{"provider_url": "https://www.curitiba.pr.leg.br", "title": "A hist\u00f3ria da Garagem de Bondes de Curitiba", "html": "<p align=\"justify\"><span>Pouco lembrada pela popula\u00e7\u00e3o de Curitiba, a antiga garagem de bondes situada no cruzamento das ruas Bar\u00e3o do Rio Branco e Visconde de Guarapuava j\u00e1 foi uma refer\u00eancia quando a regi\u00e3o do entorno da Pra\u00e7a Eufr\u00e1sio Correia era uma das principais vias da cidade, um trajeto obrigat\u00f3rio para quem desembarcava na esta\u00e7\u00e3o ferrovi\u00e1ria.<br /><br /><strong>Tra\u00e7\u00e3o animal (1887)</strong><br />A garagem come\u00e7ou a funcionar em 8 de novembro de 1887, data da inaugura\u00e7\u00e3o das primeiras linhas que eram administradas pela empresa Ferrocarryl Curitybana, de propriedade do senhor Boaventura Fernando Clapp. A atividade era exercida mediante contrato entre Clapp e a C\u00e2mara Municipal. O espa\u00e7o da garagem se resumia a um galp\u00e3o de madeira no formato chal\u00e9, que servia de dep\u00f3sito e estrebaria, entre outras fun\u00e7\u00f5es.<br /><br />O primeiro dia de funcionamento das linhas de bonde foi noticiado com destaque pelo jornal A Gazeta Paranaense e transcrito de forma resumida por Heitor Borges de Macedo, em seu livro Rememorando Curitiba. \u201cPouco depois das onze horas, partiram da esta\u00e7\u00e3o central da empresa quatro vag\u00f5es (wagons) de passageiros, um ocupado pela excelente banda do 2\u00ba Corpo de Cavalaria. Dirigiram-se os bondes para o Boulevard 2 de julho (Jo\u00e3o Gualberto), onde reside o operoso industrial Comendador Francisco Fontana, que preparou condigna recep\u00e7\u00e3o\u201d, publicou o jornal.<br /><br />A regulariza\u00e7\u00e3o de um servi\u00e7o de bondes representava (ao lado de outras novidades como o Passeio P\u00fablico, o saneamento e a ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica) um avan\u00e7o, uma mudan\u00e7a do universo eminentemente rural que predominara at\u00e9 ent\u00e3o para um ambiente com aspira\u00e7\u00f5es cosmopolitas.<br />\u00a0<br />Em 27 de agosto de 1895, o empres\u00e1rio Santiago Colle passou a ser o dono da empresa, que ele pr\u00f3prio descreveu num relat\u00f3rio de 20 de fevereiro de 1906: \u201ca esta\u00e7\u00e3o e suas depend\u00eancias ocupam uma \u00e1rea de seis mi metros quadrados. O material rodante \u00e9 representado por 20 viaturas abertas para passageiros, quinze vag\u00f5es descobertos para cargas, dois vag\u00f5es fechados para transporte de mala postal e diversos carros abertos para ferragens. Para a tra\u00e7\u00e3o desses ve\u00edculos, possui a empresa, 150 mulas\u201d, registrou Santiago Colle.<br />\u00a0<br />Para o pesquisador Marcelo Sutil, a garagem possu\u00eda import\u00e2ncia estrat\u00e9gica:\u00a0 \u201cQuando foi inaugurada, a Pra\u00e7a Eufr\u00e1sio Correia ainda era um descampado e um matagal cobria parte da futura Rua da Liberdade. No entanto, os bondes ali localizados, juntamente com a ferrovia, tinham naquele espa\u00e7o um ponto crucial para a dispers\u00e3o de linhas. De l\u00e1 partiam ramais que direcionavam o crescimento (da cidade)\u201d, esclarece Sutil.<br />\u00a0<br />Santiago Colle se afastou da empresa em 1910, cedendo espa\u00e7o \u00e0 firma inglesa South Brazilian Railways Ltd., que assumiu o controle sobre os equipamentos, ve\u00edculos, animais de tra\u00e7\u00e3o e instala\u00e7\u00f5es. Dois anos depois, essa empresa montou a estrutura met\u00e1lica que at\u00e9 hoje sustenta a cobertura da antiga garagem de bondes. Seria precipitado supor o peso das vigas de ferro fundido que se conectam a dez metros de altura, mas o fato \u00e9 que essa descomunal arma\u00e7\u00e3o met\u00e1lica completou 100 anos e, aparentemente, re\u00fane condi\u00e7\u00f5es para permanecer intacta por muito mais tempo.<br />\u00a0<br /><strong>Bondes el\u00e9tricos</strong><br />Em 1913, Curitiba adotou os bondes el\u00e9tricos, o que n\u00e3o significou o imediato abandono dos bondes movidos \u00e0 tra\u00e7\u00e3o animal. Os dois modelos conviveram durante um breve per\u00edodo, mas n\u00e3o tardou para que todas as linhas se eletrificassem.<br /><br />Com a extin\u00e7\u00e3o da South Brazilian Raiways em 1928, os bondes e toda a administra\u00e7\u00e3o desse meio de transporte coletivo foram transferidos para a Companhia For\u00e7a e Luz do Paran\u00e1 que deu continuidade aos servi\u00e7os. Em 1952,os bondes j\u00e1 n\u00e3o eram mais compat\u00edveis com o fluxo do tr\u00e2nsito, o que fez com que o prefeito Ney Braga os exclu\u00edsse em benef\u00edcio dos \u00f4nibus que se mostravam mais pr\u00e1ticos e econ\u00f4micos.<br />\u00a0<br />A antiga garagem se tornou propriedade da fam\u00edlia Slaviero, que manteve no local uma concession\u00e1ria de ve\u00edculos por alguns anos. Atualmente o espa\u00e7o \u00e9 utilizado por v\u00e1rios setores t\u00e9cnico-administrativos da C\u00e2mara Municipal. Embora sua apar\u00eancia tenha sido alterada e sua fun\u00e7\u00e3o seja outra, o lugar continua evocando um tempo remoto em que a cidade ainda era uma promessa.<br /><br /><em>Por Jo\u00e3o C\u00e2ndido Martins</em></span></p>\r\n<p align=\"justify\"><span><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas</strong><br /><br /><em>Rememorando Curitiba (Heitor Borges de Macedo, 1983)<br />Beirais e Platibandas (Marcelo Sutil, 1993)<br />O verde na metr\u00f3pole: a evolu\u00e7\u00e3o das pra\u00e7as e jardins em Curitiba (Aparecida Vaz da Silva Bahls, 1998)<br />Rua da Liberdade (Bar\u00e3o do Rio branco) \u2013 Boletim da Casa Rom\u00e1rio Martins (1981)</em></span></p>\r\n<div><span><em><br /></em></span></div>", "author_name": "Jo\u00e3o C\u00e2ndido Martins", "version": "1.0", "author_url": "https://www.curitiba.pr.leg.br/author/Jo\u00e3o C\u00e2ndido Martins", "provider_name": "Portal da C\u00e2mara Municipal de Curitiba", "type": "rich"}