessoa rebateu com a seguinte argumenta\u00e7\u00e3o: \u201ca Guarda Civil tem uma significa\u00e7\u00e3o moral mais elevada, effectivamente, porque este \u00e9 um projeto de cidades grandes, de cidades pr\u00f3speras, de cidades ricas, \u00e9 at\u00e9 mesmo um adorno, um enfeite; a cidade servida por Guarda Civil composta de mo\u00e7os limpos, educados, bem instru\u00eddos, capazes de racioc\u00ednio, de l\u00f3gica, aptos para distinguir bem a raz\u00e3o entre dois litigantes. Ella tem um ponto de vista mais lato, um horizonte mais vasto; uma cousa bonita, que d\u00e1 nome a uma cidade, a um estado, a um governo; tem esta significa\u00e7\u00e3o bela\u201d.</span></p>\r\n<p><span>A exig\u00eancia de boa conduta por parte dos novos guardas-civis estava expl\u00edcita no texto do decreto que criou a institui\u00e7\u00e3o [e que veio a embasar seu regulamento]. O decreto 262 de 15 de mar\u00e7o de 1911, publicado pelo jornal \u201cA Rep\u00fablica\u201d em 24 de junho diz em seu artigo 28 que o guarda deve dirigir-se ao superior com inteira obedi\u00eancia e tratar com os companheiros e o p\u00fablico com a maior cortesia e seriedade. O artigo seguinte determinava que o guarda n\u00e3o deveria provocar ou alimentar discuss\u00f5es, e no cumprimento de suas fun\u00e7\u00f5es deveria agir com prud\u00eancia, calma e energia, tratando os delinquentes com respeito e humanidade. O texto vai al\u00e9m, estipulando restri\u00e7\u00f5es comportamentais aos agentes: o artigo 34 estabelecia que o guarda durante o servi\u00e7o [que durava seis horas] n\u00e3o deveria fumar, conversar ou se sentar.<br /><br /><strong>A rea\u00e7\u00e3o popular</strong><br />A estreia da nova corpora\u00e7\u00e3o foi vista com desconfian\u00e7a pela popula\u00e7\u00e3o, conforme se verifica numa cr\u00f4nica publicada em \u201cA Rep\u00fablica\u201d uma semana depois da implanta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o. O autor, que se intitula singelamente \u201cSolid\u00f4nio\u201d, diz que num lugar onde o patrulhamento policial era at\u00e9 ent\u00e3o praticamente nenhum, seria de se esperar que a popula\u00e7\u00e3o reagisse com estranhamento. \u201cEra de supor, portanto, que aqui ou ali a interven\u00e7\u00e3o do Guarda causasse contrariedade porque, se alguns, por prud\u00eancia ou julgando justa qualquer admoesta\u00e7\u00e3o, a ellas se submettiam, outros poderiam insurgir-se colocando acima dos princ\u00edpios de toler\u00e2ncia os estos da vaidade, do orgulho, do sentimento de rebeldia que todo povo livre possue em maior ou menor somma\u201d.</span></p>\r\n<p><span>A cr\u00f4nica sugere que os guardas pareciam levar excessivamente ao \u201cp\u00e9-da-letra\u201d as normas e instru\u00e7\u00f5es municipais, como foi o caso da lei que proibia o tr\u00e2nsito pelas cal\u00e7adas portando cargas (sem definir o porte dessas cargas). O cronista reclama que, ap\u00f3s uma longa prele\u00e7\u00e3o moral, foi instado pelo guarda a andar pelo leito da rua XV por estar carregando um pequeno pacote que continha meras empadas (A Rep\u00fablica, 2 de dezembro de 1911).</span></p>\r\n<p><span>Ap\u00f3s este impacto inicial, a imprensa acabou por se acostumar com a novidade e a Guarda Civil passou a ser citada quase diariamente. Chama aten\u00e7\u00e3o, nesses primeiros tempos da corpora\u00e7\u00e3o, a quantidade de eventos prosaicos, como o registrado pelo jornal \u201cA Rep\u00fablica\u201d em 31 de janeiro de 1912. Anunciava-se o fato de que um Guarda Civil havia encontrado um guarda-chuva perdido na Pra\u00e7a Os\u00f3rio e que o objeto estava na sede da Guarda \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do propriet\u00e1rio. Outras not\u00edcias destes primeiros anos descrevem cuidados da Guarda Civil em rela\u00e7\u00e3o a moradores de rua, alcoolizados violentos, animais abandonados e tamb\u00e9m o combate ao tr\u00e1fico de carne irregular [n\u00e3o abatida no Matadouro Municipal].</span></p>\r\n<p><span>Mas n\u00e3o tardou para que os guardas-civis atuassem em epis\u00f3dios mais violentos, como o que \u00e9 descrito por Edim\u00e9ri Stadler Vasco em sua pesquisa \u201cA cultura do trabalho na Curitiba de 1890 a 1920\u201d. Ele menciona a situa\u00e7\u00e3o que envolveu dois padeiros [Proc\u00f3pio Cl\u00e9ves e Francisco Fallavela] que trabalhavam na padaria de Paulo Dalle, na rua Conselheiro Barradas [antiga Rua do Serrito e futura Presidente Carlos Cavalcanti], no ano de 1914. Houve uma discuss\u00e3o entre os dois a respeito de 200 r\u00e9is que uma criada havia passado a Francisco para que ele remetesse uma carta pelo correio, a\u00e7\u00e3o n\u00e3o levada a efeito, segundo Proc\u00f3pio. Ambos se feriram com objetos perfurantes contundentes [uma faca e uma ripa de madeira]. Um Guarda Civil que passava \u00e0 rua naquele momento foi acionado pela esposa de Paulo Dalle e separou os contendores j\u00e1 gravemente feridos.</span></p>\r\n<p><span>Em 1922, mesmo ano em que a Guarda obteve equipara\u00e7\u00e3o salarial com a Pol\u00edcia Militar, o tenente Arist\u00f3teles Xavier publicou o manual \u201cGyria dos Delinquentes (Dialecto dos Malandros)\u201d - republicado em 1978 pela Revista da Pol\u00edcia Civil do Paran\u00e1. De acordo com o pesquisador Cl\u00f3vis Gruner, o manual, hoje raro, foi feito aos moldes de outra pesquisa da mesma natureza lan\u00e7ada alguns anos antes pelo alagoano Elysio de Carvalho, um dos maiores entusiastas da ideia de \u201cpol\u00edcia cient\u00edfica\u201d. Arist\u00f3teles Xavier, que \u00e0 \u00e9poca exercia a fun\u00e7\u00e3o de instrutor na escola da Guarda C\u00edvica [nome da Guarda Civil durante alguns anos] encerrava seu manual com um breve di\u00e1logo (confira abaixo o anexo \u201cpdf 3\u201d) constru\u00eddo por meio do emprego de algumas das express\u00f5es coletadas.<br /><br /><strong>Outros fatos</strong><br />Na virada dos anos 20 para os anos 30, os jornais \u201cA Rep\u00fablica\u201d e \u201cA Gazeta do Povo\u201d entraram numa pol\u00eamica a respeito dos sal\u00e1rios pagos aos agentes da Guarda Civil [naquele momento conhecida como Guarda C\u00edvica]. A \u201cGazeta\u201d defendia que os agentes eram mal remunerados e que isso influenciava na qualidade da sua atua\u00e7\u00e3o. \u201cA Rep\u00fablica\u201d refutava as acusa\u00e7\u00f5es, publicando em 17 de setembro de 1929 inclusive uma carta resposta do comandante da corpora\u00e7\u00e3o capit\u00e3o Francisco da Fontana Barreto que convidava os cr\u00edticos para uma visita \u00e0s \u201crec\u00e9m-hygienizadas\u201d instala\u00e7\u00f5es da Guarda. A pol\u00eamica atingiu seu \u00e1pice quando a tentativa de suic\u00eddio da esposa de um Guarda C\u00edvico foi atribu\u00edda pela \u201cGazeta\u201d aos baixos sal\u00e1rios pagos, de acordo com a edi\u00e7\u00e3o de A Rep\u00fablica de 27 de abril de 1930.</span></p>\r\n<p><span>Possivelmente tais fatos contribu\u00edram para que em 11 de junho daquele mesmo ano, uma decis\u00e3o judicial da \u201cCorte de Apella\u00e7\u00e3o\u201d conferisse o status de servidor p\u00fablico aos integrantes da guarda. A senten\u00e7a proferia que o Guarda C\u00edvico (ou Civil) \u201c\u00e9 um agente da autoridade p\u00fablica, subordinado ao Chefe de Pol\u00edcia, cujas fun\u00e7\u00f5es auxilia por delega\u00e7\u00e3o, [portanto] deve ser considerado funcion\u00e1rio p\u00fablico para efeitos legais\u201d.</span></p>\r\n<p><span>Entre os meses de agosto e outubro de 1932, os integrantes da Guarda Civil foram incorporados ao Ex\u00e9rcito para atuarem junto \u00e0s tropas federais na insurg\u00eancia conhecida como \u201cRevolu\u00e7\u00e3o Constitucionalista\u201d, conta o guarda-civil Miroslau Santchuck em texto publicado em 1969, na revista da Guarda Civil. Em 31 de janeiro de 1937, o chefe de pol\u00edcia Roberto Barroso emitiu uma nota de pesar pelo falecimento do guarda Sebasti\u00e3o Siqueira, que foi publicada pelo jornal \u201cO Estado\u201d. Siqueira era o \u00faltimo guarda remanescente das primeiras turmas da Guarda Civil (ingressou em 18 de novembro de 1913), tendo permanecido na corpora\u00e7\u00e3o durante 23 anos sem uma n\u00f3doa em sua ficha.</span></p>\r\n<p><span>\u201cContar toda a hist\u00f3ria da Guarda Civil requer um livro bem volumoso\u201d, disse Cid Destefani em sua coluna Nostalgia publicada pelo jornal Gazeta do Povo em 15 de novembro de 1992. \u201cCom a implanta\u00e7\u00e3o do regime militar em 1964, a Guarda Civil foi extinta em todo o Brasil sob a alega\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o poderiam existir organiza\u00e7\u00f5es paramilitares al\u00e9m da Pol\u00edcia Militar, que \u00e9 uma tropa auxiliar do pr\u00f3prio Ex\u00e9rcito. Foi uma pena. Os guardas-civis deixaram saudades\u201d, lamentou o jornalista, falecido em setembro deste ano.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0<br /><br /><strong>Galeria dos Her\u00f3is</strong><br />O inspetor Cl\u00e1udio Frederico, atual diretor da Guarda Municipal, \u00e9 detentor de uma preciosa raridade: uma revista publicada pelo governo do estado em 1969, por ocasi\u00e3o do encerramento das atividades da Guarda Civil. A publica\u00e7\u00e3o cont\u00e9m as biografias de Paulo Pimentel (governador do estado), do coronel Julio Werner Hackradt (secret\u00e1rio de seguran\u00e7a) e do major Benur Augusto Muniz, ex-expedicion\u00e1rio que ocupava a dire\u00e7\u00e3o da Guarda Civil do Paran\u00e1 naquele momento. Fotos mostram o cotidiano da Guarda, os integrantes da corpora\u00e7\u00e3o em seus locais de atividade, treinamentos f\u00edsicos etc.</span></p>\r\n<p><span>Um dos textos que comp\u00f5em esta revista \u00e9 o relat\u00f3rio de Durval Sim\u00f5es, Diretor da Subdivis\u00e3o de R\u00e1dio Patrulha. Ele informa que \u201cno decorrer desses anos de luta contra a delinqu\u00eancia de toda natureza, tombaram no cumprimento do dever os seguintes patrulheiros: em 16 de setembro de 1961, Waldomiro Ry; em 22 de junho de 1964, Jos\u00e9 Alcides de Lima; em 21 de dezembro de 1964, Jos\u00e9 Pereira de Ara\u00fajo; em 15 de janeiro de 1967, Izidoro Siedelinski e em 29 de setembro de 1969, Jo\u00e3o Vieira. (...) Esses nomes, como n\u00e3o poderia deixar de ser, fazem parte da Galeria dos Her\u00f3is da Guarda Civil do Paran\u00e1, que, mesmo com sua extin\u00e7\u00e3o, jamais ser\u00e3o esquecidos\u201d.,</span></p>\r\n<p><span>Para o inspetor Frederico, a exist\u00eancia dessa revista real\u00e7a ainda mais a necessidade de preserva\u00e7\u00e3o das mem\u00f3rias tanto da Guarda Civil quanto da Municipal. \u201cUm tributo a todos que doaram um pouco de suas vidas em favor da seguran\u00e7a p\u00fablica de Curitiba\u201d, afirma o policial. Ele ainda esclarece que doa\u00e7\u00f5es particulares para o acervo da Guarda Municipal de Curitiba s\u00e3o bem-vindas.</span></p>\r\n<p><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas</strong><br />Destefani, Cid. Guarda Civil. Gazeta do Povo, Coluna Nostalgia (15 de novembro de 1992) - impresso</p>\r\n<p><a href=\"http://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/colunistas/nostalgia/a-policia-na-velha-curitiba-3tc2zesxotp6veo3lvh7vcv2m\" target=\"_blank\">Destefani, Cid. A pol\u00edcia na velha Curitiba. Gazeta do Povo, Coluna Nostalgia (23/11/2013)<br /></a><br /><a href=\"http://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/colunistas/nostalgia/imagens-perdidas-byh6ijwbryb6nqrr3299ku9fy\" target=\"_blank\">Destefani, Cid. Imagens perdidas. Gazeta do Povo, Coluna Nostalgia (24/10/2009)<br /></a><br />Garcia, Alex Ferreira. De Zacarias aos dias de hoje: a seguran\u00e7a p\u00fablica em Curitiba. Revista Vern\u00e1culo, n. 17 e 18, 2006.<br /><br /><a href=\"http://www.academia.edu/12762560/Em_torno_%C3%A0_boa_ci%C3%AAncia_debates_jur%C3%ADdicos_e_a_quest%C3%A3o_penitenci%C3%A1ria_na_imprensa_curitibana_1901-1909_\" target=\"_blank\">Gruner, Cl\u00f3vis. Em torno \u00e0 \u201cboa ci\u00eancia\u201d: debates jur\u00eddicos e a quest\u00e3o penitenci\u00e1ria na imprensa curitibana. Revista de hist\u00f3ria Regional 8 (1): 67-94, Ver\u00e3o, 2003.<br /></a><br /><a href=\"http://www.scielo.br/pdf/his/v28n2/14\" target=\"_blank\">Gruner, Cl\u00f3vis. Um bom est\u00edmulo \u00e0 regenera\u00e7\u00e3o\u201d: a Penitenci\u00e1ria do Estado e as novas estrat\u00e9gias da ordem na Curitiba da Primeira Rep\u00fablica. Revista Hist\u00f3ria. S\u00e3o Paulo, 28 (2). Faculdade de Ci\u00eancias Humanas e Sociais, Campus de Franca, 2009.<br /></a><br /><a href=\"http://dspace.c3sl.ufpr.br/dspace/bitstream/handle/1884/28114/R%20-%20T%20-%20CLOVIS%20GRUNER.pdf?sequence=1See%20More\" target=\"_blank\">Gruner, Cl\u00f3vis. Paix\u00f5es torpes, ambi\u00e7\u00f5es s\u00f3rdidas: transgress\u00e3o, controle social, cultura e sensibilidade moderna em Curitiba, fins do s\u00e9culo XIX e in\u00edcio do XX. Tese apresentada ao Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria da Universidade Federal do Paran\u00e1, como requisito parcial \u00e0 obten\u00e7\u00e3o do t\u00edtulo de Doutor em Hist\u00f3ria.\u00a0 Curitiba, 2012.<br /></a><br /><a href=\"http://bndigital.bn.br/hemeroteca-digital/\" target=\"_blank\">Hemeroteca Digital Brasileira (cole\u00e7\u00e3o de jornais antigos)</a><br /><br /><a href=\"http://www.historia.ufpr.br/monografias/2000/alci_fonseca_romero.pdf\" target=\"_blank\">Romero, Alci Fonseca. A g\u00eanese da Pol\u00edcia Militar no estado do Paran\u00e1 (1831-1874). Monografia apresentada ao Curso de Bacharelado e Licenciatura em Hist\u00f3ria da Universidade Federal do Paran\u00e1. Curitiba, 2000.</a><br /><br /><a href=\"http://www.historia.ufpr.br/monografias/2000/camila_castro_souza.pdf\" target=\"_blank\">Souza, Camila Castro de. Casas e monstros em Curitiba, 1890-1920. Monografia apresentada para obten\u00e7\u00e3o da gradua\u00e7\u00e3o no curso de Hist\u00f3ria da Universidade Federal do Paran\u00e1. Curitiba, 2000.<br /></a><br />Vasco, Edim\u00e9ri Stadler. A cultura do trabalho na Curitiba de 1890 a 1920. Disserta\u00e7\u00e3o apresentada ao curso de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria da Universidade Federal do Paran\u00e1, como quesito parcial \u00e0 obten\u00e7\u00e3o do t\u00edtulo de Mestre em Hist\u00f3ria. Curitiba, 2006.<a href=\"http://dspace.c3sl.ufpr.br:8080/dspace/bitstream/handle/1884/4037/Tese%20Edimeri.pdf?sequence=1\" target=\"_blank\"><br /></a></p>", "author_name": "Jo\u00e3o C\u00e2ndido Martins", "version": "1.0", "author_url": "https://www.curitiba.pr.leg.br/author/Jo\u00e3o C\u00e2ndido Martins", "provider_name": "Portal da C\u00e2mara Municipal de Curitiba", "type": "rich"}