{"provider_url": "https://www.curitiba.pr.leg.br", "title": "A C\u00e2mara e o planejamento urbano de Curitiba ", "html": "<div align=\"justify\"><span>Desde que foi criada, assim que o povoado de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais passava \u00e0 categoria de vila, em 1693, a C\u00e2mara Municipal participou ativamente do planejamento urban\u00edstico da cidade, uma das caracter\u00edsticas mais marcantes da capital do Paran\u00e1 e que a faz reconhecida em todo o mundo. Ao examinar os antigos \u201ctermos de verean\u00e7a\u201d, atas nas quais ficaram registradas as atividades dos parlamentares ao longo de mais de tr\u00eas s\u00e9culos, pode-se perceber o quanto o Legislativo, por meio de projetos de lei e outras medidas, contribuiu para tornar Curitiba refer\u00eancia em planejamento urbano.<br /><br />A Coroa Portuguesa, neste per\u00edodo, atribu\u00eda aos chamados ouvidores a fun\u00e7\u00e3o de estabelecer as normas que ordenassem o crescimento das \u201cvillas\u201d, dando tamb\u00e9m diretrizes para o surgimento de uma configura\u00e7\u00e3o jur\u00eddica s\u00f3lida, objetivando o bem-estar das novas comunidades. Em 1721, o ouvidor Rafael Pires Pardinho chega \u00e0 vila, cuja popula\u00e7\u00e3o era de 1.400 habitantes. Prescreve normas como a abertura de ruas retas e cont\u00ednuas, com constru\u00e7\u00f5es cont\u00edguas, visando a forma\u00e7\u00e3o de quadras e impedindo, assim, que surgissem corredores, becos e p\u00e1tios indesejados, capazes de comprometer a seguran\u00e7a, e para que a vila \u201ccrescesse uniformemente\u201d, segundo consta no termo de verean\u00e7a de 20 de janeiro deste mesmo ano. <br /><br />Alguns epis\u00f3dios ocorridos na cidade, registrados nos arquivos do Legislativo de Curitiba, denotam bem a cultura da \u00e9poca e as solu\u00e7\u00f5es encontradas. Em 22 de fevereiro de 1734, ap\u00f3s ter as paredes de suas casas danificadas pelo tr\u00e1fego livre do gado pela vila, o tenente-coronel Manoel Rodrigues Motta recorreu \u00e0 C\u00e2mara Municipal. O alcaide Domingos Lopes fez uma vistoria e, constatados os danos, foi institu\u00edda uma multa de cinco tost\u00f5es para cada vez que os criadores permitissem que o gado \u201ce outras cavalgaduras bravas\u201d trafegassem pela ent\u00e3o \u201cVilla de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais de \"Coritiba\"\u201d. <br /><br />A prioridade era abrigar no meio urbano da vila o com\u00e9rcio, o artesanato e as atividades religiosas. O espa\u00e7o das \u00e1reas suburbanas at\u00e9 os limites do munic\u00edpio, o chamado rocio, era destinado \u00e0 agricultura. Deixando clara a distin\u00e7\u00e3o entre as zonas urbana e rural, o imp\u00e9rio portugu\u00eas tinha por objetivo consolidar a imagem da vila como uma \u00e1rea urbana em pleno desenvolvimento. E a C\u00e2mara Municipal, com uma influ\u00eancia muito al\u00e9m dos limites do munic\u00edpio, era a representante local do imperador luso, que impunha aos cidad\u00e3os o dever de zelar e manter as vias das povoa\u00e7\u00f5es e freguesias.<br /><br /><strong>S\u00e9culo XIX \u2013 Rumo \u00e0 modernidade </strong><br /><br />No dia 9 de janeiro de 1831, a C\u00e2mara debatia acerca da desapropria\u00e7\u00e3o da resid\u00eancia de Maria Rosa da Paix\u00e3o. Era necess\u00e1ria a abertura de uma rua que ligasse a pra\u00e7a Tiradentes e a Rua das Flores. A medida deu origem \u00e0 rua S\u00e3o Jos\u00e9, atual avenida Marechal Floriano Peixoto. Aos arruadores nomeados pela C\u00e2mara cabia a tarefa de demarcar os \u201cch\u00e3os\u201d, os terrenos concedidos aos moradores, e fazer o alinhamento das novas ruas, \u201cdeixando os becos necess\u00e1rios\u201d. Aos \u201cpillotos\u201d, ficava a miss\u00e3o de medir os limites do rocio. Neste mesmo ano, a C\u00e2mara Municipal aprova seu primeiro c\u00f3digo de Zoneamento.<br /><br />Logo, a vila de Curitiba, que j\u00e1 era a sede da comarca, seria elevada \u00e0 categoria de cidade, em 1842, e, com a lei imperial 704, de 1853, passaria a ser a capital da nova Prov\u00edncia do Paran\u00e1. A partir da\u00ed, a popula\u00e7\u00e3o passaria a crescer mais rapidamente. Imensas levas de imigrantes ainda chegariam, trazendo sua cultura, costumes e conhecimento, principalmente no in\u00edcio do s\u00e9culo XX.<br /><br />Os gestores p\u00fablicos deixavam evidentes suas preocupa\u00e7\u00f5es com o crescimento da cidade nesse per\u00edodo. Na d\u00e9cada de 1880, Curitiba ganha a Estrada de Ferro, o Passeio P\u00fablico, o Teatro S\u00e3o Theodoro, a Santa Casa de miseric\u00f3rdia e, atenta \u00e0s demandas de transporte coletivo, providencia a primeira linha de bondes.<br /><br />Em 1895, o Brasil j\u00e1 era uma rep\u00fablica e as din\u00e2micas pol\u00edticas adquirem novos contornos. A C\u00e2mara Municipal de Curitiba aprovava o primeiro C\u00f3digo de Posturas, tratando de todos os aspectos centrais da urbanidade: dos cemit\u00e9rios aos entretenimentos p\u00fablicos, do com\u00e9rcio \u00e0 salubridade. O documento \u00e9 abalizado por engenheiros, m\u00e9dicos sanitaristas e profissionais de outras \u00e1reas. Outro c\u00f3digo viria em 1919. Em 1930, o processo de hierarquiza\u00e7\u00e3o do solo, que teve in\u00edcio em 1903, seria revisado.<br /><br />Se no s\u00e9culo XIX foi marcante no planejamento urbano de Curitiba as diretrizes do franc\u00eas Pierre Taulois, no s\u00e9culo seguinte, sobressaiu-se outro franc\u00eas, com fortes influ\u00eancias intelectuais positivistas, cartesianas, no trabalho do soci\u00f3logo franc\u00eas Emile Durkheim e com uma carreira reconhecida n\u00e3o s\u00f3 no Brasil, por j\u00e1 ter atuado na elabora\u00e7\u00e3o do plano de urbaniza\u00e7\u00e3o do Rio de Janeiro, como em v\u00e1rias partes do mundo: Donat Alfred Agache.<br /><br /><strong>O Plano Agache</strong><br /><br />Por conciliar, em sua forma\u00e7\u00e3o, vasto conhecimento sociol\u00f3gico e a arquitetura, Agache tornou-se um urbanista e foi contratado pelo prefeito Rozaldo de Mello Leit\u00e3o, com a empresa Coimbra Bueno &amp; Cia Ltda., em 25 de abril de 1941. O interventor federal no Paran\u00e1 era Manoel Ribas. Um corpo de t\u00e9cnicos da cidade colaborou com o projeto, que se chamou Plano de Urbaniza\u00e7\u00e3o de Curitiba. A Universidade do Paran\u00e1 (atual UFPR) e o Minist\u00e9rio do Ex\u00e9rcito tamb\u00e9m contribu\u00edram com informa\u00e7\u00f5es. Um formid\u00e1vel capital humano se une, interessado em aprender a metodologia de Agache, que tanto prest\u00edgio e reconhecimento lhe proporcionou. <br /><br />O plano apresentava todo o rigor metodol\u00f3gico t\u00edpico da Academia francesa na \u00e9poca. No texto original, consta toda a an\u00e1lise ambiental e estrutural da cidade, e as medidas necess\u00e1rias para uma Curitiba moderna, urbana e civilizada. Recebe destaque um \u201cPlano das Avenidas\u201d, um c\u00f3digo de obras, um plano para remodela\u00e7\u00e3o, extens\u00e3o e embelezamento, zoneamento, bem como considera\u00e7\u00f5es e medidas para comunica\u00e7\u00e3o e transporte. Para cada diretriz, Agache apresentou argumentos t\u00e9cnicos, sociol\u00f3gicos e mesmo de ordem psicol\u00f3gica. Tamb\u00e9m aponta casos e caracter\u00edsticas de outras cidades, fazendo cr\u00edticas e procurando evitar que tais problemas se repetissem em Curitiba. Dentre o presente legado da obra de Agache para a capital do Paran\u00e1, destaca-se hoje o Centro C\u00edvico.<br /><br /><strong>Plano Diretor de 1965 </strong><br /><br />Pouco mais de uma d\u00e9cada depois, a C\u00e2mara Municipal, em 15 de julho de 1954, aprovava projeto que criava uma comiss\u00e3o especial para estudar o transporte coletivo na capital. Em 1964, surge o Plano Preliminar de Urbanismo (PPU), propondo um modelo linear de desenvolvimento, distinto do Plano Agache, que previa um crescimento radial. Em 1965, \u00e9 criado o Ippuc \u2013 Instituto de Pesquisa e Planejamento de Curitiba, com o objetivo de dar maior suporte t\u00e9cnico \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o e execu\u00e7\u00e3o do PPU. Previa-se a participa\u00e7\u00e3o popular no projeto.<br /><br />E foi na Casa de Leis de Curitiba que propostas foram apresentadas, ideias e poss\u00edveis solu\u00e7\u00f5es intensamente debatidas. O Plano Diretor que da\u00ed surgiu tornou-se conhecido como Plano Serete e cada medida teve de ser analisada e aprovada pelos vereadores curitibanos. O prefeito da cidade era Ivo Arzua. O Plano Serete previu o crescimento dos bairros mais afastados do centro, a cria\u00e7\u00e3o do que hoje tornou-se a Cidade Industrial e preparou a cidade para o desenvolvimento acelerado e o intenso crescimento da popula\u00e7\u00e3o, nas d\u00e9cadas de 70 e 80. <br /><br />Desde ent\u00e3o, a C\u00e2mara Municipal buscou conciliar, em sua atua\u00e7\u00e3o, a harmonia com este plano, com a execu\u00e7\u00e3o das necess\u00e1rias mudan\u00e7as que surgem na medida em que a metr\u00f3pole cresce. Houve mudan\u00e7as no Plano Diretor, dentre as quais as adapta\u00e7\u00f5es requeridas pelo Estatuto das Cidades, promulgado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso em 2001.<br /><br />Por meio de comiss\u00f5es especializadas em temas como obras p\u00fablicas, bem-estar social, urbanismo e seguran\u00e7a p\u00fablica, a C\u00e2mara continua pautando e propondo solu\u00e7\u00f5es para a Curitiba do s\u00e9culo XXI, em franco desenvolvimento. S\u00e3o tamb\u00e9m levadas em conta as demandas da regi\u00e3o metropolitana para melhorar a integra\u00e7\u00e3o.<br /><br /><em>Por Edson Camargo</em><br /></span></div>", "author_name": "", "version": "1.0", "author_url": "https://www.curitiba.pr.leg.br/author/assessoria.comunicacao", "provider_name": "Portal da C\u00e2mara Municipal de Curitiba", "type": "rich"}